A imponência das estruturas de concreto e ferragens armadas naquela que é considerada a maior obra em execução de Franca nem de longe lembra a tragédia de um ano atrás. No final da manhã de 19 de março de 2021, uma laje da obra do Sesc, no bairro São José, desabou, matando um operário e ferindo 20 pessoas.
A obra foi embargada pela Prefeitura de Franca seis dias após o acidente. Os escombros e a limpeza do local aconteceram durante o período em que o projeto ficou paralisado. As atividades só foram retomadas no dia 4 de agosto, exceto no lugar que aconteceu o acidente, que permaneceu sob análise da perícia técnica.
Além da perícia da Polícia Civil, o Sesc contratou uma empresa especializada para investigar as causas do desabamento. A instituição afirmou que ainda não recebeu o laudo definitivo com os resultados emitidos pelo Instituto de Criminalística da Polícia Técnica Científica.
Por volta de 250 operários trabalhavam na fase de estruturação e instalação em março do ano passado. Mais de 60 pessoas estavam nas imediações no momento do acidente. Um deles era Bruno Passos Faria, de 34 anos. “Estava no canteiro, foi bem próximo do lugar do acidente. A gente só sentiu tremer e aquele barulho muito forte”.
Apesar da correria, o eletrotécnico lembra do cuidado que os responsáveis tiveram para não colocar ninguém em risco ao retirar as equipes da obra. “O técnico de segurança chegou pedindo para a gente sair do canteiro, como medida de proteção. A gente saiu e ficou em um lugar aberto, onde não corria risco de desabamento. Fez a contagem do nosso pessoal, conferiu que estava todo mundo certo e a gente teve que evacuar”.
Equipes do Corpo de Bombeiros, hospitais particulares, Polícia e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) se mobilizaram no resgate das vítimas. A queda da laje matou o operário José Luís Balduino, de 51 anos, que foi sepultado em sua cidade natal, na Bahia. Outros 20 trabalhadores ficaram feridos.
Ainda segundo nota enviada, o Sesc acompanhou o trabalho de assistência às vítimas e familiares, colocando sua estrutura e profissionais da região a disposição para prestar acolhimento aos envolvidos. “A instituição sempre esteve em contato permanente com a construtora JZ Engenharia, empresa responsável pela execução da obra, a fim de assegurar que todos recebessem o atendimento necessário”, informa o texto.
Bruno foi incisivo ao dizer que houve acompanhamento do Sesc com os atingidos. “O pessoal que teve envolvimento, que machucou e ficou em observação, o Sesc deu o maior apoio. Até a própria construtora deles deu o maior apoio”.
A reportagem abordou outros operários, mas ninguém aceitou comentar nada sobre a obra.
Como estão as obras?
A obra está em fase de finalização das estruturas de concreto e metálicas. Estão sendo feitos acabamentos de pisos, paredes e forros, além das instalações elétricas, hidráulicas e ar-condicionado. Quase 60% do cronograma do complexo multiuso foi concluído.
A construção da unidade francana começou em 2019. São 250 funcionários atuando no canteiro. A previsão é que o prédio fique pronto em 2023 e o investimento estimado seja de R$ 124 milhões até a finalização dos trabalhos.
Bruno se sente orgulhoso em fazer parte dessa obra e sonha trabalhar no Sesc depois de pronto. “Me sinto importante em fazer parte dessa construção. Já prevendo até o futuro, podendo estar trabalhando no próprio Sesc na parte de manutenção. Me vejo como um profissional do Sesc no futuro”, disse.
O que vai ter?
Localizado na avenida Ismael Alonso y Alonso, no bairro São José, o terreno do Sesc Franca ocupa uma área de 20 mil metros quadrados. Quando terminado, o prédio terá 35 mil metros quadrados e área construída.
O Sesc Franca
- Conjunto aquático com piscina semiolímpica coberta;
- Duas piscinas recreativas descobertas (adultos e infantil);
- Deck e solário;
- Ginásio poliesportivo e de eventos para 2 mil pessoas;
- Quadra poliesportiva descoberta;
- Quadra de areia;
- Salas para atividades físicas;
- Clínica odontológica com quatro consultórios de clínica geral;
- Um consultório cirúrgico, RX panorâmico e periapical;
- Teatro com 368 lugares;
- Biblioteca;
- Área de convivência;
- Espaço expositivo;
- Espaço de tecnologia e artes;
- Espaço de brincar interno e externo;
- Comedoria com 165 lugares;
- Central de atendimento;
- Oficinas de múltiplo uso;
- Sala de múltiplo uso; e
- Estacionamento com 145 vagas para carros, 14 vagas para motos e 62 vagas para bicicletas.
A unidade poderá atender até 2,5 mil pessoas por dia. A programação será composta por atividades culturais e esportivas para todos os públicos e faixa-etárias, divididas entre gratuitas e pagas.
A estrutura também receberá ações direcionadas aos trabalhadores das empresas do comércio de bens, serviços e turismo.
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