INSEGURANÇA

'Virou terra de ninguém esta nossa área', diz comerciante do bairro Estação

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
 Terminal da antiga Alta Mogiana, no bairro Estação: bairro sofre com insegurança
Terminal da antiga Alta Mogiana, no bairro Estação: bairro sofre com insegurança

Alto índice de criminalidade. Bilhetes alertando para futuros furtos. Grande concentração de pessoas em situação de rua. Um dos principais bairros de Franca virou sinônimo de insegurança para moradores e comerciantes. O bairro Estação é uma “terra de ninguém”.

“Fui roubado cinco vezes em um mês. Duas vezes entraram e levaram em torno de R$ 10 mil. Virei um escravo disso aqui. Já passei três noites acordadas aqui na porta, louco, com sangue nos olhos, para pegar a pessoa”, diz o comerciante Juliano Neto, de 55 anos.

Juliano é proprietário de uma loja de artigos musicais na rua General Osório. O comerciante acompanha a decadência da região há 20 anos. Os criminosos já levaram instrumentos musicais, monitores de computador, bolsas... A lista só aumenta, conforme o comerciante sente falta dos produtos.

Além dos itens furtados, Juliano ficou com o prejuízo do arrombamento no telhado. Até mudar a loja de lugar precisou. “Entra chuva e molha o meu equipamento. Tive que mudar minha loja de lugar. Onde era meu depósito é minha loja. Onde é a loja, hoje, tem laje aí é mais seguro.”

Para aumentar ainda mais a sensação de insegurança, o poste de energia em frente ao comércio ficou seis meses com a luz queimada. A mulher de Juliano precisou cobrar a CPFL para trocar as lâmpadas. Os criminosos passaram pela escuridão, mas foram filmados por câmeras de segurança na região. As cenas mostram um homem carregando um saco nas costas com os itens furtados da loja.

Juliano recebeu cinco bilhetes de aviso nos últimos dias. “Tenho recebido bilhetes embaixo da minha porta, um acusando o outro. Fulano de tal, que mora em tal lugar, vai arrombar e roubar sua loja. Eu recebi um nessa noite (segunda-feira, dia 17).”

As imagens das câmeras e os bilhetes foram entregues à Polícia Militar. “Já teve caso de chegar aqui antes da polícia e moro bem distante daqui, cerca de três a quatro quilômetros. Eu sei que eles estão de mãos atadas também... Virou uma terra de ninguém essa nossa área. Já pensei em ir embora daqui. Até chorei por indignação. Estou muito chateado e abalado.”

Insegurança no vizinho
Em frente à loja de artigos musicais, na esquina da rua General Osório com a rua Diogo Feijó, o comerciante Noronha Júnior, de 35 anos, acompanha o descaso com que a região é tratada. “Estamos tendo muita dificuldade em lidar, porque não temos amparo de ninguém do Poder Público, não temos amparo da Prefeitura, não temos amparo da Polícia Militar.”

Há dois meses, Noronha já viu até perseguição na região. “Pessoas passaram em sentido contrário à rua General Osório, correndo atrás de algum delinquente que furtou alguém na fila do banco. Ali (na região da Mogiana), temos a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Sicoob.”

Ele mesmo precisou tomar providências para se proteger. “Quando chegava a época de final de ano, a gente ficava sempre até as 19h30 com o comércio aberto para aproveitar o movimento que vinha do Centro. Já nestes últimos anos, nós não conseguimos, porque a Estação fica abandonada. Alarme, cerca elétrica, solicitando policiamento quase frequentemente.”

Além de proprietário de uma loja de móveis, Noronha mora no bairro e conhece como poucos a ação dos criminosos. “Eles analisam bem o imóvel, veem que não tem movimentação e a primeira coisa que eles fazem é roubar os fios. Eles roubam os fios, veem que não tem ninguém lá dentro e já pulam para dentro da casa. Lá, eles vão usar drogas, defecam, urinam e usar de esconderijo, porque nós, como empresários e responsáveis pela área, não ficamos aqui 24 horas.”

Comerciantes e moradores encaram o descaso com o bairro como um desrespeito. “A Estação é um dos berços de todo o começo da história de Franca, junto com o Centro e outras regiões. Porém, a gente vê um descaso total com a região, com falta de iluminação, falta de policiamento e falta de cuidado. A região acaba sendo invadida”, lamenta Noronha.

Nesta semana
Câmeras de segurança filmaram um homem subindo em um poste de energia para furtar a fiação. Em outra cena, foi possível ver dois homens jogando pedras em um blindex de um escritório de contabilidade. Ambos os casos aconteceram nesta semana, na rua General Osório, no bairro Estação.

Posicionamento da PM
A Polícia Militar informou que dez pessoas foram presas em flagrante nas adjacências do bairro Estação nos últimos meses. A lista de crimes contém furtos em residências e a estabelecimentos comerciais, além de roubos e tráfico de drogas.

“O Comandante da 5ª Companhia é responsável pela área e tem trabalhado em conjunto com os comerciantes locais, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) e com programas de apoio, como Vizinhança Solidária, para discutir, analisar e planejar ações e campanhas educativas e, ainda, estreitar laços entre comunidade e a Polícia Militar, buscando solucionar os problemas de segurança pública e aumentar a sensação de segurança da população”, diz nota enviada pelo 15º BPM (Batalhão de Polícia Militar).

Ainda segundo a PM, o bairro Estação recebe policiamento ostensivo pelas viaturas de rádio patrulhamento, com apoio da Força Tática, Trânsito e Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas). O planejamento das atividades realizadas na região é com base nos índices criminais de cada região.

A Polícia Militar encerra pedindo para a população que entre em contato pelos telefones 190 (Emergência da PM) e 181 (Disque Denúncia) em caso de irregularidades ou atitudes suspeitas.

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