ÁGUA PARADA

Antes 'casa' de medalhista olímpico, hoje um 'elefante branco' no Poliesportivo

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
Piscina do Complexo Poliesportivo nos tempos atuais
Piscina do Complexo Poliesportivo nos tempos atuais

Há exatos 25 anos, a piscina do Complexo Poliesportivo servia de casa para um dos maiores nadadores da história do Brasil, o ituveravense Gustavo Borges. Em todo esse tempo que se passou, o atleta construiu uma carreira vitoriosa e conquistou quatro medalhas olímpicas. Já a piscina se tornou obsoleta e virou uma grande dor de cabeça para a Prefeitura de Franca nos últimos anos.

A piscina foi um importante palco para competições dos Jogos Abertos e do Interior de São Paulo, durante os anos 1980, 1990 e 2000. Cabe, então, a pergunta: o que fez a piscina se perder ao longo do tempo? Por ser uma construção antiga, o aquecedor da piscina era uma caldeira, que é um método já ultrapassado para aquecer a água. Com os anos, foi ficando impossível reparar o equipamento e o encerramento das atividades foi a opção que restou.

Sistema de aquecimento da piscina do Complexo Poliesportivo


Desde o segundo semestre de 2018, o Poliesportivo comporta uma estrutura que se tornou um "elefante branco" do município de Franca. É assim que descreve o presidente da Feac (Fundação do Esporte, Arte e Cultura de Franca), Mateus Caetano. “A caldeira é uma das mais antigas que se tem. E nós temos relatos de funcionários de que ela não recebeu a manutenção adequada. Com isso, os estragos foram se acumulando. Isso foi se somando até que chegamos nesse caos de ter que fazer um projeto”.

Neste período em que foi desativada, as tentativas de recuperar a piscina e o sistema de aquecimento são incontáveis. Em 2019 e 2020, durante a gestão do ex-prefeito Gílson de Souza (Pros), vários processos licitatórios foram abertos. Na época, o então secretário de esportes, Elson Bonifácio, cravou que a piscina seria recuperada.

“A Prefeitura, através da Secretaria de Esportes, já fez todo laudo técnico e o projeto do novo sistema de aquecimento. Já está tudo preparado e estamos aguardando somente a liberação do repasse do Estado. Assim que houver a liberação, daremos início à licitação. O tempo para a entrega da obra será de 45 dias, após licitação concluída”, disse Boni, na época.

Sem sucesso, a "bomba" ficou sob responsabilidade da gestão do atual prefeito, Alexandre Ferreira (MDB), que também tem tido dificuldades pra resolver. Conforme conta o presidente da Feac, três processos licitatórios foram realizados, as empresas assumiram o trabalho, mas algumas questões impediram o início da obra.

“Infelizmente, pelo processo licitatório exigir muitos documentos e exigir que as empresas estejam em dia com seus impostos, nós encontramos dificuldades. Tanto que nós abrimos três vezes o processo e não conseguimos sucesso, já que as empresas que se apresentaram até agora não foram capazes de ter os documentos necessários”, explicou Mateus.

Desta vez, Mateus garante que as questões que faltavam estão sendo resolvidas e que finalmente a obra terá andamento, com novo sistema solar e readequações na estrutura. "Vamos melhorar a parte interna e externa, para entrada das pessoas. Temos que adaptar os banheiros, também. Além disso, vamos ter um sistema de aquecimento solar e elétrico, para manter a piscina bem aquecida todo o ano, independente do clima", contou Mateus.

A expectativa é de que ainda neste ano a piscina esteja pronta. "Pelo que temos levantado, as obras devem durar em torno de 90 dias. E pretendemos fazer isso funcionar ainda neste ano", disse.

Quando estiver concluída, a piscina estará aberta à população. Mas, por ser mais profunda, um processo seletivo será feito para escolher quem poderá usufruir da estrutura. “Por ser uma piscina antiga e de grande profundidade, seria para pessoas que saibam nadar. Isso nos leva a procurar pessoas que se destacam e possam vir para cá também. A pessoa interessada fará a inscrição, escolherá o horário e nós faremos um sorteio público. Isso será um processo que acontecerá todo início de ano”, explicou.

A Prefeitura mantém também um convênio com vários clubes do município, que liberam suas piscinas para os atletas vinculados à Feac. “Hoje, estamos fazendo os atendimentos dos atletas de Franca nas melhores piscinas que existem na cidade, que são Sesi e Unifran. Além disso, a Prefeitura tem convênio com todos os clubes da cidade, exceto o Castelinho. Então, em questão de atendimento, as aulas de hidro, natação adulto e infantil seguem normalmente”, disse.

Medalhista olímpico
Poucos sabem, mas, no ano de 1987, o jovem morador de Ituverava, Gustavo França Borges, passou a representar a Associação Atlética Francana. Medalhista olímpico nos Jogos de 1992, 1996 e 2000, Gustavo foi por anos o maior atleta olímpico do país. Seus primeiros passos, ou melhor, braçadas foram nas águas da piscina do Poliesportivo.

Quem relembra a passagem de Gustavo por Franca é Paulo Nazar, que foi professor de natação e atualmente ocupa o cargo de diretor de terceiro setor da Feac. “O Gustavo Borges teve uma trajetória maravilhosa por aqui, na época do professor Luís, carinhosamente conhecido como Bola. Ele veio pra cá, treinou aqui e teve a oportunidade de fazer escola aqui. E o mais importante: a presença dele e até a ausência deixaram um legado. O que ele fez, aprendeu e ensinou aqui, as outras pessoas seguiram o mesmo caminho”, relembrou.

Justamente por esse histórico deixado por um grande atleta, além de todas as histórias que muitos nadadores e professores francanos tiveram na piscina, Paulo lamenta a pausa forçada. “De uma certa forma, não é confortável ver isso. Não só pelos alunos, mas temos as histórias de professores que ministraram aulas aqui por muito tempo e sentem essa falta”.

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