Nas feiras de rua que acontecem em Franca, os feirantes de cara já alertam: subiu tudo. Geralda Zero, que vende frutas, verduras e legumes, destaca que a alta nos preços já vem acontecendo há um tempo, mas que foi bem perceptível nos últimos 20 dias.
“Um quilo de batata foi de R$ 4,80 para R$ 6,80. A cenoura, de R$ 4,80 subiu para R$ 7,50. Couve-flor e brócolis não estão tendo. Alface muito pouco... Não tem para onde fugir, vai fazer o quê?”, disse Geralda.
Os colegas de feira de dona Geralda, José Roberto Lima e Paulo César Dadini, relatam a mesma situação. “O mamão há um ano custava R$ 3 e agora pode chegar a R$ 7. Banana então quase não está tendo. Aquele solzão que deu em julho, e agora essa chuva, acabam prejudicando”, falou José. “Isso ainda vai refletir mais quando sair o sol, porque as verduras e legumes, acostumados com a água, vão cozinhar já no pé”, destacou Paulo.
Mesmo com alguns itens em falta e o preço mais caro, Ruth Miranda, que é costureira, passa na feira livre sempre que pode, mas a quantidade mudou. “Gosto de comprar na feira. Prefiro aqui do que no varejão, mas tudo aumentou, então estou comprando menos. Realmente tem fruta que não está com a cara boa por conta do tempo, mas ainda assim é melhor na feira porque tenho certeza de que estou comprando”.
Como as condições climáticas não são os únicos fatores para o aumento de preço, até mesmo o queijo subiu. Na teoria, mais chuva gera mais pasto – o que é bom para o gado, mas no valor final do queijo são descontados os valores de produção, como a ração, que também sofreu ajustes.
“O queijo era para estar custando entre R$ 18 a R$ 19 o quilo, hoje eu vendo a R$ 25 aqui. No supermercado dá para pagar mais de R$ 40. Os derivados de leite aumentaram muito”, disse o feirante Cleomar Resende.
O ciclo meteorológico que prejudica
É provável que, em alguma ocasião não muito distante, você tenha desistido de levar um pé de alface ou uma dúzia de tomates assim que viu a aparência deles na prateleira. Muito possivelmente também saiu à procura de um vegetal e não o encontrou em supermercados, varejões ou feiras livres.
O tradicional “prato colorido” do brasileiro vem sendo cada vez mais inalcançável. Além dos preços elevados, as condições climáticas proporcionam uma qualidade menor dos alimentos que, em muitas vezes, sequer podem ser aproveitados.
Em um recorte de seis meses, a região de Franca sofreu as mais extremas situações: recordes de calor e de frio, seca, geada e a chuvarada quase que interminável pela qual a cidade passa atualmente.
Este ciclo meteorológico que gera calor elevado e chuva, principalmente quando ocorrem fortes, diárias e contínuas, gera um encharcamento de solo, prejuízo na qualidade dos alimentos, dificuldade na colheita e, consequentemente o aumento dos preços, já impactados pela elevação dos custos de produção.
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Segundo o índice de preços da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais (Ceagesp), o setor de frutas foi o único que apresentou queda em janeiro em relação ao mês anterior: diminuição de 4,28%. Os demais setores subiram, como legumes, verduras, pescados e diversos.
As verduras foram as mais castigadas nos últimos 30 dias, com um aumento de 32,76% no preço. Os principais alimentos que seguiram a alta foram o coentro (189%), a alface crespa (93,2%), rabanete (77,1%) e rúcula (69,6%).
Entre os legumes, os maiores aumentos de preço foram os do chuchu (109,3%), da cenoura (91,3%), do cará (79,8%), do quiabo (51,3%) e da abobrinha italiana (45,25%).
A previsão para o mês de janeiro apresenta – mesmo com muita chuva e temperaturas que oscilam – uma tendência de estabilização dos preços das frutas. Para as verduras e legumes é possível que os preços se tornem ainda mais elevados, principalmente se as chuvas persistirem.
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