VILA FRANCA D’EL REY

Professor conta a história de Franca através de seus prédios históricos

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
Mauro Ferreira: mergulho de cinco anos em documentos e projetos para resgatar a história de Franca através de sua arquitetura
Mauro Ferreira: mergulho de cinco anos em documentos e projetos para resgatar a história de Franca através de sua arquitetura

Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca, Vila Franca D’el Rey, Franca do Imperador ou apenas Franca. A história da quase bicentenária cidade paulista ganhou as páginas de um livro escrito pelo professor e urbanista Mauro Ferreira.

O livro Vila Franca D’el Rey conta a história do município pela sua arquitetura, profunamente modificado com o passar dos anos. São 145 páginas distribuídas em seis capítulos. A obra resgata mais de 400 ilustrações (desenhos, fotos, mapas e pinturas) de Franca.

O professor de planejamento urbano da Unesp (Universidade Estadual Paulista) trabalha com patrimônio histórico desde a década de 1970. "Sou arquiteto e naquela época fizemos um movimento para preservar o antigo Hotel Francano, que, infelizmente, foi demolido. Inclusive, gerou a criação do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico)".

Mauro foi secretário de Planejamento durante a gestão do ex-prefeito Gilmar Dominici (1997 até 2004). O francano acompanhou o crescimento da cidade enquanto arquiteto, participante da política, professor e pesquisador. A vontade de escrever o livro nasceu com os anos de conhecimento adquirido.

"Vi a necessidade de contar um pouco disso que vi e revisitar o passado de nossa cidade. Foi isso que me levou a fazer essa pesquisa. Fiquei cinco anos trabalhando, levantando informações e recolhendo dados para poder construir esse livro”.

Conhecedor da história geral de Franca, Mauro foi atrás dos detalhes de suas construções. "Fui localizando quando de fato eles (os prédios históricos) foram construídos, tentando localizar os projetos, quem fez e/ou quando foi demolido".

Para reunir todas as informações necessárias, o professor pesquisou no arquivo pessoal, Arquivo Histórico Municipal, Laboratório das Artes, livros antigos e no Museu Histórico Municipal.

Após cinco anos de muito trabalho, Mauro se orgulha do resultado. “Satisfação em poder deixar um legado para a cidade. Tenho mais de 50 anos de atuação na cidade e posso transmitir de certa forma essa experiência que ainda vivo".

A obra é a 13° escrita por Mauro Ferreira. A coleção é formada por três livros de arquitetura e dez livros sobre ficção e romance. Vila Franca D'el Rey está sendo vendido a R$ 200 no Laboratório das Artes, na rua Cuba, 1099, no Jardim Consolação.

Capítulo 1:
O começo da cidade no caminho do Sertão de Goyazes

O primeiro capítulo fala do século XIX. O surgimento do povoado em 1805, decreto de criação da Vila Franca D’el Rey e a instalação oficial como cidade em 1824. Uma região com arquitetura simples, onde poucas pessoas moravam.

“Cidade colonial, imperial, com uma arquitetura muito simples e pobre, que atendia basicamente o entorno rural. As pessoas moravam na zona rural e vinham para a cidade apenas para uma atividade específica, religiosa ou comercial”, conta Mauro.

Capítulo 2:
A cidade do café

A modernidade chegou através dos trilhos da estação da Alta Mogiana. A construção permitiu a abertura de oficinas para manutenção dos equipamentos e locomotivas. A estação facilitou o escoamento da plantação de café. A riqueza contribuiu na construção do Colégio Champagnat e no Colégio Nossa Senhora de Lourdes.

Franca recebeu italianos, espanhóis, árabes, turcos e libaneses. “Esse pessoal trouxe novas linguagens para as construções. Começa a sofisticar o estilo construtivo. Começa a ter os casarões dos barões do café e fazendeiros. O próprio hotel francano é construído nesta época”. Melhorias públicas foram realizadas. “Começa a ter rede de água e energia elétrica no final do século XIX. Primeiros calçamentos e a construção da nova Catedral”.

Capítulo 3
A cidade moderna

“É a fase de transição entre essa expansão e a consolidação da cidade para a modernidade”. A chegada dos primeiros prédios modernos acontece na década de 1940. A agência central dos Correios é inaugurada em 1945.

A arquitetura local é modernizada com a construção do prédio da Associação dos Empregados do Comércio, Clube dos Bagres e edifício Franca do Imperador. “Essas modificações na arquitetura, no próprio jeito de viver, o uso de novos materiais como concreto, começam a surgir nesse momento”.

Capítulo 4
O primeiro Plano Diretor: plano que se realiza e cidade que se transforma

A industrialização chega e com ela as fábricas de calçados. Com o surgimento de grandes empresas, pessoas do sul de Minas Gerais desembarcam em solo paulista para trabalhar. Começa a ter uma explosão de loteamentos, muitos deles sem infraestrutura. O Brasil estava em uma ditadura militar e havia essa preocupação com o planejamento da cidade. Franca recebe apoio do governo federal e contrata uma empresa para fazer o primeiro plano diretor do município.

“Começa no governo do prefeito Hélio Palermo e é concluído no governo do Lancha Filho. Ele dá a base da cidade contemporânea. Lá nos anos de 1960 que é pensada a ideia de ter um distrito industrial, calçadões na região central, avenidas de fundo de vale, grandes parques e áreas verdes na cidade”, pontua o professor.

Capítulo 5
Expansão Territorial: a cultura dos shoppings centers e o patrimônio cultural

O capítulo 5 traz o esgotamento desse plano diretor. Durante o governo do ex-prefeito Gilmar Dominici é feita uma nova diretriz apontando o caminho da cidade para os próximos 20 anos. O Distrito Industrial se consolida, fica quase 100% ocupado e recebe outros tipos de indústrias.

A paisagem da cidade sofre modificações e conjuntos são criados. “Essa cidade vai sofrer um processo de verticalização cada vez mais acelerada, com a criação de grandes conjuntos habitacionais”.

Capítulo 6
Tendências recentes

O capítulo 6 traz a construção do Sesc, considerado pelo autor do livro a obra mais complexa da história de Franca. “A concepção dele tem níveis variáveis. Oferece serviços dos mais diversificados de saúde, educação, alimentação, esportes e lazer”.

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