Um cortejo de lanchas, canoas, jet-skis e outras embarcações está programado para este domingo, segundo dia do ano, e promete causar uma movimentação diferente nas águas da represa Jaguara, em Rifaina.
A AARR (Associação dos Amigos da Represa de Rifaina) prepara uma manifestação para as 10 horas, em frente à prainha, para protestar contra uma possível ampliação das atividades da Fider Pescados, empresa do Grupo MCassab, que utiliza fazendas aquáticas para a criação de tilápias na represa.
“Estamos convidando a população de um modo geral, os turistas, os rancheiros e todas as pessoas que amam a represa de Rifaina. A MCassab está ampliando a produção de peixes em tanque-rede, o consumo de ração para alimentá-los é muito grande e, consequentemente, os detritos e as fezes são muito grandes também, o que polui o rio”, explica Neto Bozelli, presidente da AARR.
A associação reclama que a empresa amplia sucessivamente sua atuação, o que também estaria reduzindo o leito navegável da represa. “Sobrou um pequeno espaço do lado de Minas Gerais, impedindo a navegação, mas o maior problema é o tanto de poluição que gera”, disse Bozelli.
Segundo ele, a AARR não é contra a presença da MCassab, reconhece que ela gera empregos e receita para a região, mas discorda de qualquer ampliação. “Se ela mantivesse a fazenda na represa no mesmo tamanho, não teria problema, mas ela a ampliou há um ano e meio e, agora, já colocou boias no braço Bom Jesus do rio (para ampliar), impedindo a navegação lá e vai poluir demais”, afirmou.
A posição da empresa
A Fider Pescados atua naquela região há 12 anos e, em resposta sobre haver ou não a intenção de entrar em um acordo com a Associação e evitar o protesto, a empresa disse, por meio de sua assessoria, que “é amiga de Rifaina e respeita todas as manifestações”.
A empresa disse que monitora sua produção, respeita a capacidade de suporte do reservatório e a qualidade da água e confirma que planeja sua expansão em outros reservatórios num futuro próximo, preservando a operação do frigorífico e a geração de empregos em Rifaina e região.
A Fider cita ainda que a qualidade da água da represa é ótima e que avaliações periódicas feitas nos últimos 12 anos por certificadora acreditada confirmam isso.
A empresa afirmou também que obedece a legislação federal e estadual e dispõe de todas as licenças exigidas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para produção de até 19,2 mil toneladas de peixes por ano na represa Jaguara.
“A capacidade total de produção da represa é de 24 mil toneladas/ano, como definido pela ANA (Agência Nacional de Águas) com base em metodologia científica que considera o volume do reservatório e o fluxo de água e a represa de Jaguara tem 34,6 quilômetros quadrados de água. O projeto da Fider utiliza menos de 1% dessa área”, afirmou em comunicado.
A empresa citou também que em seu tempo de atuação em Rifaina investiu mais de R$ 200 milhões na cidade e programa investimentos de mais R$ 50 milhões. Sobre a geração de empregos, disse que gera 520 empregos diretos e mais de 2.500 indiretos em Rifaina e nas cidades vizinhas e que 100 novos empregos serão gerados em 2022.
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