HISTÓRIA

Morre Cabo Anselmo, o mais conhecido agente duplo da ditadura militar

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Reprodução/Redes sociais
Em 2011, em entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura, Cabo Anselmo disse que vivia de ajuda paga por três empresários
Em 2011, em entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura, Cabo Anselmo disse que vivia de ajuda paga por três empresários

Morreu nesta terça-feira, 15, aos 80 anos, o ex-militar José Anselmo dos Santos, conhecido como Cabo Anselmo.

A informação foi confirmada por um ex-advogado dele. O jornalista da rede Jovem Pan Jorge Serrão afirmou que o ex-militar, de quem era amigo, teve um mal súbito e foi sepultado nesta quarta em Jundiaí (SP).

Anselmo foi o mais conhecido agente duplo da ditadura militar e afirmava que delatou militantes da esquerda para não ser morto.

Antes, havia sido figura de destaque na mobilização de marinheiros que antecedeu o golpe contra o presidente João Goulart, em março de 1964. Foi preso e cassado logo no início do novo regime.

Em 2012, teve negado pedidos de indenização feito ao governo federal e para ser reintegrado à Marinha.

A Comissão de Anistia, ao rejeitar o pedido, pôs em dúvida desde quando o ex-militar passou a colaborar como o regime. O parecer citava, por exemplo, declaração do chefe de Inteligência do governo Goulart afirmando que Anselmo era um "agente provocador da CIA desde os eventos que antecederam o golpe".

O ex-militar afirmou em entrevista nos anos 1980 que fugiu da cadeia, em 1964, "pela porta da frente". Foi para o Uruguai e viveu no Chile.

Dias antes do golpe que instaurou a ditadura, marinheiros haviam se rebelado dentro de um sindicato, no Rio, em mobilização que havia começado com reivindicações salariais e trabalhistas.

O Ministério da Marinha queria a prisão dos rebelados pela quebra da hierarquia, mas o então presidente rejeitou a alternativa e anistiou os marinheiros. Um dos líderes dos rebelados era Anselmo.

A decisão do presidente foi mais um componente na crise política da época e desagradou o comando das Forças Armadas, que dias depois deflagraria o golpe.

Em 2011, concedeu entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura. Disse que vivia de ajuda paga por três empresários.

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