O que você faria com R$ 40 milhões? Este é o valor necessário estimado pela Prefeitura para recuperar as ruas e avenidas tomadas por buracos em Franca. A quantia, porém, é bem acima dos R$ 6,8 milhões gastos pelo município em serviços de tapa-buraco (R$ 4.960.693,51) e recapeamento (R$ 1.873.156,70) em 2021.
Segundo a Prefeitura, 2.262 ruas e avenidas receberam reparos este ano. Algumas vias receberam os serviços em trechos e ocasiões diferentes. As avenidas Presidente Vargas, Hélio Palermo e William Azzuz foram algumas das contempladas. Já o recapeamento foi realizado em trechos de 15 vias. Entre elas, as ruas General Carneiro, Marechal Deodoro e Voluntários de Franca.
A alta demanda, aliado ao custo do trabalho, dificulta a resolução do problema, segundo a administração municipal. O cálculo é de que aproximadamente 200 vias precisam ser atendidas em toda a cidade.
Considerando o orçamento mais recente, acrescido do BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), o M3 de remendo custa R$ 1.532,87, enquanto o M2 de recapeamento custa R$ 43,53. Projetando-se esses custos, junto com demais itens, a prefeitura calcula em R$ 40 milhões o dinheiro em caixa necessário para tocar os serviços ao longo do ano.
“Para a operação tapa-buracos são utilizados recursos próprios do orçamento municipal. Já para o recapeamento, foram firmados convênios com o governo estadual, além de recursos próprios da Prefeitura”, explica o secretário de Planejamento Urbano, Nicola Rossano.
De Norte a Sul, a população questiona a qualidade das vias públicas e, principalmente, o excesso de buracos. Um problema carregado pelas últimas administrações, que caberá ao prefeito contornar nos próximos três anos de governo.
A Prefeitura orienta aos moradores que estão passando por problemas com buracos que envie sua reclamação no WhatsApp (16) 99999-8480 (TAPEZAP). O tempo médio de espera prometido para o atendimento é nove dias.
Reclamações
O excesso de buracos transformou as ruas e avenidas de Franca em campo minado. Para Veronica Aline de Souza, de 34 anos, o desafio começa quando tenta retirar o automóvel da garagem. “Um buraco na porta da minha casa, fica bem em frente à minha garagem, não está tendo condições de entrarmos e sairmos com o carro. Já ralei tudo o para-choque do meu veículo, porque está sem condições mesmo”, conta a pespontadeira.
Verônica reclamou a Prefeitura em duas oportunidades, mas sem sucesso. Coube ao marido Wesley Charles Teodoro, de 38 anos, colocar pedras no buraco para tentar minimizar o impacto. “O buraco era menor e com a chuva só veio aumentando. Agora está praticamente tomando minha calçada inteira”. O caso foi registrado na rua Jupira Marcondes Cunha, no Jardim Petráglia.
Buraco na rua Jupira Cunha Marcondes, no Jardim Petráglia
Para Luís Felipe Torres, de 19 anos, o excesso de remendo comprometeu a rua Manuel de Freitas, na Vila Tótoli. A via precisa ser recapeada urgentemente. “Está bem difícil de locomover nela. Essa rua é muito importante para o bairro e não pode ficar assim. Alguma coisa precisa ser feita”.
Em fevereiro deste ano, o portal GCN recebeu 20 reclamações de moradores sobre as condições das ruas do município. As denúncias foram realizadas por ouvintes da rádio Difusora AM 1030 kHz durante a programação.
A região Norte foi a campeã de reclamações. Ao todo, onze ruas receberam queixas. Entre elas, as ruas Dr. Célio Garcia, no Jardim Redentor, e Maria Garcia Martins Torres, no Parque Vicente Leporace. Em situação oposta, na região Sudeste a única reclamação foi sobre a rua Cesário João Careta, no Jardim Ângela Rosa.
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Já custou vidas
Os buracos nas ruas e avenidas de Franca já causaram prejuízos materiais, acidentes e até mortes. Um dos casos mais emblemáticos aconteceu no dia 24 dezembro de 2019. Lucimar Barbosa, de 52 anos, caiu de moto em um buraco na rua Angélica Gomes Faleiros, no Residencial Primo Meneghetti. Com a queda, a motociclista bateu a cabeça e sofreu um traumatismo craniano.
Lucimar ficou internada no hospital São Joaquim/Unimed, onde recebeu alta no dia 27 de dezembro. “Tinham que liberar para não pegar infecção”, disse a sobrinha, Cris Andreia, em entrevista ao portal GCN em fevereiro de 2020.
Em estado vegetativo, Lucimar recebeu tratamento domiciliar. A mulher estava acamada quando, segundo os familiares, faleceu. Lucimar Barbosa morreu na manhã do dia 31 de janeiro de 2020. O buraco foi tapado dois dias após o acidente.
No mesmo período, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, o portal GCN noticiou seis acidentes envolvendo buracos nas ruas de Franca. Um ciclista caiu na rua General Carneiro, na região central, no dia 15 de janeiro.
Um dia depois, uma mulher de 20 anos, voltava do trabalho pela avenida Dom Pedro l, no Parque Moema, quando caiu em um buraco com sua motocicleta e teve vários ferimentos. Na mesma avenida, uma farmacêutica de 24 anos virou estatística ao desequilibrar de sua moto, no dia 20. A lista continua.
Em apenas um mês, o Portal GCN divulgou 6 acidentes de pessoas que caíram em buracos
Recentemente, na noite da última terça-feira, 14, Gisele Neves furou o pneu de seu carro Ford Fiesta ao passar em uma cratera. O caso aconteceu em frente ao Clube da Polícia Militar, na rua Jerônimo Guido Menezes, no Jardim Aeroporto ll. “Chovia muito na hora e o local tem a iluminação ruim. Não consegui ver, passei no buraco e já tive que encostar o carro para ver o que houve”, explica Gisele.
Pneu furado após passar por dois buracos na rua Jerônimo Guido Menezes
O que diz a prefeitura
Em seu plano de governo, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) disse que iria reestruturar o Tape Zap para atender à demanda de buracos espalhados pelas ruas e avenidas da cidade e manteria o projeto de recapeamento municipal em todo o perímetro urbano.
A reportagem questionou a Prefeitura sobre o valores que serão investidos nos programas de recapeamento e tapa-buracos em 2022 e até 2024, mas até o fechamento deste texto não obteve resposta. Caso o Poder Público envie as informações solicitadas, este texto poderá ser atualizado.
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