Em fevereiro de 2022 serão completados quatro anos que a última escola de samba desfilou no sambódromo de Batatais, cidade que ostentou por ao menos cinco décadas o título de Carnaval mais importante da região.
O mesmo mês também marcará dois anos que a Ases do Ritmo fechou os desfiles na passarela “José Renato Rosa”, em Franca, que foram realizados com luta, suor, empenho e boa dose de criatividade para driblar os parcos recursos conseguidos pelas escolas de samba em 2020.
Para ser mantida a tradição dos desfiles, nos últimos anos os carnavalescos precisaram “matar muito mais de um leão por dia”. Mas a pandemia de Covid-19 chegou, inviabilizou a resistência e pôs fim à esperança que muitos tinham de ver as agremiações voltarem a sambar nas passarelas do interior já no próximo ano.
FRANCA
Assim como outras mais de 70 cidades paulistas, Franca não terá nenhum vestígio de confete e serpentina na passarela do samba no próximo ano. O prefeito Alexandre Ferreira (MDB) colocou uma pedra sobre o assunto ao anunciar oficialmente na última segunda-feira (22) que não haverá eventos carnavalescos em razão do receio de um recrudescimento da pandemia. “Eventos públicos como o Carnaval são uma preocupação, mesmo com a maior parte da nossa população já com duas doses de vacina, temos que ter prudência”, disse.
O pronunciamento do prefeito desagradou os sambistas. Policarpo Soares, representante da Uesf (União das Escolas de Samba de Franca), reclama da falta de diálogo e diz que os carnavalescos foram pegos de surpresa pois almejavam e aguardavam que houvesse uma reunião com Alexandre.
“Todo mundo foi afetado, teve parente que morreu. Mas em uma semana ele (prefeito) vem dizer que a cidade tem que voltar à normalidade, está liberando todos os tipos de eventos. O natal está aí, (...) sábado teve um evento (show) particular para 10 mil pessoas em local fechado. Ele vem dizer que 80% da população está vacinada, que fechou leitos porque não precisava mais. O carnaval ainda é em março. Eles dizem que está tudo controlado, mas se está controlado, como estão prevendo essa volta da pandemia em março”, questionou.
“Todo mundo foi afetado, teve parente que morreu. Mas em uma semana ele (prefeito) vem dizer que a cidade tem que voltar à normalidade, está liberando todos os tipos de eventos. O natal está aí, (...) sábado teve um evento (show) particular para 10 mil pessoas em local fechado. Ele vem dizer que 80% da população está vacinada, que fechou leitos porque não precisava mais. O carnaval ainda é em março. Eles dizem que está tudo controlado, mas se está controlado, como estão prevendo essa volta da pandemia em março”, questionou.
BATATAIS
Em Batatais, quem quiser ver Acadêmicos do Samba, Castelo, Riachuelo, Unidos da Liberdade, Unidos do Morro e outras agremiações colorindo o sambódromo também vai ter de esperar. Divergências relacionadas à prestação de contas e valores a serem destinados para realização dos desfiles inviabilizaram os carnavais de 2019 e 2020. Em 2021, o novo coronavírus trancou pierrôs, colombinas e o resto do mundo em casa.
Sob o efeito da pandemia - que em Batatais não mata há mais de 50 dias, mas existe -, o prefeito Juninho Gaspar (PP) já descartou a realização dos desfiles das escolas de samba em 2022.
Há algumas semanas, ele mencionou publicamente a intenção de autorizar a passagem de blocos carnavalescos, no estilo “vai quem quer” - e no ano passado pelo menos 5 mil por dia quiseram, segundo os organizadores - pelas ruas animados por trios elétricos que exalam altos decibéis de “carnafunks” entrecortados por marchinhas reestilizadas, sem nenhum tipo de controle de acesso ou participação do público.
Consultada na tarde de ontem e na manhã de hoje, a chefia de gabinete da prefeitura da cidade vizinha não retornou os contatos com uma definição (se assim fizer, esta reportagem será atualizada).
Vice-presidente da Uesb (União das Escolas de Samba Batataenses) e diretor da Unidos da Liberdade, Volnei Barbosa disse lamentar a dissolução dos desfiles de escolas de samba, mas está confiante que prefeitura e Uesb consigam realizar a festa em 2023.
“Vejo a não realização do carnaval como um grande prejuízo principalmente para o turismo da nossa cidade e de outras que também deixarão de fazer o carnaval no formato escola de samba. A realização com bandas e blocos é para tapar buraco. É importante porque não fica sem ‘lembrar’ do carnaval. O Carnaval deveria ter um pouco mais de valor. Para algumas pessoas ele é supérfluo, mas ele não é. Vejo com muita preocupação a não realização e a não discussão do carnaval. Pela pandemia a gente entende, mas não poderíamos deixar de discutir o valor (cultural) do carnaval”, disse.
OUTRAS CIDADES
Na região, Altinópolis, Brodowski, Cássia dos Coqueiros, Cajuru, Miguelópolis, Orlândia, Rifaina, Sales Oliveira e São Joaquim da Barra se unem a outras quase 70 cidades de São Paulo que já cancelaram o Carnaval 2022.
Maior cidade da macrorregião, Ribeirão Preto não terá ações para o Carnaval bancadas pela prefeitura. Por outro lado, mais do que não impedir, a prefeitura informou que incentiva os agentes culturais da cidade para que realizem eventos relacionados à folia.
Neste contexto, pelo menos dois grandes eventos estão confirmados para acontecerem entre janeiro e fevereiro, às vésperas da data oficial do Carnaval.
Um deles é o Arena Folia, que receberá, em 16 de janeiro, no estádio Santa Cruz atrações como Bell Marques, Durval Lelys, João Bosco & Vinícius e Zé Vaqueiro.
No mês seguinte, o estádio Palma Travassos recebe o Bloco Califórnia, que terá o grupo Sambô, mais três shows, oito DJs e apresentações de baterias universitárias.
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