PATERNIDADE

Ressuscitada, proposta de hospital estadual vira disputa entre prefeito e vereador

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
O prefeito Alexandre Ferreira e o vereador Daniel Bassi com o vice-governador Rodrigo Garcia, com quem será realizada a audiência em São Paulo sobre o hospital
O prefeito Alexandre Ferreira e o vereador Daniel Bassi com o vice-governador Rodrigo Garcia, com quem será realizada a audiência em São Paulo sobre o hospital

Autoridades da cidade disputam um “filho” que ainda nem nasceu: o Hospital Estadual de Franca. Para ser preciso, nem mesmo a gestação está confirmada, mas a paternidade já rende uma disputa intensa. De um lado, o vereador Daniel Bassi (PSBD), que vem desde o ano passado tentando articular propostas para a construção do hospital. Nos últimos meses, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB), de forma paralela a Bassi, também se apresentou como mentor da ideia e afirma que já existem tratativas para o projeto, que segundo sua assessoria, estariam sendo desenvolvidas desde o ano passado em conversas entre o chefe do Executivo municipal e o vice-governador do Estado, Rodrigo Garcia (PSDB).

No dia 2 de dezembro, Daniel Bassi esteve à frente de um evento em prol do hospital público na Câmara Municipal, que contou com a presença de várias autoridades, entre elas, prefeitos de outras cidades da região, representantes de lideranças políticas, parlamentares e o deputado federal Arnaldo Jardim (CID). Na ocasião, foram discutidas a importância e a necessidade da construção de um Hospital Estadual na cidade, que atenderia, além dos francanos, moradores de toda a região: 723 mil pessoas, no total.

Alexandre Ferreira também tem criado expectativas sobre a obra. Apesar de buscarem o mesmo objetivo, o prefeito, que é presidente do Aglomerado Urbano, e o vereador, que é o presidente do parlamento regional, trabalham de forma separada para a "conquista" do hospital. Ferreira não participou do evento na Câmara e anunciou que nesta quinta-feira, 10, realizará uma reunião preparatória sobre o projeto do Hospital Estadual de Franca em seu gabinete.

Se as tratativas em Franca são realizadas de forma separada, em São Paulo uma única audiência vai discutir o projeto. Na próxima segunda-feira, dia 14, haverá, no Palácio dos Bandeirantes, uma audiência Pró Hospital Estadual, mesmo depois que o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn descartou a possibilidade de uma unidade hospitalar nos próximos anos na cidade (leia aqui).

“No próximo dia 14 nós estaremos em São Paulo conversando sobre esse projeto com o vice-governador, Rodrigo Garcia. Como presidente do Aglomerado Urbano, temos nos aprofundado sobre a necessidade de termos um novo hospital público para atender a todos”, falou Alexandre.

Daniel Bassi também participará da audiência, juntamente com o deputado federal Arnaldo Jardim. “Momento em que iremos expor as necessidades reais da região e demonstrar a crescente do nosso movimento e o quanto nossa região está forte e unida para alcançar este objetivo. Temos deflagrado grande mobilização em prol do Hospital Estadual de Franca”.

O primeiro político a sonhar com o hospital público em franca foi Gilson de Souza (PROS). O ex-prefeito tem feito do Hospital Estadual, que já chamou também de Hospital das Clínicas, seu mote de campanha há praticamente 20 anos, tanto nas disputas para deputado quanto na corrida eleitoral que o levou à prefeitura de Franca.

“Nós temos que agora projetar um hospital, e o hospital que vai dar certo é o das Clínicas. Por que nós temos que mandar o paciente que já está com a doença, ele já está com o problema, tem que andar 200 quilômetros, sair daqui e ir até Ribeirão Preto? Por que não trazer um hospital, trazer um atendimento mais perto da pessoa? Esse é o caminho que nós temos que projetar”, falou Gilson, em entrevista ao jornal Comércio da Franca, ainda em 2014, quando era candidato a deputado estadual.

Nem como deputado, nem como prefeito, Gilson de Souza conseguiu sair da promessa ou evitar a frustração dos eleitores com o hospital que jamais saiu do papel. O risco agora está com Alexandre Ferreira e Daniel Bassi. 

Até agora, o governo do Estado não fez qualquer anúncio sobre o projeto, investimento, leitos, tempo de execução e nem valores de custeio.  “A construção de hospital estadual na região é algo mais para adiante. Mas nada descarta que podem ser feitos estudos para saber a necessidade”, limitou-se a dizer  o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, há cerca de um mês.

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