Há exatos 99 anos, no distante ano de 1922, surgia uma das mais longevas instituições filantrópicas de Franca: a Fundação Espírita Allan Kardec. Localizado na rua José Marques Garcia, o local atende pessoas com transtornos mentais desde a sua fundação. Mas, para quem vê aquele enorme espaço, lembrado com muito preconceito por parte da população, não imagina a brilhante história construída neste quase centenário, que começou como um "asilo pros loucos".
Tudo começou em um longevo ano de 1902, em uma praça de Franca. Por lá, crianças "atentadas" atiravam pedras em uma pessoa com transtornos mentais. Talvez por coincidência, por ali passava José Marques Garcia, que teve o azar de ser atingido por uma pedra. Mas, o que era para ser apenas uma dor de cabeça para o rapaz, se tornou uma chama de esperança.
Tudo começou em um longevo ano de 1902, em uma praça de Franca. Por lá, crianças "atentadas" atiravam pedras em uma pessoa com transtornos mentais. Talvez por coincidência, por ali passava José Marques Garcia, que teve o azar de ser atingido por uma pedra. Mas, o que era para ser apenas uma dor de cabeça para o rapaz, se tornou uma chama de esperança.
Ao ver a fragilidade e o preconceito sofrido pelo homem com transtorno, José Marques teve uma ideia: começou a abrigar essas pessoas na sua própria casa. Foram alguns anos atendendo e ajudando incansavelmente essa parcela da população. Mas, num certo dia, Marques teve um sonho: deveria procurar um fazendeiro. Ele foi até o homem de terras, que também afirmou ter sonhado que seria procurado por um rapaz e deveria doar um terreno para ele.
E qual foi o terreno? Um enorme espaço, maior ainda do que o atual, numa rua que se chamava Irmãos Antunes. E, justamente por ali, no dia 19 de novembro de 1922, surgia o, ainda, Asilo Allan Kardec.
Se passaram 99 anos desde a construção das primeiras casas naquele espaço. Milhares de pessoas com transtornos mentais resgatadas. Neste período, centenas de voluntários ajudaram incessantemente e lideraram a fundação. Hoje em dia, a função de presidente está a cargo de Mário Arias Martinez.
Mas, até chegar ao "comando" atual, a fundação passou por muitas transformações. “O hospital veio passando por várias fases até chegar aos dias atuais. Começou com asilo, se transformou em uma casa de saúde e depois em hospital – que permanece até os dias atuais”, relembrou Mário.
Dias atuais
Sob o comando de Mário, além da ajuda de mais de 300 colaboradores, a Fundação vive, nos últimos anos, um período de reformulação. O hospital psiquiátrico, que é o grande trabalho da instituição, está cada vez mais diminuindo e dando espaço para outras atividades.
“Chegamos aqui em 2017 e começamos uma reformulação no processo. Era apenas um hospital, na época, e começamos a ampliar a rede de atenção psicossocial, adaptando a nova forma de se enxergar a saúde mental no Brasil”, disse Mário.
Uma das novas bases do Allan Kardec é o projeto Inspiração, que teve início no ano de 2018 e se baseia no desenvolvimento humano, através do trabalho dos pacientes em oficinas, que, atualmente, são três: reciclagem de eletrônicos, costura em couro e agrícola. Em média, 50 pessoas trabalham nelas e se distanciam dos quartos hospitalares, ganhando uma oportunidade de inclusão social.
“Essas oficinas atendem pessoas com problemas mentais, não só daqui do hospital. Elas vêm para trabalhar e aqui recebem alimentação, atendimento psiquiátrico e executam seus trabalhos no dia-a-dia. Tem a interação social, o cuidado que o hospital oferece e também a bolsa que as oficinas garantem a elas. Todo o recurso angariado nessa oficina é distribuído para esses oficineiros.”
“A grande dificuldade de sempre é o financiamento, que é insuficiente. Por isso, partes da Fundação foram vendidas. Então, esse é sempre o grande desafio. Para cada paciente, por exemplo, temos que colocar mais R$ 100. Então, acabamos dependendo de emendas parlamentares e doações para sobrevivermos”, disse.
Para Mário, a questão do preconceito nada mais é do que uma desinformação por parte da população. Pessoas que desconhecem o trabalho quase que centenário do Allan Kardec. Por isso, nos últimos anos, a divulgação da instituição tem sido prioridade.
“Temos divulgado nossos trabalhos para combater a desinformação. Se você andar por aí, não vai ver ninguém amarrado. É um hospital normal. Do mesmo jeito que você vai num hospital para recuperar um braço quebrado, aqui você passa um tempo sob cuidados médicos.”
