ALTA NO GÁS

Botijão chega a R$ 125 em Franca; revendedores começam a parcelar no cartão

Por Vinícius Nunes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Maria do Carmo Costa, cozinheira do Restaurante Família Gaia, que utiliza muito o gás de cozinha diariamente
Maria do Carmo Costa, cozinheira do Restaurante Família Gaia, que utiliza muito o gás de cozinha diariamente

Após o reajuste anunciado pela Petrobras nos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, na semana passada, postos de combustíveis e revendedores de gás em Franca já trabalham com os novos valores. Com os preços nas alturas, comerciantes da cidade já começam a aceitar o parcelamento em até duas vezes do produto. Na outra ponta, proprietários de restaurantes contam que a alta de preços poderá afetar, e muito, seus negócios.

Em Franca, na tarde da última sexta-feira, 11, os revendedores de gás de cozinha já realizaram as mudanças no valor do produto, tendo a maioria dos pontos de venda colocado o preço a R$ 125.

Na Ultragaz, por exemplo, o valor é justamente de R$ 125. Através de seu serviço de atendimento, foi informado que o preço anterior era de R$ 113. Em outros locais, o valor do produto já havia sido alterado, porém, estava um pouco menor. Como no Gás & Cia, no bairro Jardim São Luiz, com o preço de R$ 115.

De acordo com os dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), na última pesquisa feita em Franca, no dia 8 de março, a média de valor de venda do gás de cozinha era de R$ 102,09. Levando em conta esta média anterior, e que a maioria dos preços atuais dos estabelecimentos são de R$ 125, houve um aumento de cerca de 23% nos pontos de venda francanos.

Para amenizar o impacto no bolso do consumidor, já há revendedores em Franca que começaram a parcelar o valor do gás de cozinha em duas vezes, no cartão de crédito. Uma empresa ouvida pelo GCN na manhã desta segunda-feira, 14, informou que ainda não fazia o parcelamento, mas que iria providenciar uma máquina para passar a oferecer a facilidade.

Muito caro

Nos restaurantes de Franca que utilizam muito o gás de cozinha, a mudança vai pesar muito no orçamento. No Restaurante Família Gaia, por exemplo, o consumo é alto. “Aqui utilizamos um botijão maior do que a população costuma utilizar em casa, temos que adquirir um novo a cada cerca de cinco dias. Antes, o valor dele era de R$ 400, agora está por volta de R$ 450”, disse Rafael Ribeiro Gaia, 30, proprietário do local.

Mesmo que o gás seja usado com frequência no dia-a-dia do restaurante, Rafael explica que o aumento dos combustíveis também tem grande peso em seu estabelecimento.

“Com a chegada da pandemia, a maioria das novas vendas se tornou delivery - arrisco dizer que hoje as entregas representam por volta de 70% das nossas vendas. Dessa forma, a alta na gasolina pode afetar o valor do frete dos nossos produtos aos clientes, como também no próprio preço de compra dos ingredientes que utilizamos em nossos pratos”, lamenta Rafael.

Com consumo um pouco menor que no restaurante de Rafael, o Restaurante Comida utiliza cerca de três botijões de gás de grande porte em um mês. “Era por volta de R$ 1.200 o mês, agora, vamos ter que pagar na casa dos R$ 1.350 só em gás. No final do mês faz uma diferença enorme”, disse Gabriel do Carmo, proprietário do restaurante.

Para tentar se esquivar dos altos preços, Gabriel tem uma alternativa, mas que ainda não é uma realidade possível. “A saída seria não sermos mais tão dependentes do gás. Já existem, por exemplo, alguns fornos que funcionam com energia elétrica, porém são caros demais, daria certo mais para frente quando o preço desses produtos ficarem menores”, explica o empresário.

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