DURA BATALHA

Sogra apela por internação de genro dependente químico: 'Morrendo aos poucos'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Câmara Municipal de Franca
Elaine Rocha em discurso na Câmara Municipal de Franca
Elaine Rocha em discurso na Câmara Municipal de Franca

A dependência química de um rapaz de 26 anos gerou um grande pesadelo a uma família no Residencial Copacabana. Não bastasse o vício que atingiu o núcleo familiar, as oportunidades para combatê-lo ficaram cada vez mais escassas, e as que existem são cada vez mais burocráticas.

Todo esse drama é vivido na família de Elaine Rocha, a Elaine do Copacabana, como é conhecida. Dia após dia, seu genro perde a batalha contra a cocaína. Mas, graças ao ambiente familiar, a esperança se mantém em busca de uma cura.

A mais recente tentativa foi uma visita ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de Álcool e Drogas, no Pq. dos Pinhais. Em busca de internação e cura do vício, o jovem esteve com Elaine no local, na última sexta-feira, 4. Só que saíram de lá sem o retorno esperado.

“Depois de mais de duas horas de espera, ele foi acolhido por um enfermeiro, e após muita insistência, concordou com a internação em uma clínica terapêutica. Para isso acontecer, ele teria que fazer um acompanhamento de duas semanas no Caps, para passar pelo médico e conseguir o encaminhamento”, contou Elaine.

Toda essa burocracia fez com que o jovem desistisse da tentativa de internação. “Essa morosidade leva a pessoa a desistir. Eu não consigo entender. Se tem vaga e verba, por que essa demora? É para o paciente desistir de ser uma pessoa curada das drogas? É para que futuramente ele seja um morador de rua, presidiário ou venha a óbito?”, questionou Elaine.

Essa série de dúvidas da moradora do Copacabana têm causado desespero cada vez maior na família, que se vê de mãos atadas na busca pela solução. “Não dá mais assistir sentado um ente querido morrendo aos poucos. E, hoje, temos um jovem de 26 anos que não tem nenhuma perspectiva de vida”, lamentou a mulher.

Após essa situação no Caps, Elaine não perdeu as forças. Esteve na sessão ordinária da Câmara Municipal de Franca na última terça-feira, 8, e expôs todo pesadelo. “Eu entendo que o Caps deve ter um estudo, e devem ter porque fazem um ótimo trabalho. Só que chegar na hora que um dependente químico te pediu socorro e vir toda aquela burocracia. Enquanto isso vier antes das pessoas, nós estaremos omitindo o nosso dever sobre essas pessoas”, disse Elaine durante discurso na Tribuna Livre da Câmara.

Em seguida à fala de Elaine, alguns parlamentares foram críticos a toda a situação e a burocracia implementada pelo Caps. O vereador Della Motta (Pode) pediu agilidade no atendimento. “Daqui a pouco vai virar uma cracolândia aqui, e nós temos vagas para internar. Tem que ter a presença do Estado, daqui a pouco estamos enfiando a sujeira embaixo do tapete”.

Já o vereador Kaká (PSDB) disse que é necessário reorganizar o procedimento para internação. “A questão do Caps é o seguinte. Droga tem quatro fases, experimental, habitual, vício e abuso. Quando está na fase de abuso, não é Caps, é internação, Caps é depois quando a pessoa voltar, o que precisa rever é o critério”, explicou.

A Fundação Allan Kardec, que administra o Caps III, onde o rapaz buscou atendimento e transferência para uma clínica especializada, foi procurada para comentar o caso. Até o fechamento desta matéria, não foi dada uma resposta. Assim que a reportagem obtiver o retorno, o texto será atualizado.

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