Centenário e próximos 100 anos
E, para que continuem salvando vidas, no ano do centenário vários projetos serão divulgados à população. Desde um livro e um museu, contando a história da casa, até lives para informar a população sobre a saúde mental.
“Ao longo do ano de centenário, em 2022, estamos planejando algumas coisas. Então, vamos lançar um livro que contará nossa história. Estamos também angariando peças para fazermos um museu da saúde mental. E vamos também fazermos uma live, a cada dois meses, para levarmos para pessoas um conteúdo sobre a saúde mental.”
“No ano que vem, devemos abrir uma oficina de culinária, onde vamos receber mais 20 oficineiros. E, também, definirmos o tamanho do hospital para tratamento da saúde mental. Então, o hospital tende a diminuir e essas atividades devem aumentar. Queremos um dia atender de 200 a 300 pessoas por dia com as oficinas de desenvolvimento humano. Esse é o nosso grande projeto para os próximos 100 anos”, finalizou Mário.
“Essas oficinas atendem pessoas com problemas mentais, não só daqui do hospital. Elas vêm para trabalhar e aqui recebem alimentação, atendimento psiquiátrico e executam seus trabalhos no dia-a-dia. Tem a interação social, o cuidado que o hospital oferece e também a bolsa que as oficinas garantem a elas. Todo o recurso angariado nessa oficina é distribuído para esses oficineiros.”
Dificuldades
Apesar do crescimento e das adaptações, a Fundação sempre viveu grandes dificuldades. A principal delas é o financeiro. Com um custo por paciente/dia de mais de R$ 200, mas uma ajuda governamental de apenas R$ 102, a instituição precisa sempre se "virar nos trinta".
“A grande dificuldade de sempre é o financiamento, que é insuficiente. Por isso, partes da Fundação foram vendidas. Então, esse é sempre o grande desafio. Para cada paciente, por exemplo, temos que colocar mais R$ 100. Então, acabamos dependendo de emendas parlamentares e doações para sobrevivermos”, disse.
Preconceito
Quem nunca ouviu ou até disse a frase: “fugiu do Allan Kardec”?. O preconceito dos francanos contra a saúde mental é uma questão que a Fundação Allan Kardec luta desde seu início para combater. Tal como as crianças que jogavam pedra no homem com transtornos mentais, ainda existem casos de francanos que evitam passar na porta da Fundação, por medo e preconceito.
"A questão do preconceito é sempre com o transtorno mental. A pessoa, às vezes, acaba veiculando o hospital a uma casa de loucos ou a um local que tem pessoas amarradas. Ao longo do tempo, muitas pessoas nem passavam na porta do hospital por medo. Só que a gente até brinca, que não sabemos se deixavam de passar por medo das pessoas daqui ou por medo de entrarem e não sair."
Para Mário, a questão do preconceito nada mais é do que uma desinformação por parte da população. Pessoas que desconhecem o trabalho quase que centenário do Allan Kardec. Por isso, nos últimos anos, a divulgação da instituição tem sido prioridade.
“Temos divulgado nossos trabalhos para combater a desinformação. Se você andar por aí, não vai ver ninguém amarrado. É um hospital normal. Do mesmo jeito que você vai num hospital para recuperar um braço quebrado, aqui você passa um tempo sob cuidados médicos.”
Centenário e próximos 100 anos
Mesmo com tamanha dificuldade e preconceito, a Fundação Allan Kardec, ano após ano, crava seu nome na história da saúde mental brasileira. E, no ano que vem, será a vez de comemorar o centenário da instituição. “Ao longo desses 99 anos, o que temos feito é salvar vidas. As pessoas vêm para cá e conseguem sair com uma nova perspectiva de vida.”
E, para que continuem salvando vidas, no ano do centenário vários projetos serão divulgados à população. Desde um livro e um museu, contando a história da casa, até lives para informar a população sobre a saúde mental.
“Ao longo do ano de centenário, em 2022, estamos planejando algumas coisas. Então, vamos lançar um livro que contará nossa história. Estamos também angariando peças para fazermos um museu da saúde mental. E vamos também fazermos uma live, a cada dois meses, para levarmos para pessoas um conteúdo sobre a saúde mental.”
Além disso, a reformulação vista nos últimos anos deve ser reforçada no futuro. Para 2022, mais oficinas são planejadas, com o objetivo de aumentar cada vez mais o desenvolvimento humano e diminuir o hospital.
“No ano que vem, devemos abrir uma oficina de culinária, onde vamos receber mais 20 oficineiros. E, também, definirmos o tamanho do hospital para tratamento da saúde mental. Então, o hospital tende a diminuir e essas atividades devem aumentar. Queremos um dia atender de 200 a 300 pessoas por dia com as oficinas de desenvolvimento humano. Esse é o nosso grande projeto para os próximos 100 anos”, finalizou Mário.
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