VERÃO

Viroses são mais comuns no verão, alertam especialistas; veja as dicas de prevenção

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Lavar as mãos constantemente é uma das formas de se evitar a contaminação
Lavar as mãos constantemente é uma das formas de se evitar a contaminação

Um corpo cansado, com estômago “embrulhando” e o intestino solto. Calma, não estamos falando de você. Pelo menos, não só de você. Quadros de gastroenterites são mais comuns nesta época do ano e, embora, segundo redes de saúde locais, não se possa dizer que há um surto em andamento em Franca, difícil quem não tenha sentido os sintomas ou presenciado alguém próximo sofrendo com eles recentemente.

As gastroenterites são inflamações que atingem os órgãos do sistema gastrointestinal, com sintomas que variam em cada pessoa. Em geral, o início é súbito, com mal-estar geral, prostração, náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia.

Especialistas ouvidos pela reportagem disseram que quadros de gastroenterites são mais frequentes no verão – ou “quase verão” –, com uma série de outros fatores associados. É o que diz, por exemplo, a médica clínico-geral do sistema Hapvida Brunna Freire.

“Realmente há um aumento no número de casos neste período de maior calor, podendo ter diversos fatores relacionados, desde o aumento da circulação de pessoas e aglomerações em espaços limitados, bem como a maior proliferação dos agentes patológicos no calor. Em uma superfície mais quente, num ambiente mais quente, aumenta a proliferação bacteriana e o nível de contaminação de alimentos”, disse.

Pediatra da Unimed Franca, Fernando Tritto cita hábitos mais comuns nesta época do ano que podem facilitar o contágio. “Ambientes mais utilizados no verão e com alta frequência de pessoas, como piscinas e mar, são grandes facilitadores do contágio”, disse.

Segundo ele, a gravidade da gastroenterite infecciosa varia conforme o agente etiológico e é mais agressiva em pessoas com o sistema imunológico comprometido. “Assim, crianças de 0 a 5 anos, idosos e imunocomprometidos são o grupo mais vulnerável à infecção”, disse ele.

Segundo ele, é mais habitual que gastroenterites tenham origem em vírus, mas podem também ser bacterianas. “A maioria das gastroenterites é causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados com vírus, como Adenovírus, ou até Rotavírus, Norovírus e, em menor frequência, por bactérias, como por exemplo a Salmonella, Shigella, Campylobacter, E.coli, entre outros patógenos”, afirmou.

A parte boa, se é que há alguma, é que se trata de um quadro com duração limitada a um curto espaço de tempo, de acordo com a médica da Hapvida. “Na maior parte das vezes, essas gastroenterites são quadros autolimitados, que tendem a se resolver de três a cinco dias. Até lá, recomendamos a ingestão de líquidos, o aumento do consumo de água, sucos, chás e água de coco e o uso de soro de reidratação oral”, disse, completando que probióticos também são benéficos para uma melhora do quadro.

“É importante ainda que não se use medicação que cesse a diarreia de uma vez, são as loperamidas. Caso tenha quadro febril, tem os antitérmicos, e tem os analgésicos para dores no corpo, dores de cabeça e na barriga”, finalizou.

Para tentar fugir do problema, é importante saber que tais vírus são altamente contagiosos e muitas infecções ocorrem por via oro-fecal. Uma forma de prevenção, segundo Fernando Tritto, é redobrar os cuidados com a higiene para que pessoas que convivem juntas com alguém que esteja contaminado não sejam também afetadas. “Lavar as mãos constantemente após episódios de vômitos e diarreia, evitar compartilhar utensílios de cozinha, copos e contato muito próximo com um familiar com virose”, disse.

Não há surto

Segundo a Secretaria de Saúde local, não há nenhuma evidência que permita afirmar que haja um surto de virose na cidade. A Vigilância Epidemiológica informou que está monitorando os sintomas e queixas dos pacientes que procuram as unidades de saúde do município e que não há números que sustentem um eventual surto de virose.

A operadora Hapvida disse que, quanto aos atendimentos, não houve um aumento significativo de casos de viroses no Hospital Regional de Franca.

A Unimed Franca, até o fechamento desta reportagem, não havia informado dados que foram solicitados sobre um eventual aumento nos atendimentos de casos de gastroenterites.

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