INCÓGNITA

'Só quem passa sabe como é a dor', diz filha de Miguel Berdú, desaparecido há três anos

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo/GCN
Miguel Berdú saiu de casa no dia 4 de fevereiro e desde então não foi encontrado
Miguel Berdú saiu de casa no dia 4 de fevereiro e desde então não foi encontrado
Esta sexta-feira, 4, marca três anos do desaparecimento do produtor rural aposentado Miguel Berdú Egéa, 90 anos. Sem nenhuma pista desde 4 de fevereiro de 2019, os familiares vivem na incerteza se o aposentado está vivo ou morto.  
 
Portador do Mal de Alzheimer, o aposentado esperava a esposa no banco de uma praça na região do Jardim Guanabara, quando desapareceu. Ela havia ido a uma padaria. Depois, ainda foi visto naquela região, algumas horas depois.
 
Márcia Berdú, 53 anos, filha do aposentado, contou que todas as datas de aniversário ou do desaparecimento são os dias mais dolorosos para viver, além de considerar a data como o dia do falecimento do seu pai. 
 
“Hoje é uma data muito difícil pra mim. A incerteza do que aconteceu com ele nós vamos levar para o resto da vida. Eu considero que seja a data da morte dele. Eu não penso como foi a morte dele, se ele foi agredido ou coisa do tipo. Mas na situação que ele estava, eu não acredito que ele estaria vivo. Sozinho não teria como, e se tivesse alguém cuidando, com toda a repercussão que teve, já teriam chamado a gente da família”, contou Márcia. 
 
Depois do desaparecimento do aposentado, a família recebeu dezenas de pistas e informações, procurou em diversas cidades da região de Franca, incluindo municípios mineiros, mas ele nunca mais foi encontrado.
 
Márcia relembrou os últimos dias junto com o pai. Segundo ela, o Alzheimer estava cada vez mais severo e tinha dias que ele não a reconhecia.
 
“Tinha dias bons e ruins. Tinha alguns dias que ele tava bem ruinzinho. No fim de semana que antecedeu o desaparecimento, eu senti meu pai meio aéreo. Eu percebi que ele não estava me reconhecendo. Ele estava meio estranho. A Beth (irmã) disse que no domingo ele ficou mais agressivo. Então eram picos de dias bons e ruins”, continuou Márcia. 
 
A mulher de Seu Berdú, a aposentada Maria de Lourdes Mendes Berdú, faleceu em março de 2020, sem saber o final da história de seu marido. 
 
Mesmo depois de tanto tempo e sem nenhuma resposta, o caso é acompanhado pela Polícia Civil de Franca. Todas informações sobre um possível paradeiro são apuradas, mas até hoje nenhuma informação levou à sua localização.
 
Os familiares conseguiram na Justiça o pedido de morte presumida.

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