A família do auditor fiscal federal Adriano Willian de Oliveira, 52 anos, morto a tiros pelo dentista Samir Moussa, 48, contratou o advogado criminalista Clóvis Volpe para auxiliar no processo do homicídio ocorrido no último sábado, 12, na avenida Major Nicácio, em Franca.
Segundo Clóvis, o crime contra Adriano foi premeditado por Samir, já que a vítima era frequentemente perseguida pelo dentista.
“Meses atrás, o Adriano registrou um boletim de ocorrência devido à perseguição que vinha sofrendo. Samir foi extremamente frio, pois armou uma emboscada, ficando de tocaia esperando Adriano chegar ao carro. Ele se aproxima do carro e faz os disparos calmamente. Isso é totalmente o oposto de uma pessoa que está desequilibrada ou sofre efeitos de remédios”, diz o advogado.
O advogado da família de Adriano também contesta a narrativa da defesa de Samir, segundo a qual o assassino não agiu por ciúmes. “Foi um crime torpe e covarde. Ele agiu por ciúmes e sem possibilitar a defesa de Adriano. A narrativa da defesa é falsa e frágil. A família de Adriano vai ajudar nas investigações e disponibilizar as provas, que mostram quem é Samir e sua crueldade”.
Clóvis também esclareceu que Adriano e Mére Cristina Matias, ex-mulher de Samir, tinham um relacionamento desde a separação de ambos, ocorrido em 2018.
“Era um relacionamento de duas pessoas adultas, que se fortaleceu desde 2018, que conviviam não só como amigos, mas como namorados. Eles (Adriano e Mére) estavam juntos. Tanto que, uma semana antes, a Mére estava dormindo na casa do Adriano”.
A defesa também afirma que na data do crime, minutos antes, inclusive, Adriano e Mére se conversaram por telefone, e que em nenhum momento ameaças foram feitas.
Agora, Clóvis vai auxiliar na acusação. Montará um dossiê com documentos do caso e acompanhará alguns depoimentos que acontecerão na delegacia.
Na última segunda-feira, 14, a defesa de Samir solicitou liberdade provisória, que ainda não foi julgado.
O inquérito do homicídio foi aberto e deverá ser concluído nos próximos dias pela Polícia Civil.
O crime - entenda o caso
O homicídio ocorreu na avenida Major Nicácio, centro da cidade, entre o bar Vila Madalena, onde até pouco tempo funcionava o Bar do Careta, e a igreja Nossa Senhora das Graças.
O dentista Samir Panice Moussa, 48 anos, que matou o auditor da Receita Federal de Franca Adriano Willian de Oliveira, 52, na noite deste sábado, 12, foi preso horas depois do crime pela Polícia com a ajuda de imagens gravadas por câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais próximos ao local do crime.
De posse das imagens, os policiais se dirigiram até a residência do autor dos disparos no bairro Santa Rita. Ele não estava num primeiro momento. Os policiais aguardaram um pouco, e logo Samir chegou em casa. Foi então abordado, e confessou o crime.
Questionado sobre a arma do crime, Samir disse que, após efetuar os disparos, se dirigiu até uma chácara localizada no condomínio Terra Brasil, no município de Cristais Paulista, a aproximadamente dois quilômetros da divisa de Franca, onde escondeu a pistola Glock, calibre 380. Colocou-a próximo ao pé de uma mangueira. A arma ficou em um galho da árvore em meio às folhas.
A arma foi apreendida, ainda com seis munições intactas, e o assassino recebeu voz de prisão. O acusado não ofereceu resistência, e foi encaminhado para a CPJ (Central de Polícia Judiciária) sem algemas.
O depoimento de Samir Moussa à Polícia Civil durou praticamente a madrugada toda, e ele foi acompanhado por dois advogados. Na delegacia, o dentista disse ter sido motivado por ciúmes da ex-mulher. O casal já estava divorciado havia cerca de um ano, e tem dois filhos.
O auditor da Receita Federal Adriano Willian de Oliveira já havia registrado um boletim de ocorrência na delegacia de Franca, em 23 de dezembro de 2021, alegando que estava sendo "perseguido" por Samir, que é ex-marido de Mére Cristina Matias, com quem estava namorando.
Samir preferiu falar pouco durante o depoimento. Alegou falta de discernimento em razão de medicamentos antidepressivos que tomava.
Samir foi preso em flagrante e encaminhado à Penitenciária de Franca. O corpo do auditor foi velado em Franca e cremado em Ribeirão Preto, no domingo, 13.
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