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Governo diz que não bancou ida de Carlos Bolsonaro à Rússia, mas não esclarece gastos

Por | da Folhapress
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Reprodução/Intagram
O vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, foi à Rússia no mês passado com a comitiva presidencial
O vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, foi à Rússia no mês passado com a comitiva presidencial

O governo de Jair Bolsonaro (PL) informou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que não houve gastos com a ida do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) à Rússia no mês passado. O filho do mandatário acompanhou a comitiva presidencial, ainda que não tenha cargo na gestão federal.

A informação foi enviada nesta segunda-feira, 14, ao ministro Alexandre de Moraes, relator no STF do inquérito sobre a atuação de uma milícia digital voltada a ataques contra a democracia.

Não foi indicado, porém, como as despesas de transporte, hospedagem e consumo do vereador carioca foram custeadas. A viagem ocorreu entre os dias 14 e 17 de fevereiro.

A resposta do governo ao magistrado constou de ofícios do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Além de eventuais despesas e diárias, Moraes solicitou dados sobre a agenda de Carlos, mas ela não foi detalhada. Houve indicação apenas dos compromissos de Bolsonaro.

O governo alegou que a agenda oficial e a escalação da comitiva presidencial nos atos de representação internacional do país "se revestem de característica política, diferindo-se do ato administrativo ordinário em razão de seu cunho exclusivamente discricionário".

A reportagem tentou contato com Carlos Bolsonaro por meio de seu gabinete na Câmara do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

O que motivou a solicitação de informações ordenada por Moraes foi um pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), feito no âmbito do inquérito da milícia digital.

O parlamentar levantou suspeitas acerca da "verdadeira razão para uma viagem à Rússia em momento internacional tão delicado, com uma comitiva sui generis, com ausência de ministros e a presença de numerosos integrantes de seu 'gabinete do ódio', e no início do ano eleitoral".

Termo usado para designar um grupo de assessores da Presidência com atuação forte nas redes sociais e investigados em inquéritos que tramitam no Supremo, o "gabinete do ódio" é tutelado por Carlos. A existência da estrutura foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo em 2019.

Em sua manifestação, a Secretaria-Geral da Presidência afirmou que Randolfe faz ilações ao questionar as razões da ida de Carlos e assessores da Presidência à Rússia.

Diz que o pedido do senador "levanta imputações aos agentes públicos, em decorrência de exercício regular de suas atribuições, sobre ações que supostamente consubstanciariam eventuais ilegalidades/irregularidades".

E fez uma defesa do próprio Bolsonaro: "Convém salientar que tanto no que concerne ao objeto de investigação inicial que justificou a instauração do presente inquérito quanto a partir da petição ora apresentada [de autoria de Randolfe], estamos autorizados a defender a insubsistência dos argumentos de que o presidente da República possa ter cometido qualquer irregularidade".

A resposta foi assinada por Silton Batista Lima Bezerra, coordenador-geral de Assuntos Institucionais Subchefia para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência.

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