INSPIRAÇÃO

Marília Mendonça: 'Ela revolucionou o sertanejo', diz compositor francano

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
A cantora Marília Mendonça, de 26 anos, foi vítima em uma acidente de avião em Piedade de Caratinga, na última sexta-feira, 5
A cantora Marília Mendonça, de 26 anos, foi vítima em uma acidente de avião em Piedade de Caratinga, na última sexta-feira, 5
A morte da cantora Marília Mendonça repercutiu mundialmente nesta última sexta-feira, 5. Conhecida como 'A Rainha da Sofrência', a jovem sertaneja goiana, de 26 anos, teve sua carreira interrompida precocemente, no auge do seu brilhantismo. Sua voz era tão única e seu talento para compor era tão grande, que Marília serviu e serve de inspiração para diversos sertanejos, até mesmo em Franca. Na 'Capital do Calçado', a morte da cantora foi lamentada por vários músicos.
 
A dupla de origem francana e com mais de 30 anos de estrada, Rionegro e Solimões, através das redes sociais, lamentou a morte da cantora. “Com imensa tristeza, recebemos uma notícia muito triste hoje. Descanse em paz Marília Mendonça. Nossos sinceros sentimentos a todas as famílias dos passageiros que estavam no avião. Uma grande artista que iremos lembrar para sempre”, publicou a dupla.
 
O cantor Rionegro disse não ter acreditado quando as primeiras informações foram chegando. Para ele, a música brasileira perde um grande talento, mas também perde uma cantora humilde, que, apesar de tamanho sucesso, nunca quis estar acima de ninguém. “Quando soube da notícia, fiquei não querendo acreditar. Infelizmente, a música sertaneja perdeu uma grande artista. Marília era uma pessoa muito simples e humilde, não ostentava pose de artista. Levava a vida com leveza sem querer estar acima dos outros. Vai ficar para a história com suas músicas”.
 
Marília faria parte do DVD da dupla que seria gravado em dezembro. “Estivemos com ela há 10 dias, na gravação de um DVD em Goiânia. Nesse dia ela confirmou presença no nosso”, contou o cantor. 
 
Músico percussionista da dupla Zé Neto e Cristiano, o francano Dieferson Nascimento, conhecido como Dié Dié, conta que a morte da cantora trouxe um grande impacto para todos da dupla. “A Marília era muito próxima da dupla. Ela sempre esteve muito próxima do Zé e do Cris, no meio dos shows. E nós ficamos sabendo da morte dela até um pouco antes da grande mídia e foi um baque muito grande (...) A Marília era um ser-humano incrível e uma pessoa querida por todo mundo”.
 
Mesmo para aqueles que não tinha proximidade ou não tiveram a oportunidade de conhecer Marília, a cantora era vista como grande inspiração.
 
O cantor francano Campogrande, que recentemente iniciou carreira solo no sertanejo, disse que começou a receber as primeiras notícias por meio de blogs sertanejos que acompanha. “Quando recebi as primeiras notícias, entrei em vários blogs e perfis de notícia no instagram. Em todos, a notícia era a mesma, de que todos passavam bem. Então, claro, tinha esperança. Mas, infelizmente, acompanhei pela televisão a morte dela. Confesso que fiquei chocado, triste e sem querer acreditar”, lamentou. 
 
“Sempre acompanhei muito o trabalho da Marília e ela parecia ser muito simples e humilde. Acho que o sucesso não subiu para a cabeça. Ela era uma artista muito completa e que começou muito cedo com composições muito fortes. Tinha um DNA vocal único. A voz da Marília era única. Ela podia cantar qualquer música que era fácil identificar”, continuou Campogrande. 
 
Caíque Branquinho, que é compositor sertanejo em Franca, também teve o mesmo sentimento de Campogrande. Bastante emocionado, o sertanejo confessou ter chorado quando soube da morte de Marília. “Fiquei muito assustado quando o avião caiu. Mas a assessoria dela depois postou que ela estava bem e foi resgatada. Eu criei uma expectativa e tive um breve momento de esperança. Aí minha mãe me disse que ela havia morrido e eu não acreditava. Não dei conta. Comecei a chorar demais e não consegui”.
 
Para Caíque, Marília era uma grande inspiração, ainda mais pelas fortes composições da cantora, que sempre tentavam mostrar a realidade. “A Marília sempre foi uma compositora de grande qualidade, porque ela escrevia o que era verdade. E nas minhas composições eu prezo pelo que é real. Ela era um ser-humano fora do normal e, por isso, tudo que ela fazia tinha muita qualidade”. 
 
Também compositor, o francano Rafael Henrique, foi outro que não acreditou ao saber da morte da cantora. “Ontem, quando começaram a circular que o avião tinha caído, eu achei que era fake news. Mas aí confirmaram, só que diziam que todos estavam bem. De repente, veio a notícia de que tinham falecido. Até comecei a brigar nos grupos, perguntando se tinham certeza. Foi quando abri o G1 e tive um baque muito grande. E eu não quero acreditar, a ficha ainda não caiu”, contou Rafael. “Como artista, Marília Mendonça é uma inspiração para todos. Acho que grande maioria dos compositores já inspirou nela. Ela era única, tinha um jeito único de compor. Sempre dizia, Marília não erra, era ‘paulada atrás de paulada. Ela revolucionou o sertanejo”, continuou. 
 
Juntos, Caíque e Rafael, acompanhados de outro compositor francano, participaram de um concurso para tentarem ter uma música cantada pela cantora. A letra não foi selecionada, mas esteve entre as finalistas. “Infelizmente, nossa música não conseguiu passar. Mas sabemos que nossa música chegou no escritório para elas. Então, foi uma grande para nós, saber que uma letra nossa quase foi cantada por ela”, finalizou Caíque.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários