8 DE MARÇO

Dia da Mulher: 'Não é apenas uma data comemorativa, mas também de reflexão'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
A médica infectologista Gabriela Ravagnani: mulher, mãe e médica que esteve na linha de frente contra covid-19
A médica infectologista Gabriela Ravagnani: mulher, mãe e médica que esteve na linha de frente contra covid-19

Dia 8 de março: a data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Data essa que destaca as guerreiras que se desdobram diariamente, seja em seus empregos, em seus negócios próprios, em suas casas ou em todas essas áreas.

Para a coordenadora do núcleo de Franca do Grupo Mulheres do Brasil, Eliane Querino, o dia 8 de março não serve apenas como comemoração, mas também como reflexão. “Eu acho que, como qualquer data comemorativa, é uma oportunidade de reflexão. É uma oportunidade para refletirmos sobre o que está acontecendo. Não é apenas sobre dar parabéns, chocolate e flores. Não é isso. É para se avaliar o que tem acontecido durante toda a existência humana e tudo que conseguimos evoluir. Além de refletirmos sobre o que falta para conseguirmos a igualdade entre os sexos.”

O dia reforça também a conquista das mulheres por seu espaço no mercado de trabalho. Segundo levantamento da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), de 2002 a 2020, a participação feminina no mercado formal de trabalho em Franca cresceu 81%.

Seja como empresária, médica, professora ou qualquer outra função, elas se destacam no que fazem. Exemplos não faltam. Até em uma pandemia, que matou milhares de pessoas e continua preocupando os quatro cantos do mundo, muitas mulheres lutaram na linha de frente. Nessa posição, está a médica infectologista Dra. Gabriela Ravagnani, de 42 anos, do Hospital São Joaquim/Unimed.

“Nunca havia imaginado na vida que iria enfrentar profissionalmente o que passamos na pandemia. De repente, tivemos que lidar com uma doença nova, grave e de fácil transmissão. E então comecei a estudar, assim como todos da nossa equipe, para saber como lidar com a doença. Passei várias madrugadas estudando e era um desafio diário entrar na ala covid”, relatou.

Além de cuidar dos pacientes contaminados pelo vírus, a médica também teve um desafio em dobro, por ser mãe de duas crianças pequenas. Uma delas, que até amamentava. “Quando a pandemia começou, minha filha tinha 6 meses. Eu amamentava durante a noite a cada duas horas e às 7 horas da manhã ia para o hospital enfrentar a covid. Eu pensava: ‘Se eu passar desta, passo de qualquer uma’. Tentava não transparecer para as crianças o que estávamos passando”, contou Gabriela.

Até em mercados que têm tido uma crescente recente, como o financeiro, mulheres demonstram um grande destaque. Maria Laura Mendes, de 27 anos, trabalha em uma das maiores empresas da área, a Blue3, mas sente que ainda falta um engajamento feminino na área.

"Hoje, é um mercado muito abrangente, então, enxergamos muitas oportunidades. Mas acaba, sim, sendo predominantemente masculino. Só que tenho a percepção de que as mulheres, mesmo, ainda não se veem tão abertas a estarem nessas oportunidades, apesar de ter tido uma crescente, com cada vez mais mulheres assumindo cargos de líder e alto escalão. E até um dado interessante de que mulheres nessas funções acabam tendo uma performance melhor do que os próprios homens."

Daiane Cristina Santana, de 36 anos, é exemplo também da luta diária de muitas mulheres francanas. Pespontadeira, casada e mãe de dois filhos, ela sofre com a correria, mas assume fazer tudo com muito amor. "Trabalho com sapato das 7h até 17h. Também sou dona de casa nas horas vagas. Levo e busco filho na escola de segunda a sexta. E, no sábado, limpo um escritório de contabilidade. Além de ter que limpar casa, lavar roupa e fazer comida todos os dias. Mas tudo isso faço com muito amor e carinho, pois amo minha família", contou Daiane.

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