Moradores e comerciantes da região Estação, em Franca, pedem socorro, literalmente. Eles não suportam mais os constantes pancadões e outros eventos. Relatam que vêm convivendo com música alta, bebedeira, uso de drogas e até sexo na rua. Tudo isso seria provocado pelos frequentadores de pelo menos duas boates que funcionam no local, uma na rua Frei Germano e outra na Diogo Feijó.
Um grupo de moradores disse que já recorreu à Justiça em busca de uma solução e também à Prefeitura, protocolando representação nos órgãos como Ministério Público e Vigilância Sanitária. Os moradores questionam também sobre a legalidade do funcionamento dessas casas noturnas.
Mas até esta quinta-feira, 3, eles não sabiam oficialmente se há alguma discussão em andamento com as autoridades para evitar que sejam prejudicados. Além da perturbação de sossego, eles dizem que têm suas residências e carros danificados nos dias de eventos.
“Nós não aguentamos mais o que anda acontecendo aqui. São brigas, prostituição, drogas, furtos, e ninguém faz nada. Em todos os finais de semana o público sai dessa boate, vem para a porta de nossas casas, destroem tudo, vomitam, colocam som alto a madrugada inteira”, disse um morador da Estação. Uma moradora, vizinha de uma das boates, mostrou à reportagem cópias das representações protocoladas no Ministério Público e na Vigilância Sanitária, através da Ouvidoria da Prefeitura.
No documento enviado à Promotoria de Justiça, a munícipe relata: “Eu tenho um comércio próximo e estou com muita dificuldade com essa casa noturna... música muito alta, uso de drogas... já pedi ajuda da Guarda Civil e da Vigilância Sanitária. Eles não vão, pois um ou outro não estão de plantão e não podem ir. Não atendem nossas denúncias”.
Imagem do pancadão realizado na madrugada do dia 25 de dezembro último, na rua Diogo Feijó, que atormentou toda vizinhança, não sai da mente dos moradores, e eles estão preocupados com um evento marcado para este sábado, 5, em outra boate que fica na Frei Germano. A casa noturna está anunciando um evento carnavalesco, no sistema open bar.
Além da perturbação e prejuízos que vêm sofrendo, os moradores também estão preocupados com o cumprimento dos protocolos de combate à covid.
“Agora eles vão fazer um bloco de carnaval de baixo do nariz de todo mundo. Já fizemos representação em todos os órgãos possíveis e esperamos uma solução. Já recebemos ameaças por estarmos reclamando. Queremos uma resposta das autoridades competentes, e se essa casa de shows atende todos os critérios de funcionamento”, acrescentou um morador da Estação.
Imagem da farra que pertuba o sossego de moradores
Outro lado
Danilo Nunes de Souza, proprietário da casa noturna Club Show, que está anunciando o Carna Low para este sábado, disse que trabalha dentro das normas exigidas pela fiscalização e que está em dia com toda documentação do estabelecimento.
“Às vezes, acontece um pouco de confusão. Esses incidentes, como som alto, não aconteceram na frente do meu estabelecimento, que é situado na Frei Germano, e o pancadão (que viralizou nas redes sociais) aconteceu em outro endereço (na Diogo Feijó)”, esclareceu o comerciante.
“Às vezes, acontece um pouco de confusão. Esses incidentes, como som alto, não aconteceram na frente do meu estabelecimento, que é situado na Frei Germano, e o pancadão (que viralizou nas redes sociais) aconteceu em outro endereço (na Diogo Feijó)”, esclareceu o comerciante.
Danilo afirma que não pode controlar o que acontece do lado de fora de seu estabelecimento. “Não vão encontrar vídeo de nada acontecendo em frente ao meu estabelecimento. A gente sempre cuida e orienta o público para não ligar o som alto. Ali onde eu tenho meu negócio, o ponto existe há mais de 30 anos, e está com toda documentação regularizada, tanto o projeto acústico quanto o alvará.”
A Prefeitura de Franca confirmou, nesta quinta-feira, 3, que a casa noturna Club Show possui licença para funcionamento e auto de vistoria do Corpo de Bombeiros. Também disse que, em visita recente, a fiscalização sanitária não constatou venda clandestina de bebidas alcoólicas no local. A Prefeitura destacou que a aglomeração na rua, realização de pancadão, brigas, menores na rua e carros danificados são casos de responsabilidade da Polícia Militar, Guarda Civil e Conselho Tutelar.
A reportagem também pediu informações ao setor competente da Prefeitura sobre a legalidade do funcionamento da outra boate localizada na rua Diogo Feijó, a “7 Eventos”. Até a publicação desta matéria, a Prefeitura não respondeu sobre a situação da documentação da boate e se o alvará do estabelecimento está regularizado.
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