THEREZA RICCI

O que devemos esperar do novo ano?

Por Thereza Ricci | especial para GCN
| Tempo de leitura: 4 min

Até que enfim ele se foi. Já vivi muito e não me lembro de um ano tão difícil e cheio de preocupações como esse 2021, que acaba de ir embora.

Outro dia conversando com uma amiga, como nos aproximávamos do final do ano, ela me disse que desejava que o ano de 2022 fosse para ela como 2021, muito feliz. Perguntei-lhe se não se importava com todas as tragédias que sofreram e ainda sofrem nossos irmãos brasileiros, com a pandemia que tem feito enormes estragos na vida de muita gente.

Respondeu-me que se interessava apenas pela sua vida, e dos seus, com conforto e saúde para gozar das alegrias que lhe fossem proporcionadas. Ela se despediu e eu fiquei pensando, como uma pessoa pode ignorar os acontecimentos de sua pátria. No fim, cheguei à conclusão de que ela faz parte dos insensíveis como o presidente da República e seus aduladores, que além da pandemia que não acabou. Neste momento, baianos estão sofrendo com as chuvas torrenciais que caem sobre o Estado, causando mortes e uma quantidade enorme de desabrigados, precisando urgentemente de ajuda, enquanto o presidente da nação, em férias, goza as delicias das praias de São Paulo e Santa Catarina, com um total desprezo pelas vítimas.

Com um governo fraco e incompetente como este, tudo começou em março de 2020, quando alguém trouxe da Europa o tal Coronavirus- 19, que logo se espalhou pelo país inteiro. Muita gente ficou doente, enquanto outros, não resistindo à infecção, vieram a óbito. Não havia remédio e com a falta de respiradores por inépcia do Ministério da Saúde, assistimos desolados a irmãos nossos morrerem sufocados, um crime hediondo.

Ficamos fechados dentro de casa, sem poder nos juntar com as pessoas que amamos; trabalhadores perderam seus empregos; o comércio teve de fechar as portas. Cresceu a miséria, sempre presente em nosso país, veio a fome, muitos que perderam tudo foram morar na rua.

Sem planejamento para enfrentar o caos, o presidente e seus colaboradores, inclusive o Ministro da Saúde que não era médico, passaram a minimizar a doença, dizendo que logo ia passar, que era apenas uma gripezinha, comprando e incentivando as pessoas a tomar a tal de cloroquina e seus derivados, sem nenhuma comprovação científica. E com isso brasileiros foram morrendo até chegarmos à cifra de 620 mil vidas perdidas.

No fim de 2020 veio a vacina para nossa esperança ser renovada, estávamos salvos. Mas veio a incompetência e ignorância do governo, criando todos os obstáculos para rejeitar a vacina, quando a obrigação do presidente da República era ser o primeiro a tomá-la como exemplo para os seus governados.

E foi com grande dificuldade, com idas e vindas dos especialistas do Butantan, até a Anvisa, para que fosse liberada a vacina Coronavac, de um laboratório da China, para vacinação contra a doença, para todos os brasileiros.

O governo resistiu por muito tempo em comprar vacinas, principalmente a Coronavac, e por questões políticas se perdeu muito tempo. O Governador de São Paulo se antecipou e comprou a vacina Coronavac. Vê-se aí a falta de humanidade do presidente, sendo que o importante naquele momento era a vacina, para conter a doença, que já tinha feito estragos demais.

Mas com a perseverança dos cientistas do Butantan, a primeira vacina Coronavac foi aplicada numa enfermeira de São Paulo, e com outras vacinas logo a maioria dos brasileiros se propôs a tomá-la. Apesar da resistência do presidente contra a mesma, dizendo todo tipo de impropérios, fomos adiante. Neste início de 2022 estamos melhores, mas não totalmente salvos desse vírus assassino.

Mas agora é a vez de vacinar os pequenos de 05 a 11 anos para protegê-los, mas o presidente e seu atual Ministro de Saúde, por implicância, estão exigindo a autorização dos pais e um atestado médico para vaciná-los, uma atitude ignorante.

Gostaria que o Presidente da República desse uma olhada na história do Brasil Império, quando D. João VI, em 1817, perdeu seu primeiro filho D. José, herdeiro do trono, infectado pela varíola. Foi quando criou a Junta Vacínica contra a doença que assolava o país e mandou que se vacinassem todas as crianças. Desde 1817 vacinavam-se todas as crianças do Rio de Janeiro. D. João VI, imperador do Brasil no século 19, era mais sábio do que o nosso presidente atual.

O que devemos esperar para 2022? Dias melhores, com saúde, o maior bem que temos na vida.

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