Moradores de chácaras no km 2,5 da rodovia João Traficante, que liga Franca a Ibiraci (MG), reclamam da falta de manutenção de uma estrada de terra por parte da Prefeitura de Franca. Para conseguirem utilizar a via que conecta suas casas com a rodovia, os moradores tiraram mais de R$ 2 mil do próprio bolso para fazer reparos na estrada. Crianças precisam ir a pé até a rodovia, onde pegam o ônibus para irem à escola.
Os moradores contam que muitas crianças vão até a escola através de um transporte oferecido pela Prefeitura, mas que dependendo da situação da estrada, o veículo não passa na porta de cada casa, pois poderia ficar atolado. Em vez disso, o veículo espera na rodovia pelos alunos.
“Meu filho de 15 anos começou as aulas nesta segunda-feira (7), mas só conseguiu ir mesmo à escola no primeiro dia de aula por conta dessa estrada horrível. Não conseguimos levar ele até a rodovia, porque tudo que passa na estrada fica presa no barro”, explica Dayana Roberta Miguel, 33, autônoma e moradora do local.
Para não faltar às aulas, alguns alunos têm passado por alguns desafios. “A estrada está horrível, quando chove, um pouco que seja, já não dá para passar nem de moto. Algumas crianças para ir à escola estão precisando subir a pé cerca de 2 km para a rodovia, onde o ônibus da Prefeitura espera. Eles passam no meio da terra e tudo, as que estudam de manhã fazem isso tudo de madrugada. Nem os pais conseguem deixar elas na rodovia, porque nenhum carro passa nessa lama”, lamenta Joaquim Cláudio Demasio, 47, frentista.
Como alternativa, os moradores dizem ter procurado a Prefeitura de Franca, mas não foram atendidos. “Temos tentado ajuda através da Prefeitura, inclusive, um dos moradores fez um pedido com o prefeito através de solicitação e protocolado por um vereador, mas sem resposta positiva”, conta João Saraiva, 54, morador do local.
De acordo com Joaquim Cláudio, a Prefeitura já havia realizado serviços na estrada, mas isso já não acontece há alguns anos. “No último mandato, vinham aqui periodicamente e nos davam uma mão. Agora, já falei até diretamente com o atual prefeito, mas não veio o pessoal da Prefeitura aqui uma única vez."
Para não ficar sem trabalhar e seus filhos sem ir às aulas, parte da vizinhança utiliza do próprio dinheiro para reparos na estrada. Somente no ano de 2022, já foram gastos pelo menos R$ 2.400 para esses serviços, sendo o valor dividido entre cerca de 10 moradores.
“Caiu um poste aqui nesta semana e nem mesmo a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) quis passar com o caminhão. Disseram que só iriam andar na estrada quando a Prefeitura passasse um trator e jogasse cascalho. Para não ficarmos sem energia e água (fornecida através de bombas) por muitos dias, decidimos contratar um rapaz que tem um trator para dar um jeito, porque era uma emergência”, disse a moradora.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Franca, cobrando um posicionamento sobre a situação. Até a publicação deste texto, nenhuma resposta foi enviada.
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