RIFAINA

Rancheiros protestam contra ampliação de tanques de peixes na represa Jaguara

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Prefeitura Municipal de Rifaina
Manifestação está marcada para as 10h deste domingo, 2, na prainha de Rifaina.
Manifestação está marcada para as 10h deste domingo, 2, na prainha de Rifaina.

Um cortejo de lanchas, canoas, jet-skis e outras embarcações está programado para este domingo, segundo dia do ano, e promete causar uma movimentação diferente nas águas da represa Jaguara, em Rifaina.

A AARR (Associação dos Amigos da Represa de Rifaina) prepara uma manifestação para as 10 horas, em frente à prainha, para protestar contra uma possível ampliação das atividades da Fider Pescados, empresa do Grupo MCassab, que utiliza fazendas aquáticas para a criação de tilápias na represa.

“Estamos convidando a população de um modo geral, os turistas, os rancheiros e todas as pessoas que amam a represa de Rifaina. A MCassab está ampliando a produção de peixes em tanque-rede, o consumo de ração para alimentá-los é muito grande e, consequentemente, os detritos e as fezes são muito grandes também, o que polui o rio”, explica Neto Bozelli, presidente da AARR.

A associação reclama que a empresa amplia sucessivamente sua atuação, o que também estaria reduzindo o leito navegável da represa. “Sobrou um pequeno espaço do lado de Minas Gerais, impedindo a navegação, mas o maior problema é o tanto de poluição que gera”, disse Bozelli.

Segundo ele, a AARR não é contra a presença da MCassab, reconhece que ela gera empregos e receita para a região, mas discorda de qualquer ampliação. “Se ela mantivesse a fazenda na represa no mesmo tamanho, não teria problema, mas ela a ampliou há um ano e meio e, agora, já colocou boias no braço Bom Jesus do rio (para ampliar), impedindo a navegação lá e vai poluir demais”, afirmou.

A posição da empresa

A Fider Pescados atua naquela região há 12 anos e, em resposta sobre haver ou não a intenção de entrar em um acordo com a Associação e evitar o protesto, a empresa disse, por meio de sua assessoria, que “é amiga de Rifaina e respeita todas as manifestações”.

A empresa disse que monitora sua produção, respeita a capacidade de suporte do reservatório e a qualidade da água e confirma que planeja sua expansão em outros reservatórios num futuro próximo, preservando a operação do frigorífico e a geração de empregos em Rifaina e região.

A Fider cita ainda que a qualidade da água da represa é ótima e que avaliações periódicas feitas nos últimos 12 anos por certificadora acreditada confirmam isso.

A empresa afirmou também que obedece a legislação federal e estadual e dispõe de todas as licenças exigidas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para produção de até 19,2 mil toneladas de peixes por ano na represa Jaguara.

“A capacidade total de produção da represa é de 24 mil toneladas/ano, como definido pela ANA (Agência Nacional de Águas) com base em metodologia científica que considera o volume do reservatório e o fluxo de água e a represa de Jaguara tem 34,6 quilômetros quadrados de água. O projeto da Fider utiliza menos de 1% dessa área”, afirmou em comunicado.

A empresa citou também que em seu tempo de atuação em Rifaina investiu mais de R$ 200 milhões na cidade e programa investimentos de mais R$ 50 milhões. Sobre a geração de empregos, disse que gera 520 empregos diretos e mais de 2.500 indiretos em Rifaina e nas cidades vizinhas e que 100 novos empregos serão gerados em 2022.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários