DESPEDIDA

Sem rumo, 13 camelôs deixam a praça que os sustentou durante anos

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Higor Goulart/GCN
Huli Cristina Alves:  'Hoje se encerra uma fase da minha vida'
Huli Cristina Alves: 'Hoje se encerra uma fase da minha vida'

Para grande parte da população, a mudança de ano é encarada como um período de renovações positivas na vida. Não foi o que aconteceu com um grupo de 13 comerciantes irregulares das barraquinhas da praça Dom Pedro II. Esta quarta-feira, 5, marca a data em que eles tiveram que retirar suas barraquinhas e produtos do local onde trabalharam durante muito tempo.

Rafael Mendonça Cunha, de 32 anos, está na praça há 15 anos. É quase a metade de sua vida vendendo brinquedos. História essa que, para ele, será manchada por conta da saída obrigatória. “É um sentimento de tristeza, por ter planejado 15 anos e ter agora que sair e nem olhar para trás. Sinto que é um sentimento de desprezo do prefeito Alexandre Ferreira”.

No mesmo ramo, também vendendo brinquedos, Huli Cristina Alves, de 28 anos, lamenta que terá que abandonar o seu sustento. O local foi uma espécie de "refúgio" para ela e a família. “Hoje se encerra uma fase da minha vida, que eu jurei que nunca se encerraria tão rápido. A praça do Itaú foi meu refúgio e sustento da minha casa nesses tempos de pandemia. Sair de lá está sendo muito difícil para mim, mesmo sabendo que nunca deixamos de lutar e correr atrás”.

A briga para permanecer no local foi intensa: presença em sessões da Câmara Municipal, plantão na Prefeitura Municipal e frequentes idas à Vigilância Sanitária. Tudo isso para conseguir o tão almejado alvará. Em nenhuma delas houve sucesso.

A única conquista foi a prorrogação do prazo para que pudessem deixar o local. Inicialmente, a retirada estava programada para o dia 5 de dezembro. Insistindo que isso os prejudicaria, já que o melhor período para vendas é justamente o final de ano, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) prorrogou a data. “Nosso pedido inicial era de que pudéssemos ficar até dia 31. Mas, o pedido central era de regularização, que foi promessa dele de campanha”, relembrou Rafael.

As vendas de fim de ano não foram tão boas quanto se esperava. Os 13 irregulares ainda mantêm uma grande quantidade de peças em estoque. Rafael estima ter mais de R$ 7 mil armazenados. “Tenho bastante caixas fechadas, já que estamos nos planejando desde o começo do ano. Será um prejuízo que eu terei que arcar”.

Huli também afirma não ter tido muito sucesso nas vendas de Natal e Ano Novo. “O fim de ano não foi como eu esperava. Ainda tenho mercadoria para vender e estou postando nas redes sociais, mas está difícil. Com emprego já estava complicado, e agora vai ficar mais ainda”, lamentou.

Praça Dom Pedro II: 75 barracas continuarão no local

Futuro da Praça

De 106 barraquinhas instaladas na Praça Dom Pedro II, 75 foram consideradas regulares pela Vigilância Sanitária. Sendo assim, essas seguirão trabalhando normalmente. Uma revitalização do espaço, inclusive, está sendo programada pela Prefeitura de Franca. Entre os irregulares, 18 deixaram o local assim que foram considerados inaptos, porém 13 persistiram na tentativa de regularização, alimentando a esperança de continuar.

Segundo a Vigilância Sanitária, não há previsão para início do projeto, que ficará por conta da Secretaria de Obras. As barraquinhas autorizadas serão retiradas e retornarão ao final da reforma.

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