Por qual motivo está havendo este aumento de casos de covid? Como isso é possível se há pessoas vacinadas? As vacinas realmente funcionam?
Após o aumento de casos de covid-19 no mundo todo, é possível ver com frequência esses e outros questionamentos vindo de diversas pessoas, principalmente nas redes sociais.
O médico da Vigilância Sanitária de Franca, Homero Rosa, responde a essas e a outras perguntas, além de esclarecer quais efeitos a vacinação da população vem trazendo para o atual cenário pandêmico.
Homero primeiro explica os motivos que ocasionaram a explosão de casos nos últimos dias. “É semelhante ao início de 2021. Nas festas de final de ano, as pessoas costumam ficar todas juntas e descuidar bastante da proteção individual, não utilizam máscaras, esquecem de lavar as mãos, cumprimentam com toques de mãos, dão abraços, etc. Isso tudo faz com que aumente a circulação do vírus", enumerou.
"Da mesma maneira, pessoas vêm de outras cidades com um número maior de casos e também trazem cepas novas do vírus, cepas essas que são um pouco mais fortes. Dessa forma, uma nova variante vindo do exterior também chegou, coincidentemente com as festas de final de ano”, completou o especialista.
No boletim epidemiológico da cidade de Franca do dia 30 de dezembro de 2020, há 79 casos positivos da doença, com uma média móvel de 78,9 casos. Quando comparado com o boletim do dia 14 de janeiro de 2021, é possível ver um cenário completamente diferente. Neste dia, 441 novos casos foram registrados, enquanto a média móvel de casos subiu muito, em questões de duas semanas, atingindo a marca de 212,9.
Na situação pandêmica atual, também é possível ver um grande aumento durante esse período. No dia 30 de dezembro de 2021, apenas 17 novos casos foram registrados. A média móvel era de apenas 18. Já no dia 14 de janeiro de 2022, o boletim também mostra um aumento muito alto, apontando 453 novos casos de covid, e uma média móvel de 246,3.
Apesar de 2022 apresentar números parecidos de novos casos e média móvel ao mês de janeiro de 2021, Homero explica que a vacinação trouxe um efeito benéfico, tornando a situação bem diferente quando comparada com o ano passado.
“Uma pessoa previamente vacinada contra o coronavírus pode, sim, se infectar, mas a intenção é que ela não tenha formas graves da doença. Ela faz com que a pessoa até possa ter a doença, mesmo que devidamente vacinada, mas o coletivo, o grande número de pessoas vacinadas faz um efeito chamado de rebanho, trazendo uma proteção maior em casos graves”, explica Rosa.
Ao analisar os boletins do dia 14 de janeiro do ano passado e do atual, é possível notar essa proteção maior em casos graves citados pelo médico. Em 2021, eram 441 novos casos positivos, com um total de 73 leitos de internação para pacientes com covid ocupados. A média móvel era de 212,9. No ano atual, nesse mesmo dia, são 453 novos casos, a média móvel é de 246,3, com 28 leitos ocupados no total.
“A realidade da pandemia nesse momento é exatamente nos casos mais graves de internados em UTIs e enfermaria. A grande maioria são pessoas que ainda não receberam o esquema completo, ou que não puderam, ou pior, quando não quiseram tomar as vacinas. As vacinas salvam vidas, sabemos disso desde a primeira vacina”, diz o médico.
Homero conta que essa é a “primeira geração” dos imunizantes contra a covid, mas com o passar do tempo eles serão aperfeiçoados, trazendo cada vez mais benefícios.
“Todo vírus recém-introduzido na natureza tem necessidade de sobrevivência. Ele se adapta, sofre mutações genéticas. Tudo com muita frequência e rapidez. Dessa forma, ele faz novas cepas, que às vezes, são mais violentas ou tem maior capacidade de transmitir doenças. Por isso, precisamos que as pessoas tomem vacinas. Quantas doses forem necessárias, qualquer marca de vacina, e isso inclui nas crianças pequenas até nos idosos, para que não tenha chances de termos casos graves. O objetivo é esse, proteger”, explica o médico.
População vacinada em Franca
No último dado fornecido pela Prefeitura de Franca na última quinta-feira, 13, sobre a vacinação da população da cidade. Cerca de 85% das pessoas que poderiam ter tomado a primeira dose do imunizante contra o coronavírus se imunizaram.
Para a segunda dose, 77% dos que já podem recebê-la foram se vacinar, enquanto 21.239 pessoas estão em atraso. A quantidade de atrasados é maior ainda para as doses de reforço. Os dados apontam que apenas 25% dos que poderiam ter tomado essa dose se imunizaram, sendo 73.513 pessoas em atraso nessa categoria.
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