A última semana marcou um ano da chegada da vacina para a covid-19 a Franca. No dia 20 janeiro de 2021 um caminhão escoltado pela Polícia Militar desembarcava as 3.320 primeiras doses da Coronavac na Secretaria Municipal de Saúde, com a expectativa de dias melhores em uma luta mundial contra o vírus que assolava a cidade, infectava milhares de pessoas e tirava a vida de centenas delas.
O prefeito Alexandre Ferreira (MDB) e o secretário de Saúde Lucas Souza, descarregaram as vacinas e comemoraram a chegada das doses que era a esperança do fim da pandemia.
No dia seguinte da chegada, o técnico de enfermagem Fernando Augusto Cândido, de 62 anos, se tornava o primeiro francano imunizado. Naquele dia, outros 500 profissionais que atuavam na linha de frente no combate à doença também foram vacinados.
“A sensação é muito boa. É um alívio saber que essa vacina vem para ajudar a todos e gerar a tranquilidade que a gente precisa para trabalhar. Que todos os outros possam tomar também e seguir a vida sem medo”, disse Fernando, no dia da vacinação.
83,45% dos francanos vacinados
Desde então, mais de 660 mil doses já foram aplicadas em Franca, mas, para atingir essa marca, vários meses se passaram. Desde então, foram vacinadas desde as pessoas com comorbidades até chegar às crianças neste ano de 2022.
Neste domingo, 23, a cidade possui 83,45% da sua população com pelo menos a primeira dose, sendo 288.397 pessoas vacinadas, outras 8.607 com dose única, 267.028 com a segunda dose e 105.001 com a dose de reforço.
Falhas e polêmicas
Muitos problemas foram enfrentados pela população e pelas autoridades neste um ano. Entre os desafios estão a demora na vacinação; longas filas; falta de imunizantes; divergência nos números entre Prefeitura e Estado; fura-filas e até mesmo doses que não foram aplicadas.
Em abril de 2021, várias destas polêmicas aconteceram. Na época, idosos com mais de 67 anos estavam sendo imunizados, quando aconteceu o episódio de uma agente de saúde que não apertou o êmbolo – dispositivo da seringa -, logo, a vacina não foi aplicada. O flagrante foi registrado em vídeo pelo filho da idosa. Na ocasião a Prefeitura tratou o caso como “falha humana”.
No fim de abril, um novo problema foi enfrentado. Um pente-fino feito com exclusividade pelo GCN revelou que 933 pessoas furaram a fila de vacinação, incluindo menores de idade - na época, a vacinação de adolescentes não tinha previsão para acontecer.
O prefeito Alexandre Ferreira chegou a abrir uma sindicância para investigar e analisar a relação dos vacinados.
Os fura-filas viraram caso de polícia, mas ninguém chegou a ser indiciado ou responsabilizado por passar na frente na fila de vacinação. De acordo com a Prefeitura, os processos foram instaurados e estão em fase de decisão final.
Vacina e variantes
Apesar de várias pessoas sendo vacinadas, o avanço da doença acompanhava o ritmo. Em maio e junho, medidas restritivas precisaram ser tomadas pelo prefeito. Com uma quantidade ainda considerada pequena de vacinados nos dois meses, foram registrados 10.607 casos e 343 mortes.
Com o avanço nas idades para a vacinação, o problema da falta de vacinas no Brasil se refletiu na cidade e em julho, um atraso no envio de doses pelo governo do Estado de São Paulo ocasionou problemas na imunização. O problema chegou a se repetir mais de uma vez.
Após um período crítico enfrentado em setembro, quando todos acima de 18 anos já estavam sendo imunizados, a vacinação em massa começou a ter o resultado esperado, os números de casos caíram pela metade e os de mortes 81%.
O fim de ano foi o mais tranquilo, tanto que uma nova normalidade foi sentida. Junto com isso, uma nova variante assustou o mundo. A Ômicron, considerada mais contagiosa, trouxe de novo o aumento dos números.
