PERFIL

Hugo Marangoni se aposenta da Faculdade de Direito após quase cinco décadas

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Acervo FDF
Hugo Marangoni: 'sempre fui um funcionário que vestiu a camisa da faculdade, vivia mais lá do que na minha casa'
Hugo Marangoni: 'sempre fui um funcionário que vestiu a camisa da faculdade, vivia mais lá do que na minha casa'

Enquanto o presidente Emílio Garrastazu Médici inaugurava a Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro, em 4 de março de 1974, Hugo José Marangoni dava expediente havia três dias na Faculdade de Direito de Franca.

Durante os anos de trabalho na empresa, ele assistiu à imprensa noticiar o nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978; o movimento político Diretas Já, na década de 80; e o Brasil ser tetracampeão da Copa do Mundo, em 1994, entre outros fatos importantes.

E foi ainda durante expediente no mesmo emprego que ele viveu acontecimentos históricos mais recentes, como a instalação da pandemia de Covid-19, no ano passado. Em 2021, Marangoni pode incluir o próprio nome na lista de fatos marcantes da vida: após quase 48 anos de serviços prestados em uma das instituições de ensino mais tradicionais de Franca, ele se prepara para se aposentar, junto com o apagar das luzes do ano, em 31 de dezembro.
 
A porta de entrada na FDF para ele foi o trabalho noturno como almoxarife, aos 24 anos. À época, jovem, solteiro e sem filhos, ele dividia a atividade com outra, esta diurna, no setor contábil da empresa Calçados Palermo. “Depois, em 1975, passei a trabalhar integralmente na faculdade e sempre atuei exclusivamente lá, até hoje”, disse.
 
Marangoni conta que trabalhou durante a gestão de 10 dos 11 diretores que geriram a FDF desde a sua fundação, em 1958, e que foi “pelas mãos” de um deles, Flávio Fernandes Teixeira, que foi promovido ao cargo de secretário em 1990. “Como almoxarife eu sempre ajudava os outros setores. Em 1990, o secretário ficou doente e se afastou. Então, o doutor Flávio, através de uma portaria, me promoveu para trabalhar na secretaria, onde fico até 31 de dezembro deste ano”, afirmou.
 
Durante as quase cinco décadas de trabalho, Marangoni se casou (com Terezinha Malta Marangoni, em 1977) e teve a satisfação de ver dois de seus três filhos receberem diplomas da instituição que lhe deu emprego, orgulho e muitos laços de afeto.
 
Aos 72 anos e avô de cinco crianças com idades entre 3 meses e 10 anos, ele conta que a opção pela aposentadoria foi uma decisão “relativamente fácil”. “Eu queria descansar, poder ficar mais com meus netos e foi a decisão mais certa para mim e para a faculdade, que colaborou demais comigo na empreitada do desligamento”, diz.
 
Entusiasmado com a expectativa do descanso, o agora quase ex-funcionário expressa gratidão pelos anos trabalhados e pelas conquistas. “A FDF significa muito, passei minha vida lá. Entrei com 24 anos e estou com 72, mais da metade da vida passei lá. Sempre fui um funcionário que vestiu a camisa da faculdade, vivia mais lá do que na minha casa.”
 
Homenagens
Sua história de vida se mistura com a da própria instituição. Sua atuação de praticamente meio século torna impossível a missão hipotética de encontrar alguém que seja ou tenha sido professor, funcionário ou aluno que não tenha tido contato com o “eterno secretário”, como muitos já o chamam.
 
Não por acaso, desde que sua aposentadoria foi anunciada, ele está recebendo diversas homenagens de alunos, ex-alunos, professores, funcionários e da própria instituição, que publicou um texto sobre a despedida do secretário querido por tantos.
 
“Despede-se de forma nobre, honrosa e com muito carinho de todos os colaboradores. Pelos olhos e pelas mãos de Hugo, a FDF se transformou, cresceu e se tornou referência nacional em direito. É inegável e imensurável a participação do Hugo em nossa história e lhe seremos eternamente gratos pelos 48 anos de contribuição à Faculdade de Direito de Franca. Hugo, desejamos que você aproveite essa nova etapa de sua vida e lembre-se de que estaremos sempre aqui, para você. Nosso muito, muito obrigado pelo compromisso, pela ética e pela confiança em nossa instituição”, publicou a FDF.
 
Professor da faculdade há 29 anos, o advogado Antônio Moraes Junior, também o homenageou. “Presto minhas homenagens e dou meu testemunho àquele que tanto serviu e contribuiu para que nossa faculdade alcançasse o prestígio de que desfruta. Querido Hugo, você fez a diferença e fará muita falta. Seja muito feliz nesta nova etapa de sua vida”, disse.
 
Emocionado com o reconhecimento, Marangoni se despede da vida profissional. “Fico muito orgulhoso e envaidecido. Tem sido muito gratificante receber essas homenagens sinceras”, afirma.
 
 
 
 

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