De um lado, jovens com pouca ou nenhuma experiência no mercado de trabalho. Do outro, empregadores com dificuldade de encontrar profissionais qualificados. O estágio saiu de “tapa-buraco” para “solução” para as empresas, que veem nos jovens talentos a oportunidade de moldar profissionais. Em Franca e região, principalmente no primeiro trimestre deste ano, há um alto número de vagas abertas.
“Eles estão buscando conhecimento o tempo todo. Esse é o grande diferencial de quem começa a estagiar. Eles estão numa busca e a gente tenta dar sequência”, diz o diretor da Bioforte, Clayton César Mendes.
Sequência que vem dando resultado. A Bioforte, empresa de saneamento ambiental, efetivou pelo menos três jovens talentos nos últimos meses. “Todos os profissionais que entraram aqui na parte administrativa foram sem experiência, sendo todos estagiários. Até na parte operacional, não pegamos ninguém com experiência”.
Aos 20 anos de idade, um destes talentos se chama Élcio Dias Junior. Com pouco tempo de casa, o morador do Jardim Aeroporto ll, na zona Sul de Franca, saiu de promessa para realidade. “O Élcio se tornou uma pessoa indispensável para a gente, porque ele começou aqui e com 45 dias já tinha sido efetivado por sua capacidade”.
Não à toa ganhou destaque já nas primeiras semanas. Ainda menor de idade, Élcio fez o ensino médio integrado ao curso de administração na Etec “Dr. Júlio Cardoso”, conhecida como Industrial. Atualmente, está no terceiro ano de ciências contábeis na Unifran (Universidade de Franca). Além da capacitação, sua força de vontade se sobressai. Em alguns dias, o jovem percorre mais de 16 km de bicicleta para ir e voltar do trabalho, localizado no bairro São José.
Para que esse profissional tenha sido formado, Élcio passou pela supervisão e ensinamentos da empresa. “A empresa oferece caminho. A empresa está moldada para isso, para formar essas pessoas. A bagagem que eles pedem é a força de vontade. Você é rodeado de profissionais que querem te ajudar a crescer, não só na escala da empresa, mas para ganhar o mundo também”, conta Élcio.
Ele cita a responsabilidade como principal capacidade adquirida no trabalho. “Aqui eles te entregam algo e confiam de olhos fechados que você vai fazer”.
A Bioforte conta com apenas um estagiário atualmente, mas pretende aumentar o número de jovens talentos. Os interessados podem mandar o currículo pelo e-mail (rh@bioforte.com.br).
Ciee
Se engana quem acha que a Bioforte é uma das poucas empresas que contratam jovens. O Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola) tinha 193 vagas de estágio e 48 de aprendizagens abertas nessa sexta-feira, 25, em Franca e região.
Segundo a supervisora do Ciee Franca, Andréia Inocêncio, o número de vagas abertas no primeiro trimestre cresceu pelo menos 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado. "O primeiro trimestre do ano, em geral, é um período muito aquecido para vagas, porque é um período sazonal, onde vários contratos que terminaram no final do ano estão sendo repostos".
“Não só empresas de médio e grande porte, mas empresas pequenas também estão abrindo oportunidades para estagiários, para formar mão de obra e novos talentos”, completou.
Particularmente em Franca, a tendência é que o número de vagas possa aumentar nas próximas semanas. A Prefeitura deve soltar o processo seletivo, possivelmente no final desta semana, para a contratação de estagiários. O Ciee espera o fechamento do edital para divulgar mais informações.
Agiliza
São abertas em média de 15 a 20 vagas de estágios na Agiliza Soluções Empresariais para todos os segmentos, sendo vagas de estágio de nível, médio, técnico e superior.
Com o avanço da vacinação e o retrocesso nos casos e mortes em decorrência do coronavírus, a tendência é que o número de oportunidades cresça ainda mais.
“Temos diversas oportunidades, principalmente agora com a normalização do trabalho presencial e também Home Office e Híbrido onde, aos poucos, vamos voltando ao normal após a pandemia. Então, nesse sentido, falta qualificação profissional”, explica a assistente de Recursos Humanos da Agiliza, Jhéssica Line Gomes Ferreira.
Para que essas oportunidades sejam preenchidas, ao contrário do que muitos pensam, o problema não é a falta de experiência, mas outra razão. “As novas gerações tendem a ser mais resistentes a ordens e muitas vezes agem com imaturidade em determinadas situações, é claro que a maturidade é alcançada com o tempo, porém, é necessário buscar desenvolvimento pessoal a fim de melhorar esses pontos”.
Para Jhéssica, a relação entre jovem e empresa oferece uma troca. “Para os jovens, hoje é a busca pela independência, tanto pessoal quando profissional. E para as empresas, esses jovens podem contribuir para o crescimento das organizações, se tornando futuros profissionais”, finalizou.
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