INSTITUTO JOÃO DE BARRO

Grupo de voluntários atua na reforma de casa que corria risco de desabar no Santa Cruz

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
A família precisou sair do local, pois a casa corria risco de desabar
A família precisou sair do local, pois a casa corria risco de desabar

“Temos o propósito de ajudar as famílias a terem uma moradia digna.”. A frase é do engenheiro civil Carlos José Martins Tavares, fundador do Instituto João de Barro. O grupo surgiu há cinco anos com o objetivo de construir e reformar casas de pessoas em situação de vulnerabilidade. A ideia deu tão certo que hoje já são mais de 60 voluntários e dezenas de obras concluídas durante o período.

Entre elas, a mais recente é a casa de uma família que mora no bairro Santa Cruz. Maria Cristina Gabriel, de 49 anos, vivia na cama há mais de 20 anos por conta de uma depressão profunda. Seu marido, Gerson Rodrigues, com problemas de Alzheimer, não conseguia cuidar da casa. O filho de pouco mais de 20 anos tem problemas mentais. O ambiente em que viviam era precário.

Após publcação pelo GCN, o caso repercutiu e algumas ajudas surgiram, inclusive o instituto, que doaram os materiais para a reforma do local. “Os voluntários – uma equipe com engenheiros, arquitetos, psicólogos e assistentes sociais – fizeram o projeto e também o acompanhamento. Esta casa do Santa Cruz foi aprovada a doação dos materiais. A sobrinha deles, Sheila, está arcando com parte da mão-de-obra”, disse Carlos.

O fundador do João de Barro afirmou que, como a demanda é grande, nem toda obra é possível que seja realizada também a mão-de-obra. “A própria sobrinha disse que iria tentar recursos para essa parte e nós decidimos dividir.”

Sheila Rodrigues conta com a mão-de-obra de um pedreiro e a ajuda do marido para a reforma. Ainda com as doações do instituto, a sobrinha procura por mais voluntários. “Precisamos de mais ajuda no sentido de mão-de-obra, pois vou ter que vender meu carro para conseguir pagar. São poucas pessoas trabalhando e creio que só com elas vai demorar muito, mas sou muito grata, porque além de tudo consegui a internação para minha tia.”

Sobre o instituto 

O João de Barro foi inspirado em um modelo de trabalho que existe na cidade de Barretos e feito pelo Cias (Centro de Investigações e Ações Sociais). “Conversando com um grupo de amigos, eles me incentivaram a difundir o instituto em Franca também. Juntamos um grupo de amigos e começamos a procurar por doações (de materiais e recursos financeiros) para poder ajudar famílias em situação de extrema necessidade”, explicou Carlos.

O grupo conta hoje com 61 voluntários, muitos da própria área de construção civil e assistência social. As pessoas procuram o instituto e passam por uma espécie de triagem. “Pegamos os dados, analisamos a situação e depois uma equipe de triagem, composta pelos profissionais, faz uma visita na casa da família.”

A demanda é muito grande e essa triagem existe para priorizar as famílias que mais precisam. São inscritos, em média, quatro casos para construção ou reforma por mês.

As doações vêm dos próprios voluntários e de empresas que contribuem mensalmente. Além disso, o grupo recebe materiais doados que sobram de reformas – quando em boas condições. “Durante as obras nós fazemos campanhas também e antes da pandemia realizávamos eventos para conseguir arrecadar recursos. O João de Barro não está ligado a nenhuma empresa, nenhuma religião, nem política. Totalmente independente de tudo.”

As obras

Foram três casas construídas e inúmeras reformas realizadas pelo instituto. A primeira obra é a restauração da casa no Jardim Santa Bárbara de uma família de cinco pessoas: um pai viúvo e quatro filhos. Isso começou ainda em 2015, quando o João de Barro nem existia. “Esse era um caso que não dava nem para esperar. Era uma casa no fundo de um terreno, o ambiente era insalubre e paredes frágeis”, disse Carlos.

A segunda casa foi a da Dona Raimunda, uma senhora viúva com sete filhos, sendo quatro especiais. A casa foi construída em terreno doado no bairro Chácara São Paulo. O projeto foi desenvolvido desde o início por uma equipe de arquitetos, engenheiros e psicólogas para atender as necessidades da família.

A terceira obra do Instituto João de Barro foi a reforma da casa do senhor Antônio, localizada no Jardim Aeroporto 4. A restauração foi iniciada por duas senhoras voluntárias e terminada pelo grupo de voluntários, onde se atentaram a problemas de umidade, portas enferrujadas e diversos outros problemas. Inúmeras outras reformas foram realizadas depois disso.

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