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Outdoor prega ideias bolsonaristas em Franca; é ilegal, denuncia jurista ao MP

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Outdoor na avenida João Batista Paulo Silva, no Recanto Elimar, na zona Sul de Franca
Outdoor na avenida João Batista Paulo Silva, no Recanto Elimar, na zona Sul de Franca

“Só existem 2 lados: comunismo (ou) Bolsonaro”. A frase, em apoio à reeleição do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), consta de um outdoor localizado na avenida João Batista Paulo Silva, no Recanto Elimar, na zona Sul de Franca.

Por lei, a propaganda política antecipada é proibida no país, como ressalva o site oficial do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “O uso de outdoors para exaltar qualidades pessoais de possíveis candidatas e candidatos também não é permitido, e essa regra vale tanto no período eleitoral quanto fora dele”.

O advogado e candidato a vereador pelo PSOL na última eleição municipal Guilherme Cortez entregou uma representação ao Ministério Público do Estado de São Paulo na tarde desta segunda-feira, 28. No texto, o jurista pede que seja apurada a prática de propaganda eleitoral antecipada, abuso do poder econômico, financiamento ilegal de campanha e outros possíveis delitos cometidos.

“Independentemente de ser uma ação espontânea, uma iniciativa do próprio partido ou apoiadores do partido do pré-candidato, é ilegal. Não pode ser feito”, diz Cortez.

O calendário eleitoral de 2022 prevê o início da veiculação da propaganda eleitoral gratuita no dia 16 de agosto. O outdoor foi instalado no mês de março e tem autoria desconhecida.

Na peça, Bolsonaro é adjetivado também com as seguintes palavras: “liberdade”, “honestidade” e “progresso”. Já quem escolhe o outro lado – o do “comunismo” – é induzido a acreditar que está apoiando a “corrupção”, “atraso” e “escravidão”. Junto com a foto do presidente está a frase que serve de refrão de campanha política de Jair Bolsonaro, “Deus, pátria, família e liberdade”, com o adendo “a escolha é sua”.

Apesar de não ser o motivo da denúncia, Cortez classifica como de “muito mau gosto” o conteúdo. “Ele é extremamente despolitizante e extremamente desinformativo. Cria uma polarização que não existe entre o progresso e o comunismo. O Brasil não está em vias de se tornar comunista”.

Ações como esta prejudicam o processo eleitoral, aponta o jurista. “Isso faz com que um candidato, independentemente de quem tenha sido o autor, tenha vantagem em uma eleição que ainda nem começou”.

A reportagem contatou o 46° Cartório Eleitoral em Franca sobre o outdoor, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.

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