TRANSPORTE PÚBLICO

Prefeitura 'banca' tarifa a R$ 5 com aposta de dobrar nº de passageiros

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Passagem a R$ 5 começou a ser praticada no dia 17 de janeiro, última segunda-feira
Passagem a R$ 5 começou a ser praticada no dia 17 de janeiro, última segunda-feira

Motivo de bastante polêmica nas últimas semanas, o reajuste na tarifa do transporte coletivo levou o preço da passagem de R$ 4,10 para R$ 5. O novo valor passou a valer na última segunda-feira, 17, gerando indignação dos usuários do serviço prestado pela empresa São José, que afirmaram ter que "pagar para estudar e trabalhar". O que poucos sabem é que o valor poderia ser bem maior, em torno de R$ 7,25, conforme aponta indicado do Conselho Municipal de Trânsito.

O alto preço indicado pelo Conselho, que representaria um aumento de 76% do valor antigo, foi alcançado após uma pesquisa de mais de 20 membros. Durante a pesquisa, os representantes avaliaram vários gastos da empresa São José.

“O estudo técnico foi feito em meados de novembro. Existe uma planilha oficial da ANTP (Associação Nacional de Transporte Público), que dá embasamento de custo da operação do sistema de transporte. Nela, tem uma série de quesitos que precisam ser levantados, que são números relacionados a custos da empresa, como combustível e manutenção, e dados de passageiros”, explica Fernando Baldochi, assessor de Gabinete Municipal, que acompanhou as reuniões do Conselho.

Além das dificuldades proporcionadas pela pandemia, a falta de reajustes nos últimos anos também fez com que o valor indicado fosse bem alto. “O aumento da tarifa é um ato do prefeito. Então, pelo fato do último aumento ter acontecido há três anos, em 2019, e mesmo assim sendo um aumento parcial, certamente o desequilíbrio atual é fruto desse período em que ele ficou sem ser avaliado.”

De acordo com Fernando, durante as discussões sobre o reajuste, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) ouviu os indicativos do Conselho, mas decidiu aumentar para R$ 5. O valor bem menor só foi possível por conta da expectativa de retomada no setor.

“Evidente que todos concordaram que R$ 7,25 era um preço muito alto para a população. É inconcebível cobrar isso do usuário, e logo de cara foi descartado. Para ajustar o preço a R$ 5, temos que aumentar o número de usuários. E o número ficou defasado porque houve uma diminuição do número de passageiros durante a pandemia, que era perto de 60 mil. Hoje, nem chegamos em 30 mil.”

Apesar de motivo de polêmica e desacordo da população, o novo valor acompanha um consenso estadual. Vários municípios, neste início de ano, atualizaram seus preços para acima de R$ 5. Cidades como Araraquara, Franco da Rocha, Caieiras, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Carapicuiba, Barueri e Itapevi também aumentaram para R$ 5. Outras, como Campinas e Itu, chegaram a R$ 5,15.

Diferente de muitas dessas, no entanto, Franca não destinou subsídio ao sistema de transporte público. Campinas, por exemplo, tem um aporte de R$ 72 milhões. Guarulhos destina também R$ 72 milhões. A capital paulista, São Paulo, consegue manter a tarifa em R$ 4,40, mas, muito graças a um aporte de R$ 2,5 bilhões.

“O levantamento que temos é de que as cidades que praticam valores abaixo de R$ 5 só conseguem fazer isso por conta de subsídio ou compensação tarifária. As pessoas comparam que na Capital é mais barata que aqui. Sim, é mais barata. Só que a passagem lá é R$ 4,40 e as empresas recebem mais de R$ 7. Ribeirão Preto também tem aporte”, explica Fernando.

A fim de não gerar outros grandes aumentos e sempre acompanhar o setor, Fernando garante que o Conselho Municipal de Trânsito estará sempre atento e realizará reuniões mensais. “O Conselho se reúne mensalmente na primeira semana do mês e, caso seja necessário, o estudo técnico será novamente realizado esse ano.”

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