MENORES NOS SEMÁFOROS

Padre Lancellotti diz que é preciso construir proposta aos menores nas ruas por meio de vínculo com eles

Por Melissa Toledo | Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Redes Sociais
Padre Júlio Lancellotti: 'Não adianta você fazer propostas para alguém se você não tem nenhuma vinculação com a pessoa'
Padre Júlio Lancellotti: 'Não adianta você fazer propostas para alguém se você não tem nenhuma vinculação com a pessoa'

Conhecido por sua atuação como ativista pelos direitos humanos, o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo na Arquidiocese de São Paulo, disse em entrevista ao GCN que um caminho possível para buscar uma solução para a questão dos adolescentes que se concentram nos semáforos para limpar para-brisa de carros e eventualmente se envolvem em conflitos com motoristas é construir uma proposta com eles, não para eles.

“O melhor caminho é sentar com eles e construir uma proposta com eles, estabelecendo algum vínculo. Precisa ter alguém que tenha uma relação com eles, uma relação não burocrática, institucional, mas de proximidade pessoal”, disse, completando: “Esses jovens, nessa faixa etária (adolescentes), prezam muito, como todos nós, a liberdade. Eles fazem uma experiência de liberdade, mas de uma forma que não é impossível de você estabelecer vínculos. Não adianta você fazer propostas para alguém se você não tem nenhuma vinculação com a pessoa”.

O religioso, que faz de seu perfil no Instagram, onde soma mais de 876 mil seguidores, ferramenta de luta contra situações em que ele detecta que os direitos humanos estão sendo violados, disse que é fundamental não tratar as pessoas como inimigos nem com hostilidade. 

Segundo ele, grupos de acadêmicos podem se unir em torno do desenvolvimento de soluções pensadas coletivamente. “Não adianta por polícia e repressão em cima. Franca tem universidades, pedagogos, educadores. Não é uma aldeia. É uma cidade que é um centro universitário. É uma cidade que tem um lastro cultural grande, que pode reunir um grupo de educadores para fazer uma ação com eles, e não para eles. Não adianta chegar lá com um pacote pronto”, afirmou.

Lancellotti recentemente citou Franca em pelo menos três publicações em sua conta na rede social. Ele trava uma luta contra o que ele classifica como “aporofobia” – aversão ou fobia em relação a pessoas pobres.

Na ocasião, padre Júlio reproduziu foto de uma placa instalada na entrada de uma padaria, que orienta os clientes a não darem esmolas, e criticou a atitude da Sé Catedral Nossa Senhora da Conceição de Franca em instalar grades de ferro em seu entorno (leia aqui).

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