MERCADO IMOBILIÁRIO

Apesar da alta procura por terrenos, preços devem se manter estáveis

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Obra de implantação do residencial Quinta D’Aurora, na região Oeste de Franca
Obra de implantação do residencial Quinta D’Aurora, na região Oeste de Franca

O valor do metro quadrado dos lotes de terrenos em Franca está estabilizado e assim deve permanecer nos próximos meses de 2022. O comportamento do mercado será este, mesmo diante de uma demanda aquecida no setor, já que na outra ponta da balança pesa a redução do poder de compra do consumidor.

A avaliação é de Jorgito Donadelli, vice-presidente da Alfa (Associação dos Loteadores e Empreendedores Imobiliários de Franca) e diretor institucional da Aelo (Associação das Empresas Loteadoras e Empreendedoras Imobiliárias) de Franca e Região.

Com a forte inflação como “vilã”, os consumidores assistem à sua capacidade financeira derreter e o poder de compra que um dia tiveram se esvair, forçando o setor imobiliário a se movimentar em busca de saídas que possibilitem o equilíbrio do mercado.

Para Donadelli, esse caminho passa por atualizações na legislação local, o que o setor vislumbra para 2022. “Precisamos da diminuição no tamanho mínimo do lote que pode ser vendido em Franca. A legislação federal fala que o lote mínimo pode ter 125 metros quadrados, enquanto em Franca tem de ser de 160 metros quadrados. Se a Prefeitura nos permitir fazer lotes menores, continuaremos oferecendo lotes para o consumidor final, mas com ticket médio menor”, disse.

Jorgito Donadelli, da Alfa, analisa o mercado de lotes e faz projeções para o próximo ano | Foto: Calão Jorge/Divulgação

Menos burocracia e aprovações mais rápidas também são bem-vindas para o setor, já que reduzir as margens de lucro, diz o empresário, é algo que indiretamente já foi feito. “As obras dos loteamentos encareceram, temos um empreendimento em andamento em que os custos estão 40% mais caros, em alguns itens chegou a ficar 70% mais caro, e nós não conseguimos subir proporcionalmente o valor do lote. O consumidor não conseguiria absorver”, afirmou.

O cenário atual descrito por Donadelli é o que vai se desdobrar na manutenção da estabilidade dos preços dos lotes em 2022. “Já há uma estabilização no preço de lotes, porque o poder aquisito do consumidor está limitado. Se tiver uma oferta maior de lotes, a tendência é que o preço caia. Mas não acredito nem que o preço vá cair nem que vá subir. Vamos ter um período de estabilização por conta de todo esse cenário. Franca tem demanda grande, o que faria com que o preço pudesse subir, mas o poder aquisitivo do consumidor está degradado por conta da inflação.”

Pesquisa

Uma pesquisa desenvolvida pela Brain Inteligência Estratégica - portal de conteúdos sobre inteligência de mercado - em parceria com a Aelo e o Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), publicada neste mês de dezembro, mostra que, em Franca, o metro quadrado de lotes abertos custa, em média, R$ 640, enquanto o valor médio dos lotes nas 14 regiões avaliadas do Estado de São Paulo é de R$ 530.

“Eu atribuo (o valor maior) à pouca oferta. A demanda muito alta por terrenos em Franca é histórica. É uma cidade de trabalhadores, com rendas distribuídas. Tem muita gente que tem condições de comprar um lote popular. Por conta de toda a burocracia, a aprovação mais lenta do que a demanda, isso é um dos fatores que faz o lote valorizar também. O que faz os preços subirem é quando a demanda é alta”, disse Donadelli.

Nos lotes fechados, a diferença do preço em Franca em relação à média estadual é menor: enquanto por aqui a pesquisa indica o preço de R$ 484, a média estadual ficou em R$ 434.

O levantamento aponta os resultados do terceiro trimestre do ano sobre o mercado de loteamentos.

A pesquisa mostra ainda que, assim como em Franca, a despeito do achatamento das rendas, a busca por lotes segue aquecida em todo Estado, comportamento que, explica Donadelli, passa por questões culturais e econômicas do consumidor.

De janeiro a setembro de 2019, antes da pandemia, foram vendidas 28,4 mil unidades nessas 14 regiões. Em 2021, no mesmo período, foram comercializadas 33,5 mil, traduzindo uma alta de quase 18%.

“Terreno é um imóvel que é um porto seguro. Quando se compra uma casa, ela precisa de manutenção, é imóvel perecível que em algum momento vai perder valor se você não cuidar, o apartamento a mesma coisa. Terreno é uma forma de guardar dinheiro sem ter um custo tão grande. Também tem a ver com a nossa cultura de sempre pensar que a terra é um patrimônio garantido”, afirmou o representante da Alfa.

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