CASO WESLEY

Polícia diz que denúncia sobre 'assassinato' de Wesley já foi investigada

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/GCN
Policiais em uma das buscas pelo garoto Wesley, no ano passado
Policiais em uma das buscas pelo garoto Wesley, no ano passado

Após uma postagem em grupo de Facebook chamar a atenção de todos que procuram por notícias sobre o paradeiro do jovem Wesley Alves Pires Filho, 15, desaparecido desde agosto de 2020, a Polícia Civil informou no início da tarde desta quarta-feira, 17, que a denúncia já foi investigada pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e que não levou a nenhum local ou alguma pessoa que estaria envolvida com o desaparecimento do garoto.

De acordo com a Polícia Civil, a mesma denúncia já foi feita outras vezes e, em todas, as informações foram apuradas.

“É a mesma informação que já foi investigada por esse Setor de Investigações da DIG, inclusive, com as oitivas do proprietário do restaurante (espetinho), dos frequentadores e da pessoa que teria sido vítima de um furto de uma bicicleta no dia do desaparecimento”, disse a Polícia Civil, em nota.

Ainda segundo a Polícia Civil, todos os suspeitos foram ouvidos por duas vezes na sede da delegacia, além de terem sido feitas outras diligências pela zona Sul da cidade.

“Diversas incursões foram feitas no Complexo do Jardim Aeroport,o e nada foi apurado contra eles (alvos do post). Posteriormente, o setor de investigações recebeu informações de que o adolescente poderia estar em uma mata próximo ao bairro Jardim Aeroporto e policiais da DIG, com apoio de policiais da Seccional de Franca e também do Corpo de Bombeiros, fizeram uma varredura em toda mata lá existente e nada foi localizado”, continuou a nota.

A Polícia Civil afirma que a publicação feita nesta terça-feira, 16, por um perfil anônimo é totalmente vaga e remete a denúncias já apuradas pelo setor responsável pelo caso do jovem.

“A publicação fala de um suposto corpo em uma mata, sem informação de local exato ou aproximado. A região de mata e cerrado é muito ampla”, completou a nota.

O desaparecimento do jovem segue em investigação pela DIG de Franca. Quem tiver informações sobre o paradeiro do jovem pode entrar em contato com o telefone 197 da Polícia Civil ou (16) 3724-1854 da delegacia. Todas as denúncias podem ser feitas anonimamente.

Postagem anônima

A postagem dessa terça-feira foi feita em um grupo chamado “Volta Wesley”, criado pelos familiares para receber informações sobre paradeiro do menino. Nela, o perfil começa falando que é do bairro Aeroporto, de onde o garoto foi visto antes de desaparecer e que sabia o que tinha acontecido com ele já havia algum tempo.

“Ai a caminhada é o seguinte. Eu sou daqui do Aeroporto e já estou sabendo dos acontecimentos há um tempo. Não consigo mais segurar isso dentro de mim, mano. Os caras do bar do ‘Lekin’ (onde Wesley teria furtado uma bicicleta) cataram ele mesmo. Ficaram com ele uns dias e depois mataram com um tiro”, disse o homem na postagem.

Após contar sobre a morte de Wesley, a postagem continua com a possível localização onde os homens teriam enterrado o garoto.

“Ele está lá no fundo do 4 (Aeroporto), na mata, certo. Não aguentei ficar vendo o sofrimento da família e resolvi falar. Mas eu não vou por a cara não, vocês podem falar o que quiser. O perfil é falso mesmo, mas a verdade está ai. Agora achar o corpo, mano, esquece. Não vai não”, finaliza a postagem.

Alguns minutos depois do post ser publicado, várias pessoas começaram a curtir e compartilhar. A mãe de Wesley, Camila Alves, só foi saber sobre a publicação horas depois.

“Eu não tinha visto a publicação. Me mandaram o print e, quando fui ver, o post já tinha sumido. Mas aí várias outras pessoas que 'printaram' começaram a postar. Assim, se for uma denúncia verdadeira, eu acredito que a pessoa tirou com medo de ser rastreado, né? Mandei o print para a Polícia, mas não tive resposta. Tem que ser averiguado. Mesmo sendo um perfil falso, precisa ser apurado. É como se fosse uma denúncia anônima, eu imagino assim. Mas eu vou lá procurar, onde? O tamanho daquela mata”, disse Camila.

Inquérito instaurado

No início deste ano, o caso de Wesley foi instaurado para o acompanhamento do Ministério Público. Um PID (Procedimento de Investigação de Desaparecimento) já estava em andamento desde 2020.

Wesley Alves Pires Filho, então com 14 anos, saiu de casa na tarde do dia 28 de agosto do ano passado, dizendo que iria a um varejão e não foi mais visto.

Wesley saiu de casa por volta das 16h30. Ele foi visto pela última vez empurrando uma bicicleta na rodovia Ronan Rocha, entre Franca e Patrocínio Paulista. Após percorrer alguns bairros da zona Sul, nunca mais foi visto.

A bicicleta que Wesley aparece empurrando nunca mais foi vista. Um homem chegou a afirmar que ela ficou jogada nas proximidades da rodovia, no dia do desaparecimento.

De lá para cá, várias pistas falsas surgiram, como denúncias de que o jovem estaria em Serrana (SP), Ribeirão Preto (SP), São Paulo (SP), Ubatuba (SP), São Sebastião do Paraíso (MG), Campo Grande (MS) e outras cidades.

Nesta semana, a mãe de Wesley afirmou em suas redes sociais que várias pessoas tentam passar golpes nela e nos familiares. Um falso delegado havia chamado Camila no WhatsApp, dizendo que o filho estaria em Florianópolis. O homem chegou a pedir R$ 2 mil para passar as informações sobre o paradeiro.

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