Pelo segundo ano consecutivo, fantasias, carros alegóricos e tamborins ficam guardados nos barracões. Por mais um ano as escolas não vão homenagear personalidades em seus sambas-enredos. A pandemia ainda assola o mundo e a dor causada pela doença contrasta com a alegria do Carnaval. As escolas de samba de Franca sofrem com o impacto causado pela suspensão dos desfiles.
Nesses últimos dois anos, poucas escolas receberam convites para apresentações em eventos, o que poderia ajudar a aliviar o caixa, sempre apertado. As medidas sanitárias também impediram que as escolares realizassem as tradicionais feijoadas e almoços que ajudam na manutenção de suas atividades.
Dirigentes, colaboradores e foliões das escolas de samba da cidade se dizem tristes por não desceram a avenida nessa data tão tradicional.
Mariana Rosa Cândido, diretora da Ases do Ritmo, atual pentacampeã, disse que o Carnaval de rua é muito esperado pela comunidade. “É uma data que as pessoas podem expressar sua alegria, mesmo vivendo um momento difícil. O Carnaval é cultura e nosso setor também foi prejudicado durante a pandemia. Nós temos gastos com aluguel (da quadra), entre outras despesas. Dependemos de apresentações, promoções e eventos para a manutenção da escola. Tudo foi impactado”, disse Mariana. Os poucos eventos particulares foram retomados apenas em novembro. “Essas apresentações com a Ala Show servem como um meio para mantermos os ensaios, a aproximação com os integrantes e para garantir o pagamento das despesas da entidade”, acrescentou Mariana.
Ases do Ritmo vinha em fase de conquistas de títulos
José Paulo de Melo, o conhecido Zé Paulo, ex-presidente e atual diretor da tradicional Aliados da Santa Cruz, diz que a escola está triste pela não realização da maior festa popular, mas reconhece a importância do cancelamento do desfile nesse momento de pandemia. “A família Verde Rosa fica triste sem essa festa que faz parte da nossa cultura popular brasileira. Esperamos voltar com nosso desfile no próximo ano. Temos ciência desse momento crítico que vivemos e pedimos para que todos se vacinem. É muito importante para todos nós”.
Aliados da Santa Cruz, uma das escolas de samba mais tradicionais de Franca
Delcides Moreira da Silva, presidente da Embaixadores da Estação, relata que além dos dois anos difíceis a escola ainda foi prejudicada com a perda de materiais e instrumentos musicais atingidos pela chuvas recentes. “São dois anos sem atividade. A gente sempre fazia uma roda de samba, uma feijoada, promovia comida de boteco, pagode, festa das crianças, almoços beneficentes. Mas tudo isso parou. Além disso, as chuvas dos últimos dias estragaram nossos materiais que estavam no barracão. As calhas não suportaram tanta água caindo sobre nossas fantasias. Perdemos praticamente 70% de nosso material”, lamentou.
Embaixadores da Estação sempre representou bem a zona oeste da cidade
José Policarpo Soares, presidente da UESF (União das Escolas de Samba de Franca) lembra que as escolas são empresas, pagam tributos e acumulam prejuízos com o cancelamento da Festa de Momo. “A própria Prefeitura manda as cobranças dos tributos. A gente acumula perdas desde 2020, a exemplo de todos os outros setores da economia. Muitas pessoas vão deixar de ter um ganho extra sem o Carnaval. A prefeitura repassa cerca de R$ 40 mil para cada escola, mas o gasto é bem maior. Ao final do desfile, as escolas não ganham premiação em dinheiro, nenhuma verba para ajudar nas despesas. Mas procuramos seguir com o trabalho para manter a cultura que é passada de geração para geração”, disse Policarpo.
O Carnaval de rua, que reúne cerca de 30 mil pessoas ao longo dos múltiplos na cidade, impacta também o comércio, como o setor de costureiras, serralheria, calçados, músicos, bebidas. Inúmeros ambulantes também aproveitam o Carnaval para ganhar um dinheiro extra. “Nos três, quatro dias de desfile na avenida, dá para ganhar cerca de R$ 150,00 por dia. Chega até a R$ 500,00, somando todos os dias. Esse dinheiro ajuda muito para pagar algumas dívidas como conta de água, luz e até aluguel”, lemanta Cláudio Antônio da Silva, vendedor ambulante de cervejas, água e outros itens.
Na última edição do Carnaval de rua, em 2020, desceram a passarela do samba ‘Renato Rosa’ seis escolas – Ases do Ritmo, Aliados da Santa Cruz, Águias Douradas, Filhos de Gandhi, Embaixadores da Estação e Caprichosos da Estalagem.
Ao longo da história, a cidade contou com várias outras escolas de samba como Pique Brasileiro, Acadêmicos da Zona Sul, Topetão, Pérola Negra, Imperatriz da Zona Sul, Pavão de Ouro, Unidos da Cidade Nova, Império da Vila Formosa e Mocidade Alegre da Boa Vista.
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