Depois de uma madrugada de mais explosões em diferentes partes da Ucrânia nesta segunda-feira, 28, os relatos de ações militares brutais em cidades como Kiev e Kharkiv, as maiores da Ucrânia, continuam se acumulando.
Ao menos 11 pessoas morreram nesta segunda durante bombardeios em Kharkiv, segundo informações de Oleh Sinehubov, chefe da Administração Estatal Regional da cidade. Ele, no entanto, diz que as mortes podem chegar a dezenas.
Segundo Sinehubov, as forças russas estão atacando áreas residenciais de Kharkiv, onde não há posições do Exército ucraniano ou infraestrutura estratégica. "Isso está acontecendo à luz do dia, quando as pessoas vão à farmácia, para fazer compras ou beber água. É um crime", disse.
Grupos de direitos humanos, como as ONGs Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional, apontam ainda que a Rússia está usando bombas de fragmentação nos ataques a territórios ucranianos. Esse tipo de munição libera projéteis menores no ato da explosão, amplificando a área de dano e, por consequência, o risco de mortes e ferimentos.
Além disso, alguns desses projéteis podem ser como pequenas bombas que, se não detonadas de imediato, tornam-se, na prática, uma espécie de mina terrestre - prolongando, portanto, o tempo de exposição aos riscos nas áreas atingidas.
"Este ataque ilustra claramente a natureza inerentemente indiscriminada das munições de fragmentação e deve ser inequivocamente condenado", disse Mark Hiznay, diretor associado da divisão de armas da HRW, em entrevista ao jornal americano Washington Post.
Em 2008, governos nacionais e entidades como a Organização das Nações Unidas e a Cruz Vermelha formaram uma coalizão que, entre outros protocolos, decidiu por proibir o uso, a produção, o transporte e o armazenamento das bombas de fragmentação.
De acordo com a última versão do relatório anual da coalizão, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, protagonistas do conflito vigente, estão entre os países que não aderiram às diretrizes contra as bombas de fragmentação. O Brasil também não é signatário e aparece no documento como um dos 16 produtores mundiais desse tipo de munição.
Os combates também continuam em Chernihiv, no norte, onde um prédio residencial foi atingido por um míssil, o que causou um incêndio. Na região, o aeroporto de Jitomir também foi alvo durante a madrugada, segundo as forças de Kiev. O lançamento teria sido feito da Belarus, apesar de o país ter dito que não permitiria ataques a partir do seu território, em meio à expectativa da negociação entre as comitivas.
Segundo a imprensa ucraniana, os militares do país atribuíram uma eventual queda no ritmo da ofensiva à própria resistência. "Todos os esforços russos para ocupar [Kiev] falharam", disseram as Forças Armadas. O discurso foi corroborado pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, segundo o qual "falhas logísticas e a firme resistência ucraniana continuam a frustrar o avanço" de Moscou.
Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter tomado as cidades de Berdianski e Enerhodar, além da planta nuclear de Zaporijchia, segundo a agência de notícias Interfax. As autoridades locais ucranianas relataram ainda combates em Mariupol, mas Kiev nega ter perdido o controle da usina nuclear.
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