ENGENHO QUEIMADO

Moradores da São Sebastião sofrem com obras que se arrastam há nove anos

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Dirceu Garcia/GCN
Irma Oripa próximo ao matagal do córrego do Engenho Queimado
Irma Oripa próximo ao matagal do córrego do Engenho Queimado

O que um dia foi sinônimo de projeto “modelo”, hoje sofre com o abandono. A obra no córrego Engenho Queimado, na Vila São Sebastião, está paralisada há mais de oito anos. A população aguarda desacreditada um final feliz para essa novela.

A obra de revitalização foi promessa durante a primeira gestão do prefeito Alexandre Ferreira (MDB). O projeto previa a drenagem e captação de águas pluviais, plantio de árvores ao longo do curso d’água e a canalização de dois quilômetros de extensão do córrego. O Engenho Queimado receberia 86 casas para famílias carentes e a instalação de um centro de lazer.

Anunciadas em setembro de 2013 com previsão de entrega em outubro de 2015, as obras estavam orçadas em R$ 18,5 milhões e o dinheiro viria do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal. O projeto até saiu do papel, mas nunca foi concluído.

Mais de oito anos depois, o local é usado para descarte de entulho e ponto para usuários de drogas. Os moradores da Vila São Sebastião precisam lidar com os “vizinhos indesejados” que saem da mata. “Ali tem rato que desce, pernilongo, barata e até uma cobra entrou lá dentro essa semana. Tem tudo aqui”, diz Irma Oripa Lisboa Cáceres, de 72 anos.

Os trabalhos da Prefeitura e as intensas chuvas modificaram a paisagem da região. O terreno plano virou um barranco e a grama deu lugar ao matagal. “Aqui tinha casa. Não tinha aquele buracão. Tudo era certinho. Depois veio a chuva e derrubaram as casas”.

Os moradores denunciaram a situação e não adiantou. “A gente já reclamou. Veio gente da Prefeitura e não vira nada. Aí o pessoal largou de mão. Nem vindo limpar estão mais. Eles roçavam isso no começo, agora acabou tudo”, afirma Eurípides Marques.

Posicionamento da Prefeitura

Integrantes da Prefeitura e da Caixa Econômica Federal estiveram na manhã da última sexta-feira, 4, no Engenho Queimado para recebimento provisório das obras contratadas na administração do ex-prefeito Gilson de Souza.

Segundo a Prefeitura, serão retomados os serviços de revitalização e canalização do córrego Engenho Queimado e a ampliação das aduelas de concreto sob a avenida Nelson Nogueira, entre os Jardins Palmeiras e Martins. Está previsto o plantio de 3 mil árvores para recuperação da vegetação nas áreas de APPs (Áreas de Preservação Ambiental). A licitação foi realizada e aguarda autorização da Caixa Econômica Federal para o início das obras.

A reportagem pediu mais esclarecimentos à Comunicação da Prefeitura, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

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