No último mês, os pais das crianças que estudam na EMEB “Maria Luzia de Andrade Barcellos”, no Jardim Paulista, foram orientados a matricular seus filhos em outras unidades porque a escola corria risco de ser fechada. A maioria, que mora no mesmo bairro, se preocupa com o transporte dos filhos, já que levavam os alunos a pé e agora terão um percurso de, no mínimo, dois quilômetros até a escola mais próxima.
Não se sabe ao certo o motivo do fechamento – há rumores sobre a falta de estrutura. A Prefeitura afirma que ainda não há definição e que o período de matrículas foi até a última sexta-feira, 29. Agora, a Secretaria de Educação está analisando as documentações para avaliar a demanda e decidir.
No entanto, a versão dos pais é outra. Muitos receberam a ligação da diretoria dando opções de escolas para a matrícula do próximo, já que a "Maria Luzia de Andrade Barcellos" não vai atender mais as crianças.
“Ela (diretora) disse que vai fechar mesmo, que não tem o que fazer, porque não tem estrutura suficiente e que faz tempo que a escola está precisando de uma reforma. Me encaminharam para outras escolas que eu não consigo levar. Vamos ter que nos virar e, infelizmente, vou ter que fazer matrícula em outro lugar”, disse Elielma Santos, que tem o filho matriculado na unidade.
A mãe ainda destacou que as outras opções são distantes de casa e que uma outra filha, de 8 anos, estuda na escola ao lado da "Maria Luzia de Andrade", o que facilita o trajeto da família. “Não tenho condições de pagar transporte e nem ir de carro. Esse percurso a pé vai judiar demais das crianças, então nosso apelo é que mantenham a escola aberta.”
Além da confusão, na última semana, foi iniciada a reforma do muro da escola. Com as obras, alguns pais se sentiram inseguros de enviar os filhos durante estes dias. “As obras deram início com os alunos em atividade. Não posso deixar meu filho ir à aula, porque tenho receio de ele se machucar. Crianças são hiperativas e as professoras também têm os limites, não conseguem vigiar todas. Está bem perigoso lá”, disse Cristiane Carla Lima Cintra, mãe de um aluno.
Cristiane também enfrenta a dificuldade de encontrar transporte para o filho no próximo ano. “Foi a diretora que me ligou falando para fazer a matrícula em outras escolas. Fiz por desespero para não perder a vaga, mas vai ser difícil porque moro no Boa Esperança e meu filho foi matriculado no 'Tarantelli'. Não foi exercido o direito da criança de estudar na escola do bairro.”
O vereador Gilson Pelizaro (PT) foi procurado por alguns pais e recebeu um abaixo-assinado com centenas de assinaturas pedindo para que a escola permaneça aberta e atendendo as crianças que já estudam na unidade. Assim que soube da situação, protocolou um requerimento cobrando os motivos do fechamento.
“Nós não estamos no momento de fechar escola, pelo contrário, precisamos cada vez abrir mais escolas e dar oportunidade para essas crianças estudarem mais próximo possível das suas residências. Estou cobrando da administração um retorno e quais seriam as razões desse fechamento”, disse o vereador.
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