Desde a última quinta-feira, 10, os preços dos combustíveis tiveram aumento nas refinarias, impactando diretamente o preço de venda ao consumidor final. A mudança afeta os mais diversos setores, atingindo ainda mais quem utiliza o veículo para ir ao trabalho - ou, ainda pior, para quem o próprio veículo é instrumento e trabalho. Em alguns casos, o combustível representa um terço dos ganhos mensais.
Na última quinta-feira, 10, a Petrobras anunciou o aumento nos preços dos combustíveis nas refinarias a partir do dia seguinte, sexta-feira, 11. Mesmo assim, no mesmo dia em que foi feito o anúncio, alguns postos de Franca já começaram a vender na bomba o combustível com novo valor.
Antes do anúncio, o litro da gasolina na cidade podia ser encontrado na faixa dos R$ 6,25. Após a mudança nos postos, é possível encontrar locais onde o litro deste combustível chega a custar até R$ 6,99. Enquanto isto, o etanol teve um aumento menos drástico de preço, subindo cerca de R$ 0,11 nos postos, chegando a ser comercializado por R$ 4,95.
O diesel teve o aumento mais agressivo, chegando a R$ 6,79 o litro em alguns locais. Quando comparado com a semana anterior à mudança, o preço chegou a subir cerca de R$ 1 por litro.
Henryque Sena,18 anos, secretário, é um dos que sofre com o aumento, já que mora a 5 quilômetros do trabalho e fez de carro, pelo menos duas vezes por dia, o trajeto. “Trabalho de segunda a sexta, estou gastando mais de R$ 200 por mês só para poder vir trabalhar. Agora que o preço subiu, acho que vai para chegar próximo aos R$ 300. Não ganho muito, mas no final uns 35% do meu salário fica para combustível. É complicado, está caro demais”, lamenta Henryque.
Precavido, Sena há faz planos - alguns radicais - caso o preço continue a subir. “Se seguir dessa forma, vou vender meu carro e comprar uma bicicleta, ou talvez caminhar mesmo. O plano original era vender esse carro e trocar por um novo, mas com esse aumento fica difícil. Meu carro é 1.0, consome pouco combustível. Mas se for para trocar, vai ter que ser pela bike mesmo”, diz o secretário.
O atendente Maicon Neves, de 25 anos, está assustado com o ritmo dos aumentos. “Antes da pandemia e do Bolsonaro ser presidente eu colocava no máximo R$ 50 reais de gasolina por semana. Foi passando os anos com esse desgoverno e ficou cada vez pior. Agora estou pagando cerca de R$ 600 só em combustível (por mês). É espantoso! Só de gasolina vai embora quase metade da minha grana”, conta Maicon, que vai ao trabalho com seu carro de segunda-feira a sábado.
Para aqueles que utilizam o veículo para trabalhar, a mudança pesa ainda mais. José Ricardo Malta, de 60 anos, depende de seu carro próprio para conseguir dinheiro. Contratado por uma empresa para realizar a venda externa de seus produtos, seja em Franca ou em cidades vizinhas, recebe apenas comissão quando realiza vendas, mas não sabe mais se o serviço está viável.
“Trabalho com isso há mais de 30 anos, era raro sofrer prejuízo por conta do combustível, mesmo que fosse um dia ruim de vendas. Hoje a história é outra. Ganhar dinheiro eu ganho, mas o combustível torra boa parte dele, mesmo que meu carro seja econômico. Por semana, gastava em média R$ 200, por volta dos R$ 800 no mês. Agora está em R$ 800 por semana e lá na casa dos R$ 3 mil no mês. Os centavos vão fazendo a diferença”, afirma José.
A alta nos preços também tem afetado estudantes de universidades. Eduardo Luis Mércuri, aluno de Psicologia na Unifran (Universidade de Franca), decidiu trabalhar a pé para poder reservar o carro para o trajeto até a faculdade, que divide com a namorada.
“Vou para faculdade de segunda a sexta, com isso gasto R$ 360, mas levo minha namorada também e ela paga uma parte dos gastos. Mesmo assim, pesa no bolso. Já para o trabalho eu vou a pé. Para economizar, né? Não é tão longe, são dois quilômetros”, diz Eduardo.
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