Apesar disso, a vacina se mostra eficiente contra o vírus. No momento em que os números de casos têm uma explosão, a quantidade de mortos tem uma leve alta, mas sem comparação aos meses de pânico no início da vacinação.
No último mês, o médico infectologista Homero António Rosa Júnior, da Vigilância Epidemiológica de Franca, disse que os não vacinados precisam se preocupar ainda mais. Segundo a Prefeitura, os casos mais graves em internações são de pessoas não vacinadas.
“Quem precisa se preocupar é quem não tomou vacina contra a covid-19", afirmou ele. "Quem está vacinado acaba tendo proteção cruzada. A vacina é a proteção que todos sonhavam, e ela está aí, disponível.”
O médico também analisou o surgimento de novas cepas. “É um ciclo natural de um vírus novo na natureza apresentar modificações genéticas para continuar tentando sobreviver na população. Sabemos que a Ômicron tem uma transmissão muito alta, mas ela não tem uma agressividade aparente tão alta”, completou.
A vez das crianças
Agora, é a vez das crianças tomarem a primeira dose, enquanto os adultos tomam a dose de reforço. O governo de São Paulo começou a vacinação contra a covid-19 com a Coronavac no público infantil nessa quinta-feira, 20, e divulgou um novo calendário.
De acordo com o cronograma estadual, do dia 20 a 30 de janeiro, a vacinação é para, além de crianças com comorbidades e deficiência, crianças de 9 a 11 anos sem comorbidades. De 31 de janeiro a 10 de fevereiro, para 5 a 8 anos sem comorbidades.
Retomada aliada à vacinação
Se a vacina significa esperança e vida às pessoas que a tomam e a todos que as cercam, com a economia também não é diferente. Os empresários francanos comemoram o avanço da imunização.
Depois que a maioria das pessoas se vacinaram, uma nova realidade foi instaurada, mas ainda um pouco diferente do que era vivido antes da pandemia.
"O ano passado foi muito difícil. Seis meses só no delivery. Tive que mandar funcionários embora. Custei manter a porta aberta, foi 80% de queda no meu faturamento. Com a reabertura, paralela à vacinação, o movimento melhorou e as pessoas se sentem mais seguras. Mas, mesmo assim, percebemos a falta de algumas famílias que frequentavam", afirmou Nilo Marcio Cintra Ferreira, 46 anos, proprietário do Bar do Nilo, no Jardim Guanabara
Nilo também conta que, conforme avançou a vacinação, as pessoas se sentiam mais seguras para aproveitar os momentos em um bar.
"A vacina traz segurança, né? Ela não traz só para o cliente, mas para a gente poder trabalhar. A vacina é essencial para esse retorno na economia, para que voltemos a viver como antigamente", completou Nilo.
O proprietário do Buteco de Skina, Luciano Mendes Rocha, comemora a vacina, mas lamenta a demora para o imunizante começar a ser aplicado no Brasil.
"Nós de bares e restaurantes ficamos muito tempo com as portas fechadas. Passar por essa pandemia foi muito complicado. Tive que mandar funcionários embora, não foi fácil. Acho que a vacinação poderia ter vindo antes, ela foi muito politizada”, afirmou.
“Agora é trabalhar para pagar as contas, não é? Mas está tudo indo bem. A vacina está se mostrando eficaz nesse começo de ano. Conheço tanta gente que pegou covid-19 e os sintomas foram mais fracos. Acredito que seja pela vacina", completou Luciano.
O empresário ainda afirma que teve que mudar a forma de contratar. Antes eram sempre funcionários fixos e registrados, agora, ele ainda só consegue ter freelances. "Mudamos um pouco na forma de contratar os funcionários. Agora, só estamos com freelancers no bar. Perdi todos os funcionários, cada um foi fazer alguma coisa diferente. Nesse primeiro momento de retomada, estamos com funcionários freelances. No momento de hoje ainda não consigo efetivá-los", finalizou o dono do bar.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.