Durante o período da pandemia do coronavírus, houve um grande aumento de criação de MEIs (Microempreendedores Individuais). Em Franca, cerca de 10 mil pessoas se tornaram empreendedores. O que teria motivado esse aumento foi a dificuldade de conseguir empregos, tendo elas encontrado a solução no empreendedorismo.
O economista da Secretaria de Desenvolvimento de Franca Deyvid Silveira apresenta dados que mostram como tem sido surpreendente o aumento da quantidade de MEIs em Franca. No dia 31 de dezembro de 2011, a cidade contava com 3.427 Microempreededores Individuais. No passar de 8 anos, em 31 de dezembro de 2019, esse número foi para 21.062, o que revela uma média de aproximadamente 2.200 novas aberturas de MEIs ao ano.
Os 21.062 MEIs do último dia de 2019 se tornaram 30.966 em 31 de março de 2022, o que representa um aumento de 9.904 figuras jurídicas dessa categoria em dois anos e três meses, ou 47%. Dessa forma, o crescimento praticamente dobrou em relação aos 8 anos de 2011 a 2019, sendo agora uma média de aproximadamente 4.400 novos Microempreendedores Individuais ao ano.
Mas o que teria causado esse aumento desenfreado de novos empreendedores dessa categoria em Franca? Deyvid explica que o principal motivo teria sido uma forma de pessoas conseguirem uma renda em meio a tanto desemprego. “Após os impactos da pandemia iniciada em março e abril de 2020, principalmente na indústria, comércio e emprego locais, o ritmo de abertura (de MEIs) nos últimos 20 meses registrou a marca de 400 novas formalizações ao mês, ou aproximadamente 4.500 ao ano. Ou seja, percebemos atualmente um empreendedorismo por necessidade ou busca por alternativas para construção de uma renda familiar”.
Daniel da Silva, 32, foi demitido na pandemia e em uma “aposta”, conseguiu dar a volta por cima. “Sempre trabalhei como atendente, mas durante a pandemia fui mandado embora, é claro, né? Como eles me manteriam se o atendimento presencial estava cortado na época? Procurei um emprego por três meses, mas não encontrei nada. Quase sem dinheiro, decidi contar com a sorte. Se desse errado, daria muito, e se desse certo, eu conseguiria uma renda. Pedi dinheiro emprestado para meu irmão mais velho, abri uma tabacaria, e vendia a maioria das coisas por delivery”, explica Daniel.
Apesar de a tabacaria ter se tornado um sustento para Daniel, ele conta que não gostou da “vida de empresário”, e após quitar as dividas com seu irmão, voltou a trabalhar como atendente. “Deu para me sustentar, mas é muito difícil, é tanta coisa para administrar que já não compensava mais para mim e não sobrava tanto. O importante é que consegui pagar minhas contas na pandemia com a tabacaria, mas agora consegui um novo emprego e tudo voltou ao normal”, conta Silva.
Mesmo na pandemia, nem todos abriram por dificuldades de encontrar empregos. No caso do empresário Fernando Gomes, de 20 anos, que se tornou MEI nesse período, o motivo foi outro. “Eu estava trabalhando registrado em uma empresa, mas resolvi abrir uma MEI porque queria o meu próprio negócio. Acredito que não nasci para trabalhar como empregado. Comecei trabalhar para mim mesmo porque era como realizar os sonhos de outras pessoas e deixar o meu de lado. O que me faz acordar e correr atrás disso é o propósito. Dinheiro para mim é consequência, mas gosto de sentir que estou recebendo pelo que estou me doando”, diz Fernando.
O economista Deyvid explica que no atual momento, diferentemente do período pandêmico, a grande parte dos MEIs deixou de ter o perfil de pessoas que buscavam uma forma de renda por necessidade. “Hoje, com a recuperação do emprego em Franca, o MEI se apresenta como uma alternativa de complemento de renda familiar. Além do emprego, o cidadão empreendedor vê uma oportunidade de manter a atividade iniciada na pandemia”.
Mesmo depois da pandemia, o MEI continua atraindo muitas pessoas. A empresária Rafaela Eduarda de Oliveira, de 22 anos, trabalha com a venda de salgados há mais de dois anos, mas agora pretende abrir uma MEI por conta dos benefícios. “Com ele, tenho mais facilidade para trabalhar. Consigo emitir notas fiscais, tenho mais facilidade em abrir contas, sem contar que se eu ficar desempregada, ainda assim consigo continuar contribuindo com o INSS”.
Como forma de auxiliar microempreendedores e aqueles que pretendem se tornar MEI, a Prefeitura de Franca conta com a Sala do Empreendedor, que é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento. O atendimento presencial no local é oferecido de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30, no andar térreo da Prefeitura, na rua Frederico Moura, 1517, no bairro Cidade Nova. O serviço também oferece atendimento via WhatsApp através do número (16) 3721-4669.
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