DECLÍNIO

Franca exporta cada vez menos calçados e vê concorrentes do Sul e Nordeste ocuparem o espaço

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
O presidente do SindiFranca, José Carlos Brigagão: “a indústria calçadista já vinha passando por dificuldades mesmo antes da pandemia”
O presidente do SindiFranca, José Carlos Brigagão: “a indústria calçadista já vinha passando por dificuldades mesmo antes da pandemia”

Ano após ano, Franca vem perdendo o protagonismo nas exportações - e também na produção - de calçados. Enquanto isso, cidades de outras regiões, como Sul e Nordeste, vão expandindo seus polos calçadistas e ocupando o espaço de Franca. No ano de 2021, segundo dados do Comex Stat (Estatísticas do Comércio Exterior Brasileiro), Franca foi a 5ª maior exportadora de calçados do Brasil, vendendo para outros países o equivalente a US$ 54.246.094.

O valor corresponde a menos da metade comercializado pela cidade que mais exportou, que foi Sapiranga, no Rio Grande do Sul. O município sulista lidera isolado o ranking de exportadores, com US$ 115.754.207 em calçados vendidos. Em seguida, outra cidade há anos referência na indústria calçadista, o município de Sobral, no Ceará, exportou US$ 112.606.847. Dois Irmãos (RS) completa o top 3, com US$ 56.747.007. À frente ainda de Franca, o município de Campina Grande (PB) exportou US$ 91.729.366.

A posição atual de Franca se dá muito pela ascensão das cidades do Rio Grande do Sul. Neste último ano, o Estado foi o grande exportador de calçados brasileiros. Dos US$ 900 milhões em sapatos exportados pelo Brasil, US$ 403 milhões saíram de fábricas do Rio Grande do Sul. Em seguida aparece o Ceará, com US$ 210 milhões.

Há menos de 10 anos, ainda em 2013, a realidade era completamente diferente e os municípios sulistas, como Sapiranga e Dois Irmãos, não tinham tanto destaque quanto Franca. Naquele ano, a ‘Capital do Calçado’ exportou US$ 81.602.494, enquanto as cidades gaúchas venderam para outros países US$ 76.585.522 e US$ 60.331.305, respectivamente.

Para o presidente do SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, a perda de protagonismo francano é justificada pelas dificuldades enfrentadas no Estado, com aumento dos custos em geral. “Mesmo antes da pandemia, já enfrentamos grandes dificuldades com o aumento da carga tributária paulista, proporcionando um aumento dos custos em geral (energia, matéria prima, transporte etc), além da ausência de mão-de-obra especializada para um eventual aumento de produção”, explica.

No Estado
O Estado de São Paulo é o terceiro maior exportador de calçados no Brasil. Bem distante do Rio Grande do Sul e Ceará, as cidades paulistas exportaram, juntas, US$ 94.593.244 em calçados no último ano. Apesar das dificuldades citadas por Brigagão, muito desse valor no Estado se dá pelo trabalho realizado nas fábricas francanas, que contribuíram com mais de 57% do total vendido em calçados pelas indústrias paulistas. “No Estado, representamos mais de 50% das exportações paulistas (de sapatos)”, diz Brigagão.

Maiores compradores
O grande parceiro comercial de Franca são os Estados Unidos. Dos US$ 54 milhões exportados pela ‘Capital do Calçado’, US$ 25 milhões foram para lojistas norte-americanos. Eles, inclusive, são a grande expectativa do SindiFranca para o ano de 2022. “A recuperação em 2022 será uma incógnita, frente ao ano eleitoral e à volta da pandemia, mesmo mais branda. A saída serão as exportações, principalmente para os EUA”, afirmou.

Depois dos Estados Unidos, Franca concentra suas vendas aos países vizinhos. O Chile, que é o segundo maior comprador, importou US$ 4.121.761 em calçados francanos. Argentina, Equador, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Colômbia também foram bons clientes, comprando, somados, US$ 11.860.325.

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