Também nas prisões
e nos hospitais
em bares, casebres
arremedos de lares
até nos lugares
mais improváveis
tipo assim beco escuro
onde tudo é tão lúgubre
(e Noel só miragem)
E lá no Senado
de doutos senhores
E lá na tal Câmara
de orçamentos escusos
E lá no Planalto
de nenhuns pudores
E lá no Supremo
de tantos poderes
(e olhos fechados a claras verdades)
No instante difícil
da adversidade
e por toda parte
onde falta beleza
e sobram crueldades
No cinza do asfalto
(mesmo com panetone)
Na cinza das horas
(que só enterram sonhos)
Mas principalmente
dentro do homem
curvado de pesos
opaco de vida
sem esperança
e morto de fome:
o fracasso na lida
o cansaço da luta
os olhos já turvos
sem tréguas pra ver.
É aí mesmo, Jesus,
que tu tens de renascer!
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