As despesas com alguns itens para a realização do V Fórum Internacional das Cidades Criativas, em Franca, entre os dias 1º e 3 de dezembro, geraram muita polêmica na cidade.
Os vereadores aprovaram uma verba pública para o evento, mas a votação foi dividida. A Prefeitura irá repassar R$ 70 mil à Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) que apresentou o "plano de trabalho", em parceria com o Uni-Facef, Sebrae-SP e Nepec (Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Economia Criativa). O valor total que será gasto com a realização do Fórum será de R$ 256.996,66.
Segundo a relação, a organização irá gastar R$ 36 mil com cafezinhos (café da manhã, R$ 12 mil, e coffee break, R$ 24 mil). A expectativa de público no evento é de 300 pessoas. Desse modo, um cafezinho sairia R$ 120 por pessoa. Uma xícara de café expresso nas cafeterias de Franca custa R$ 4, o que daria para comprar 9 mil xícaras de café. Portanto, cada um dos participantes do evento teria direito de degustar 30 xícaras do produto.
Outros itens existentes no cronograma do evento também chamam a atenção, como gastos de R$ 24 mil para o responsável pela Supervisão e Curadoria; R$ 21 mil para o produtor-executivo; R$ 3 mil de aluguel para o auditório da Uni-Facef, parceira no evento; R$ 3.600 com credenciais; R$ 3 mil com assessoria de imprensa e o mesmo valor com marketing, além de R$ 4 mil apenas com lápis, folhas, pastas e crachás. Lembrando que a Acif já conta com uma equipe própria no setor de assessoria de imprensa.
Isso sem contabilizar cachês que chegam até R$ 15 mil para alguns palestrantes. Um deles, Jorge Pinto, virá de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, com passagens aéreas orçadas em R$ 8.181,87.
O repasse da Prefeitura para a Acif foi aprovado por apenas um voto de difereça (7 a 6), criando um racha entre os vereadores. “Meu voto 'não' foi basicamente pelo regime de urgência. Não deu para analisarmos o projeto a fundo. Vimos também existem no projeto quesitos que nós não concordamos, como R$ 24 mil em café, R$ 12 mil em café da manhã e R$ 4 mil em papéis e lápis. Então, isso nos levou ao voto contrário. Esses projetos que tratam de dinheiro público precisam ser analisados rigorosamente”, justificou o vereador Daniel Bassi (PSDB).
Gilson Pelizaro (PT) também criticou o repasse do dinheiro público e o valor que será gasto em cafezinhos: “Não tem cabimento o poder público bancar isso”.
Os vereadores Marcelo Tidy (DEM) e Della Motta (Podemos) também criticaram a urgência do projeto e foram na mesma linha ao votar contra: “Não me sinto a vontade para votar 'sim'.”
Donizete da Farmácia (MDB), que votou a favor do repasse, destacou a importância do evento. “O evento é importante já que terá cursos de qualificação profissional, incentivo para criação de empresas, criação de empregos, produção industrial. É o que estamos necessitando neste momento. Temos também a responsabilidade de acompanhar sobre a aplicação desses recursos. O Tribunal de Contas não perdoa”, disse o parlamentar.
A reportagem procurou a Acif para saber quais são os profissionais que vão atuar nas áreas de supervisor e curadoria geral e produtor executivo - que juntos vão ganhar R$ 45 mil no evento.
O responsável pela supervisão e curadoria será Décio Coutinho, de Goiânia: colunista de Economia Criativa da Rádio BandNews Goiânia e possui especialização em “Sociedades Pós-industriais e Organizações Criativas” na Itália.
A produtora-executiva é Tânia Mara Pinto Souza, de Franca: Mestrado em Desenvolvimento Regional, Pós-graduação com Especialização em Auditoria, Finanças e Marketing, Gestão de Operações e Logística e Bacharel em Direito.
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