"Tudo em meu torno é o universo nu, abstrato, feito de negações noturnas."
Fernando Pessoa
chegamos ao fundo
que o poço não tem previsão
do fim que é o começo noturno
da ave esmagada pelo não
salvemos um pouco do possível
que a mira faminta almeja
da vida a parte perecível
que o lobo da paixão esquarteja
chegamos por fim ao começo
que a tragédia não dissimula
e a face pálida de gesso
corta o gesto e se anula
não seremos nós o futuro
que a mentirosa serpente enobrece
nossos atos são dramas obscuros
que a parca trama empobrece
chegamos ao fundo do sonho
e ele não ressurge à margem
apenas se faz mais medonho
que a falsa paz da miragem
e vamos rondando a carniça
que ficou de nossas ilusões
perdidas na alegria postiça
que dopa nossos corações
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.