Uma onda de violência em escolas de Franca vem preocupando pais e responsáveis. Somente no último mês, foram registrados ao menos cinco episódios de violência envolvendo unidades escolares.
Nesta semana, por exemplo, na Escola Estadual “Torquato Calheiro”, o EETC, duas brigas envolvendo garotos e garotas deixaram um pai atônito.
“Uma hora um aluno vai ser morto aqui. É um absurdo isso que está acontecendo. Chamei a polícia e foi uma burocracia para explicar onde era a escola, o que estava acontecendo. É uma vergonha”, disse ele, que pediu para não se identificar.
Desde o início do ano, várias brigas foram registradas, mas em março cenas e cenas de pancadaria se multiplicaram.
No dia 10 de março, duas alunas saíram nos tapas por causa de um garoto. O caso aconteceu na E.E “Professor Hélio Palermo”, no Jardim Derminio, zona Oeste de Franca.
A confusão teria começado dentro da unidade escolar e só terminou na rua. Na época, uma professora, que também pediu para não ser identificada, disse que esse tipo de confusão vem se repetindo na saída dos alunos.
E não é que repetiu? No dia seguinte, dois estudantes da escola discutiram e se agrediram logo na saída do período da manhã.
Um dos casos mais graves até aqui aconteceu na zona Leste de Franca, na EE "Adelina Pasquino Cassis", no Jardim do Éden, quando duas mulheres invadiram a escola e ameaçaram uma aluna.
Segundo apurado pelo GCN, a briga teria começado fora do ambiente escolar após uma aluna ser ameaçada de morte por outra. Então, sua mãe invadiu a unidade.
Já no dia 26 de março, na EE "Israel Niceus Moreira", no Jardim Santa Efigênia, um jovem foi cercado por outros e iniciaram uma briga. Como nos outros casos, a cena foi gravada por colegas. Na briga do EETC, na última terça-feira, 29, duas brigas que se generalizaram também foram gravadas.
Pandemia
Uma diretora, que preferiu não se identificar, contou como é a situação em sua escola. Ela afirma que não tem sido registradas brigas, mas notou um "nervosismo" maior dos alunos em sala de aula.
“Eles estão mais nervosos. Deixando a escola mais suja. Isso já acontecia, mas intensificou com esse distanciamento que tivemos com a pandemia. A convivência entre eles está mais complicada. Eu acredito que seja pela pandemia, e conversando com colegas diretores, eles pensam a mesma coisa”, disse a diretora.
A diretora acredita que as escolas precisam fazer ações para melhorar a convivência dos alunos. “Tem coisa que está fora do alcance do diretor. O estado precisa criar ações que possam melhorar a convivência desses alunos. Eles estão tendo que reaprender a conviver com outras pessoas. Foram dois anos muito difíceis para eles”, finalizou a diretora.
O dado relatado pela diretora é parecido com o citado em uma matéria do jornal O Globo. Nela, pesquisadores da área de educação admitem que episódios violentos estejam ligados à pandemia.
"Depois do sofrimento causado pela Covid-19, não adianta fingir que nada aconteceu. Esses alunos estão voltando para a escola mais irritados, agressivos, com mais dificuldade nas habilidades sociais. A escola precisa de um plano de acolhida e espaço de diálogo para trabalhar essas questões em âmbito coletivo. Relações on-line não são a mesma coisa", contou Telma Vinha, professora da Unicamp (Universidade de Campinas), especialista em convivência e clima escolar.
Diretoria de Ensino sem resposta
A reportagem entrou em contato com os diretores das respectivas escolas e também com a Diretoria Regional de Ensino.
As respostas em todos os casos repetem um padrão: a pasta “repudia qualquer forma de agressão dentro ou fora das escolas". Além disso, mencionam que, ao tomar ciência do fato, a direção da escola identificou os estudantes e chamou seus responsáveis para uma "reunião de mediação e orientação sobre providências que preservem o direito à educação".
A reportagem insistiu em falar com os diretores e a dirigente de ensino em Franca, Silma Rodrigues. Em ligações, os diretores diziam que poderiam dar entrevistas, mas somente com a liberação da dirigente. Silma, por sua vez, afirma que só falaria com autorização do governo do Estado.
No âmbito estadual, a resposta é de que a dirigente não tem espaço na agenda para dar uma explicação sobre o aumento nas brigas em ambiente escolar.
Silma chegou a dizer para o repórter em ligação que dependia nesse caso da assessoria de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. E o órgão afirmou que Silma não teria espaço na agenda durante a semana. A demanda foi solicitada na segunda-feira, 28.
Além das perguntas sem respostas, a reportagem tentou entrevistar alguém do programa Conviva, mas não obteve respostas da pasta.
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