Os alunos da Etec "Doutor Júlio Cardoso", a tradicional "Industrial", habitualmente celebram sua formação através da cerimônia de colação de grau, como acontece em tantas outras escolas. No último dia 5 de novembro, aconteceu mais um deses eventos. Até aí, nenhuma novidade, a não ser pelo fato dos formandos estarem celebrando a graduação de 2020 - a cerimônia, por conta das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, foi realizada com um ano de atraso. Menos da metade dos alunos participaram do evento. A festa de formatura acontecerá em dezembro, mas grande parte dos estudantes também não pretende participar.
“Achei bem estranho quando terminei o ensino médio sem fazer uma festa ou a colação. Ficou um sentimento de que não tinha concluído a escola de verdade, mas agora tive a oportunidade de me despedir mesmo da escola. Foi muito bom rever meus amigos. Pena que nem todos puderam ir, assim como os professores”, conta Luísa Sasaki, 18, uma das jovens que, apesar do incômodo com o atraso, participaram da celebração de 2021.
“Foi como uma oportunidade de dizer adeus, o que não fizemos no começo da pandemia por pensarmos que seriam apenas algumas semanas”, disse Daniel Furini Vanin, de 18 anos, outro participante da cerimônia de colação.
São diversas as razões apontadas por aqueles que desistiram de participar da cerimônia. Luiz Fernando Silva, de 18 anos, hoje trabalha, mora em outra cidade e critica a escolha da data e local. “Querendo ou não, é uma data especial. Gostaria de ter ido. Infelizmente marcaram em uma sexta, das 18h às 19h. Hoje trabalho em outra cidade, assim como outras pessoas que estudam fora. Achei uma falta de consideração com quem está nessa situação”, lamenta.
Italo Stênio, 18, descartou a colação por medo de contrair covid. “Fiquei com receio de alguma coisa acontecer. Medo de ter alguém que não tomou as devidas precauções, como tomar a vacina, usar a máscara e álcool em gel da forma correta e eu acabar trazendo covid para minha casa. Fiquei preocupado porque meus pais já têm problemas de saúde”, disse.
A tradicional festa de formatura, prevista para dezembro, também tem provocado descontentamento. A principal razão é que a comemoração será conjunta - num único evento, as turmas de 2020 e 2021 vão celebrar.
“Não irei na formatura justamente devido a essa união dos formandos de 2020 e 2021. Já que iria pagar um valor bem alto pela festa (a participação custa R$ 220,00), gostaria de algo único e exclusivo nesse caso”, disse Thiago Peracini, 18, que concluiu o curso em 2020.
“Estou guardando dinheiro para me mudar para a cidade da minha faculdade. Meus amigos mais próximos não vão. Então, mesmo que eu ganhasse o ingresso, acho que não me sentiria bem lá, sem eles, nesse momento que era para ser tão especial”, explica Mariana Basilio Andrade, de 18 anos, que hoje estuda fisioterapia na USP.
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