Imagine trocar a sala da faculdade por uma cama e, pior, fazendo hemodiálise. Aos 20 anos, Beatriz Medina Bonoti precisou interromper seus sonhos, quando descobriu ser portadora de DRC (Doença Renal Crônica). Como ela não pode ficar sozinha, a mãe Antoninha Rosa Medina deixou o trabalho para cuidar da filha. Hoje, após mais de um ano e meio, a família vê se findar uma luta para receber o BPC (Benefício de Prestação Continuada) - um auxílio para idosos e pessoas com deficiência que não possam se manter ou serem mantidas pela família.
Beatriz descobriu a doença em 2018, quando recebeu o implante do cateter para receber a hemodiálise peritoneal. A menina, na época com 16 anos, recebeu um transplante renal no Hospital do Rim, na capital paulista. O corpo rejeitou o órgão com perda total do rim.
Aliado a isso, a alta dosagem de imunossupressores acarretou uma esofagite de Los Angeles B. A menina recebeu sonda completa para alimentação, devido ao excesso de vômitos causados pela doença. Esofagite são lesões no esôfago causados pelo refluxo gástrico.
Sem conseguir se alimentar corretamente, Beatriz sofreu com magreza de terceiro grau e um AVC (Acidente Vascular Cerebral). “Foi onde ela perdeu os movimentos e ficou de cama num período de mais ou menos de seis meses. Após isso, ela voltou a andar. Foi quando eu pude sair para dar entrada na documentação”, diz a mãe.
Antoninha buscou seus direitos no INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). “Estou aguardando a liberação dos pagamentos, porque ela já fez a perícia e está tudo okay. Ela realmente tem direito a receber.”
A entrada no requerimento foi feita no dia 2 de junho de 2020. Virou para 2022 e o dinheiro ainda não foi liberado. Antoninha buscou um advogado que entrou com um mandado de segurança para entender o que aconteceu.
A família mora num condomínio de chácaras no Jardim Aeroporto lll e recebe doações de alimentos e ajuda de amigos para se manter. O dinheiro que Antoninha arrecada é usado para colocar combustível no carro e levar Beatriz nas consultas médicas. A menina trata com cardiologista, fisioterapeuta, nefrologista, neurologista e pneumologista.
“Durante esse período para dar entrada precisei pedir demissão. Hoje não trabalho, porque ela depende de mim para comida, banho, sair e ir ao hospital. Tudo sou eu que faço. Então, estou aguardando, e eles sabem disso”, afirmou.
Resposta do INSS
A reportagem do GCN questionou o INSS sobre a demora no processo de recebimento. Após verificação do caso, o instituto concedeu o benefício assistencial para pessoas com deficiência à família.
“Acrescentamos que ela receberá os pagamentos referentes a todo o período anterior, desde a data em que o pedido do benefício foi protocolado. A carta de concessão e as informações sobre este requerimento pode ser consultada no site ou pelo aplicativo”, informou a nota.
Resultado
Após a resposta recebida pelo GCN, Antoninha buscou a central do INSS e foi informada que o saque estará disponível num prazo de 15 dias após o dia 20 de janeiro. A mãe conta os dias, depois de tanto sofrimento.
“Quero aqui de primeira mão agradecer ao GCN pelo apoio à minha filha Beatriz. Estamos com necessidades básicas e financeira para locomoção para fisioterapia e consultas médicas. Aguardo ansiosa para finalmente poder dizer que deu certo e o INSS cumpriu com a sua devida parte”, finalizou.
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