Atrasados, impossibilitados, desacreditados da vacina. É variado o perfil dos 40 mil francanos que deixaram de tomar, no prazo recomendado pela Secretaria de Saúde, uma das doses de um dos imunizantes contra a Covid-19. A decisão deles faz com que diariamente doses fiquem estocadas na Secretaria de Saúde do município.
Em um cenário pandêmico que já matou mais de 600 mil pessoas no Brasil, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) usou suas redes sociais, nesta quinta-feira, 25, para pedir que os moradores de Franca compareçam às Unidades Básicas de Saúde para completar a imunização nas datas corretas.
Segundo ele, do total de “atrasados”, 28 mil não receberam a 2ª dose de um dos imunizantes e outras 10 mil pessoas tomaram as duas primeiras, mas já deveriam ter recebido a dose de reforço e ainda não o fizeram, mesmo cumprindo o intervalo de tempo necessário.
O atraso tem feito até com que doses fiquem estocadas. “Todas essas doses aqui na Secretaria de Saúde são vacinas que já deveriam estar no braço da população”, disse Alexandre.
Quem são
De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Franca, a maior parte dos atrasados, 70%, se enquadra na faixa etária de 18 a 59 anos. Neste grupo está o vendedor A.D.*, 22, que diz temer que os benefícios da vacina sejam menores do que os riscos.
“Eu tive Covid-19 duas vezes e decidi que não ia me vacinar. Eu penso que algumas pessoas têm resistência maior ao vírus e, como eu só tive sintomas leves, não quero arriscar”, afirma, admitindo que fez uso de medicação sem eficácia comprovada durante suas contaminações.
A cabeleireira Tatiane Pereira, 37, também está entre os francanos que decidiram não se vacinar. Ela diz que acredita na existência do vírus, mas duvida dos números públicos relacionados à pandemia. Naturalista, ela diz que não usa “remédios de laboratório” e que isso seria um motivo a mais que pesou em sua decisão de não se vacinar.
“Eu não acredito nessa vacina, em nenhuma delas. Uma vacina demora anos para ser composta, estudada e testada, e essa foi muito rápido. Eu conheço pessoas que mesmo vacinadas com duas doses pegaram (a doença) e quase morreram. Eu não acredito nos números que são passados para a gente pela mídia, eu acho que foi só um meio de ganhar dinheiro e de enganar a gente mesmo”, afirma. Ela conta que, em casa, toda a família se vacinou e não concorda com a decisão dela.
Não é o que diz a ciência. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) todos os protocolos vacinais aprovados pela Agência são monitorados e os estudos em andamento no mundo acompanhados. O órgão garante ainda que a utilização das vacinas aprovadas é segura e eficaz.
*o vendedor pediu para não ter seu nome completo publicado
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