MORADORES DE RUA

Favelização aumenta e barracas tomam as ruas de Franca

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Danilo Miranda, de 34 anos: “Toda vez que chove é tudo perca”
Danilo Miranda, de 34 anos: “Toda vez que chove é tudo perca”

Praças públicas, calçadas, terrenos ou embaixo de pontes e viadutos. Não precisa andar muito para encontrar barracas armadas por moradores de rua. A situação, que é centralizada nos bairros da Estação e Vila Gosuen, transcende as ruas de Franca, e para muitos moradores se tornou um incômodo.

Apesar de todas as políticas públicas adotadas, o problema parece estar longe do fim. "Já demos onde dormir, alimentar e fazer cursos, só que agora chegou em um ponto que muitas vezes o cara senta e fala que não vai sair de lá", disse o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) em entrevista à rádio Difusora na manhã desta sexta-feira, 11.

Mesmo com todas as opções para muitos destes moradores de rua, os problemas vão além. “Bebo e uso drogas. Fumo maconha e cheiro cocaína, mas não dou trabalho para ninguém. Sempre no meu cantinho e tranquilo”, afirma Danilo Miranda, de 34 anos.

Danilo montou sua barraca em uma praça do Jardim Petráglia, próximo à Paróquia Santa Mônica, onde divide espaço com sua mulher e 22 cachorros. As dificuldades só aumentam para a família durante o período de chuva que atinge a cidade.

“Está difícil aqui. Toda vez que chove é tudo perca, porque querendo ou não é barraca adaptada. Chove pra caramba e entra água dentro. Já morreu três cachorros meus com frio. Às vezes, tiro do que tenho para dar para eles”.

A família recebe doações de alimentos e rações dos moradores da região para sobreviver. “Bato numa porta aqui, numa porta ali. Tenho um conhecimento bom na área por não fazer nada de errado, (...) é gente boa a comunidade. Todo mundo sabe conversar com a gente”.

Danilo ficou 20 anos fora de Franca. "Muita cachaça, acabei perdendo a minha família". Ele voltou para receber parte de um terreno no Jardim Aeroporto deixado de herança. "Perdi minha documentação há pouco tempo, mas pretendo melhorar sim, porque querendo ou não preciso correr atrás do que é meu".

Fortes chuvas
Além de todas as dificuldades, os moradores de rua precisam lidar com as fortes chuvas que atingem a cidade nas últimas semanas. Ademir Tiago, de 44 anos, montou sua barraca embaixo de uma ponte na avenida Antônio Barbosa Filho.

O paranaense teve sorte de não perder suas coisas durante a chuva do último domingo, 6, quando choveu 112 milímetros em Franca. "A chuva não chegou aqui na graça a Deus. Tive que amarrar bem forte. Usar fios e montar conforme foi dando", explica Ademir Tiago, de 44 anos.

Ademir e sua mulher sobrevivem através da solidariedade de outras pessoas. "Algumas pessoas passam aí e dão uma marmita para nós. Sempre está passando alguém".

O também paranaense Walter Ferreira de Oliveira, de 22 anos, se mudou do estado natal, devido às bruscas mudanças climáticas. "Chove todos os dias. A chuva lá é muito forte. Aí a gente veio para cá. Faz uns três anos já".

Walter mora com os pais e sua mulher em duas barracas em um terreno na avenida Cláudio da Cruz Ribeiro, próximo ao Clube do Castelinho. Para se manter, ele capina horta e conta com doações. "Aqui está melhor. Os outros traz uns alimentos, umas coisas. Mais é doação".

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