Após três anos em queda, o número de assassinatos em Franca aumentou em 2021. Além de um aumento de 56% em relação a 2020, o ano recém terminado se tornou ao lado de 2017 o mais violento desde 2004 na cidade, quando foram registrados 29 crimes, segundo a Secretaria de Segurança Pública. O crime contra mulher também foi maior que no ano anterior. Três mulheres foram covardemente mortas por seus companheiros.
Um levantamento feito pelo portal GCN mostra que de janeiro a dezembro foram registrados 25 homicídios. O mês de agosto foi o mais violento, com cinco casos assustaram os moradores de Franca. Desses, quatro foram registrados na zona Sul da cidade – dois no Jardim Aeroporto; um no Jardim Lima; e um no Parque Universitário.
Em todo o ano, os moradores da cidade acompanharam crimes causados pelas mais variadas razões: acerto de contas; tráfico de drogas; briga; ciúmes; o não aceitamento do fim de um relacionamento; ocorrências policiais; e até briga entre familiares.
Esse foi o caso do dia 10 de setembro, quando Diego de Oliveira Batista, de 29 anos, foi morto pela prima, no Recando Elimar.
Cinco dias depois do crime a assassina se apresentou na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), onde informou que matou o primo para defender seu pai, que estava sendo agredido. A mulher foi indiciada por homicídio e responde o crime em liberdade.
O especialista em Segurança Pública Guelfo Pescuma Júnior associa o aumento dos crimes ao tráfico de drogas e brigas, além da aproximação que todas as pessoas tiveram de ter por conta da pandemia da covid-19.
"As pessoas precisaram se aproximar mais por causa da pandemia. Mas essa aproximação, principalmente do ano passado para cá, juntou as pessoas dentro de casa e, de certa forma, levou que as pessoas tivessem um relacionamento que não tinham no passado. Poderiam ser amigos, casado, namorados, etc., mas não tinha esse nível de convivência. Não tinha o dia a dia todo dia. E aí, muito das vezes, não acontece o que as partes gostariam que acontecesse.”
Quinze dos crimes foram praticados com arma de fogo; nove com objeto perfurocortante, como faca e facão, e um a pauladas.
Homicídios envolvendo policiais militares
Em meio às mortes, Franca registrou cinco casos de homicídios envolvendo policiais militares – três com os policiais em serviço e dois, em dias de folga. Dois casos chocaram a cidade e dividiram opiniões.
No dia 2 de fevereiro, Alan Diego, 23, foi morto durante uma abordagem policial no pontilhão da Vila São Sebastião. Ao menos 18 tiros foram disparados pelos policiais militares no dia da morte de Alan. O caso segue sendo apurado pela Polícia Civil.
Já no dia 20 de outubro, Jean Aparecido Santos, 24, durante um surto psiquiátrico, foi morto no São Domingos. O jovem já estava algemado, quando os disparos feitos pelo policial o atingiram. O policial militar chegou a ficar preso, mas atualmente responde pelo crime em liberdade. O inquérito ainda está nas mãos da Polícia Civil.
Os casos envolvendo policiais militares em folga também assustaram os moradores de Franca. O primeiro aconteceu em agosto, quando Douglas Aparecido Miquelino, 36, foi baleado nas costas por um policial que estava na companhia de uma moça no Parque Universitário. Apesar de ter descarregado a arma contra o caseiro, o policial militar responde pelo crime em liberdade.
O último e mais recente caso envolvendo policial militar aconteceu no dia 11 de novembro, quando Thábata Gonzales, 34, foi morta com um tiro na cabeça pelo seu companheiro, cabo Teixeira. Depois do crime, o assassino fugiu, mas se apresentou no dia seguinte na delegacia. Em dezembro, ele teve sua prisão preventiva decretada e responde pelo crime na cadeia.
Casos em investigação
Grande parte dos registros de assassinatos já foi parcialmente esclarecida pela Polícia Civil. Dos 25 casos, 17 já tiveram os autores identificados e indiciados. Mas alguns ainda dão trabalho para os investigadores da DIG.
Um dos casos é o do contador Alexsander Silva Terêncio, 45, que foi executado no dia 11 de maio, durante o dia, em seu escritório, no Jardim Redentor. Câmeras de segurança flagraram a ação dos bandidos que soltaram fogos de artifício para que populares não percebessem o barulho dos tiros.
Outro caso é o do Jeferson Alexandre Nascimento, 29, que foi executado com vários tiros durante a noite de 8 de agosto, no Jardim Aeroporto. O crime também foi registrado por câmeras de segurança e mostra o carro que a vítima conduzia ser fechado por outro veículo. Três homens fortemente armados saíram do carro e mataram Jeferson.
O caso é investigado, mas somente o carro que os criminosos usaram foi localizado. Jeferson teria envolvimento com o crime organizado e uma das suspeitas é que brigas de facções podem ter sido o motivo do crime.
Feminicídios
Os números de mortes envolvendo mulheres aumentou 50% em Franca. Além de Thábata, morta pelo policial, outras duas mulheres foram vítimas das pessoas que deveriam protegê-las.
No dia 11 de julho, Maria Lúcia de Jesus,53, foi morta a facadas pelo marido, depois de uma discussão no bairro Santa Efigênia. Já em agosto, Maria Luci de Oliveira, 70, foi a vítima no Jardim Lima. Ela também foi esfaqueada.
No caso do Santa Efigênia, o assassino foi preso em flagrante pela Polícia Militar. No do Jardim Lima, após matar sua companheira, o homem se matou.
Junto com o aumento de mortes contra mulher, outro registro feito foi o aumento de medidas protetivas. Somente de janeiro a junho, 198 medidas foram expedidas.
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