Nasceu prematura extrema, com apenas 25 semanas de gestação. Ficou internada na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) neonatal durante sete meses. Desenvolveu cardiopatia, displasia bronco-pulmonar, hemorragia intracraniana, hidrocefalia e retinopatia pela prematuridade. Precisou ficar entubada cinco meses até ser submetida a uma traqueostomia. Pesando apenas 730 gramas e medindo 25 centímetros, Maria Clara Pereira Cintra superou todas as expectativas médicas. Hoje, com dois anos de idade, a pequena guerreira tem mais um desafio pela frente: precisa de R$ 160 mil para continuar o tratamento.
A história da mineirinha começou em Passos, município a 105 km de Franca, onde nasceu no dia 27 de fevereiro de 2019. A data trouxe alegria e preocupação aos familiares. Maria Clara chegou 14 semanas antes do esperado (102 dias). Os médicos previam que seu nascimento aconteceria apenas em junho.
A mãe, Ana Flávia Pereira Cunha, correu para entrar em trabalho de parto. “Foi muito difícil e muito angustiante, porque não tinha previsão nenhuma de quanto tempo ela ficaria internada e o que poderia acontecer. Mais sempre (estive) confiante de que tudo daria certo”.
Já no primeiro mês de vida, Maria Clara foi para a mesa de cirurgia para implantação de uma válvula intracraniana. O mecanismo drena o líquido presente no cérebro, decorrente da hidrocefalia. A mineirinha passou por três cirurgias de revisão da válvula implantada nos meses seguintes.
Durante o período entubada na Santa Casa de Passos, Maria Clara desenvolveu problemas respiratórios, corrigidos com uma traqueostomia. A menina se alimenta através de uma sonda gástrica implantada em setembro deste ano.
Maria Clara foi diagnosticada com paralisia cerebral. O atraso no desenvolvimento neuropsicomotor a impede de ficar em pé ou sentada sem apoio. A mineirinha realiza sessões de fisioterapia motora e respiratória, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Apesar de morar com a mãe e avós em Ibiraci, o acompanhamento é realizado em uma clínica e na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Franca.
Ana Flávia descobriu um tratamento na clínica Neuroreab, localizada na cidade de Tubarão (SC). A mãe ficou impressionada com o resultado dos pacientes que passaram pela clínica especializada em tratamento de crianças com problemas neurológicos.
“Eles são muito humanos com cada criança. Cada diagnóstico que chega eles acreditam que a criança tem potencial para melhorar. Isso me toca muito. Todas as crianças tem uma chance de evoluir”, conta a mãe.
Apesar do alto custo e distância, uma avaliação médica foi agendada. Começava uma luta contra o tempo. Ana Flávia fez campanha nas redes sociais, vendeu pizzas beneficentes e recebeu doações. Após conseguir arrecadar mais de R$ 9 mil, Maria Clara desembarcou em Santa Catarina numa quarta-feira, dia 18 de agosto.
A fisioterapeuta e proprietária da clínica, Angélica Soldi, montou um plano de tratamento para Maria Clara. Foi prescrito um programa intensivo multidisciplinar, composto por fisioterapia neurofuncional, fonoaudiologia e terapia ocupacional. O intensivo, dividido em 20 dias de tratamento, inclui eletroestimulação, esteira, estimulação transcraniana (cerebral), exercícios na gaiola e treino de marcha com andador. Será necessário adquirir um acessório de cabeça (Headpod), carrinho postural stingray completo e uma roupa postural (Theratogs) para o atendimento.
Cada sessão de 20 dias do tratamento intensivo custa R$ 25 mil. Maria Clara precisa de quatro sessões. Apenas o tratamento está orçado em R$ 100 mil. Além do intensivo, a família precisa arcar com alimentação, estadia e as viagens de ida e volta.
Com o dinheiro que sobrou da venda das pizzas, Ana Flávia até conseguiu comprar o acessório de cabeça (R$ 2.710), mas ainda precisa comprar a roupa (R$ 4.500) e o carrinho postural (R$ 20 mil). Quando somado o tratamento, equipamentos necessários e gastos com a viagem, a família precisa arrecadar mais de R$ 160 mil.
“Acredito que a Maria vai evoluir muito na parte de fisioterapia motora e na parte de fonoaudiologia. Não é que ela vai sair de lá andando e falando, mas tudo que eles fizerem, sabemos que vai trazer um resultado muito bom”.
Para levar a filha ao sonhado tratamento, Ana Flávia abriu uma campanha de arrecadação na Vakinha Virtual e disponibilizou uma chave PIX para doações. A mãe pretende fazer rifas e colocar caixinhas de troco solidário em estabelecimentos parceiros nas próximas semanas.
“Peço para todas as pessoas que conhecem ou vivem a mesma situação, que abracem nossa causa e nos ajudem. São muitas famílias que têm a mesma vontade e o mesmo sonho que estou tendo: levar minha filha nesta clínica e dar uma qualidade de vida melhor para ela”, finaliza. Esperança e espírito não faltam para a família - e muito menos, para Maria Clara.
Como posso ajudar?
Chave PIX: (CPF) 140.518.276-82
Nome: Ana Flávia Pereira Cunha
Banco: Caixa Econômica Federal
Para doar através da Vakinha Virtual clique aqui.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.